Os blocos de Carnaval da cidade, responsáveis por atrair aproximadamente 100 mil pessoas aos desfiles pelas ruas da cidade, divulgaram na noite desta terça-feira (28) um duro manifesto condenando a violência da polícia e o toque de recolher imposto da cidade.

Os diretores dos 11 blocos que saíram pelas ruas cobram um posicionamento claro da Prefeitura, o que não aconteceu até o momento, frente às ações violentas na dispersão de alguns eventos. E dizem que o Carnaval não pode ser criminalizado.

Leia a íntegra da nota

Jundiaí, 28 de fevereiro de 2017. 

O Carnaval de 2017 confirmou a importância dos blocos de rua para Jundiaí. A importância desta festa vai para além do seu impacto econômico (só no turismo movimentou R$ 6,6 bilhões este ano) e constitui elemento central da identidade cultural brasileira.

Este Carnaval também consolidou o carnaval de rua jundiaiense como um espetáculo de relevância nacional (com o Chupa Que É de Uva e o Refogado do Sandi atraindo quarenta e vinte mil pessoas, respectivamente) e expressiva diversidade cultural, étnica e de gênero.

Por fim, marcou uma maior presença dos órgãos públicos, o que trouxe vantagens e desvantagens.

Reconhecendo os acertos no apoio das equipes de Trânsito, da Polícia e da Guarda durante os blocos e da Secretaria de Cultura, infelizmente relatos de violência institucional após alguns blocos ganham o centro do debate.

E não poderia ser diferente: eles ameaçam o futuro do carnaval de rua da cidade e, de maneira mais ampla, da liberdade de associação e reunião na cidade. Nos três casos houve dispersão com bombas de gás lacrimogêneo ou gás de pimenta, ameaçando a integridade física dos populares e criminalizando a festa de rua. Repudiamos esta violência.

Neste ano, houve a imposição de um toque de recolher na cidade. Nenhum bloco poderia continuar suas atividades depois das 20:30 (com a orientação de acabar às 19:30). Depois das 22:00 nenhuma atividade poderia acontecer. Os blocos seguiram rigorosamente esta orientação até o momento, diga-se de passagem.

No entanto, era claro como esta imposição teria dificuldades de prosperar. Durante o maior feriado festivo do país as pessoas foram obrigadas a desocupar as ruas mais cedo do que fazem nos demais dias do ano.

Os bares, clubes e estabelecimentos de lazer, se mantivessem suas atividades e recebessem os foliões, poderiam ser vistos como uma continuação dos blocos e estarem sujeitos ao toque de recolher. Aglomerações nas ruas seriam blocos, também sujeitas ao toque de recolher.

O maior problema foi essa decisão, que ignora o significado e o histórico do que é o Carnaval.

É óbvia a importância da dispersão dos blocos que reúnem milhares de pessoas (e que deve ser feita com instrumentos pacíficos), assim como é temerária a decisão de estabelecer toque de recolher na cidade.

Quando os blocos se dispersam, as pessoas se diluem em pequenos grupos nos bares, festas, clubes e também pelas casas. Proibir e combater tais encontros cria um cenário explosivo (gerando conflitos) e ameaça a continuidade do crescimento do carnaval jundiaiense. Aliás, já vimos este ano.

A Prefeitura de Jundiaí precisa se posicionar sobre esses graves casos de violência institucional e, acima de tudo, mediar a situação.

Hoje, a imagem do carnaval de rua foi criminalizada e há uma sensação de insegurança em estar nas ruas depois das dez da noite. O toque de recolher foi instaurado e precisa ser retirado com urgência.

Bloco Bagacerxs

Bloco Basta Vir e Se Divertir

Bloco Carne com Queijo

Bloco Chupa que é de Uva

Bloco Galo Doido

Bloco Kekerê

Bloco Leões da Hortolândia

Bloco do Loki

Bloco Mamãe Eu Quero

Bloco Refogado do Sandi

Bloco Super Poderosa

 

Na foto de abertura, o desfile do Continuamos na Nossa. Tranquilo até o momento da dispersão, quando a polícia usou balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray pimenta pra dispersar os foliões

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