Ciclistas urbanos fazem manifestação na Câmara e pedem mais segurança

Com bicicletas no plenário, representantes do movimento de ciclistas urbanos de Jundiaí levaram para a Câmara Municipal na terça-feira (16) um manifesto pedindo reforços nas políticas públicas relacionadas a mais incentivo e segurança para esse segmento.

Os vereadores da cidade, de acordo com o presidente Gustavo Martinelli, devem endossar o conteúdo para ser enviado em forma de ofício ao prefeito Luiz Fernando Machado (que já havia mostrado compromisso com o assunto durante a campanha eleitoral do ano passado).

A leitura do texto feita na tribuna por Roberto Fernandes, do movimento Pedala Jundiaí, foi concedida pelo presidente da Câmara e vereadores em caráter excepcional em um intervalo da sessão. As vagas dessa data, na Tribuna Livre, já estavam agendadas por manifestações de moradores a respeito dos direitos da população afro-brasileira diante da passagem próxima da data da Abolição e também sobre a redução da carga horária dos cursos de idiomas do Centro de Línguas.  

Conheça a principal parte do texto entregue aos vereadores, que também fizeram diversas manifestações favoráveis depois da intervenção, especialmente sobre questões como a rede cicloviária prevista em leis como a 8.683 e também sobre a importância de projetos para os próximos quatro anos estarem contemplados no Plano Plurianual (PPA).

Os ciclistas presentes também manifestaram a intenção de colaborar com os próprios vereadores ou com a Prefeitura de Jundiaí, que trabalha atualmente no seu Plano Municipal de Mobilidade.

O texto

“Qualquer morador com mais de trinta anos sabe que Jundiaí é uma cidade marcada por bicicletas como modo de transporte em sua história e que as ruas mostram que está novamente crescendo. Não é apenas a trabalho, como antes, mas também pela economia em trajetos curtos, pelos benefícios para a saúde, pela preocupação com o ambiente e até como treinamento para esportes em trajetos mais longos.

Essa tendência só não cresce mais por alguns obstáculos. O principal deles é a atitude perigosa de alguns motoristas de veículos motorizados, que chegam a causar vítimas em acidentes recentes. Mas também faltam a integração com o transporte coletivo, os pontos seguros para deixar a bicicleta durante outras atividades e a ampliação da ideia única de ciclovias também para ciclorrotas de convívio.

O Pedala Jundiaí é um dos grupos desse movimento que, a partir das bicicletadas, tem cerca de dez anos de atuação na cidade em torno da ideia de que os caminhos são feitos por quem usa e que ciclistas, como pedestres, precisam ser parte da vida cotidiana. O novo Plano de Mobilidade em elaboração na Prefeitura e o mapa da rede cicloviária previsto na lei 8.683, do Plano Diretor, são oportunidades para reduzir obstáculos.

E cabe também aos representantes na Câmara Municipal ouvirem os grupos e pessoas envolvidos. É preciso cobrar a aplicação do percentual previsto para as bicicletas no Fundo Municipal de Desenvolvimento Territorial e também sua presença no Plano Plurianual, o PPA, que vai definir investimentos nos próximos quatro anos.

Os bicicletários nos terminais de ônibus e parques municipais, a demarcação de ciclovias, a sinalização de ruas de velocidade reduzida e compartilhadas entre veículos e bicicletas e estruturas de estacionamento de bicicletas em serviços públicos e particulares são meios para ampliar uma cidade ciclável.

A educação, o turismo, a cultura, o trânsito e o meio ambiente são algumas áreas que estão relacionadas com esse tema. A própria economia local, com seus pequenos estabelecimentos como padarias, quitandas e outros, é estimulada diante das redes gigantes pelos trajetos de curta distância.

Estamos olhando assim, ao mesmo tempo, para nosso passado e nosso futuro. Mas para isso precisamos avançar além dos bons slogans como “mais amor, menos motor”. Precisamos de políticas públicas inovadoras e viáveis, ouvindo os diversos usos de quem pedala. Essa é a reivindicação dos grupos de ciclistas de Jundiaí”.

 

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