Construção de adutora deixa buracos sem asfalto e sinalização

A DAE SA, empresa responsável pelo abastecimento de água e coleta de esgoto em Jundiaí, está instalando a primeira adutora de grande extensão através do método não-destrutivo. A obra faz parte do Programa de Ampliação da Rede e vai ampliar a oferta de água bruta para o Distrito Industrial, que passará a receber mais 550 litros de água por segundo.

A vantagem do método, segundo o diretor presidente da DAE SA, Wilson Roberto Engholm, é não ter que quebrar o pavimento asfáltico para a instalação da adutora, principalmente nestes trechos de grande circulação de veículos, como as rodovias. “Também traz benefícios para o meio ambiente”, diz. “A interferência é mínima.”

Sem dúvida o método é menos invasivo do que o tradicional, onde a empresa tem que abrir valetas, assentar os canos e depois fechar. Mas o que está acontecendo desde o início da obra em maio, de fato, é que os buracos deixados para a passagem das tubulações foram tapados apenas com terra e não há qualquer sinalização no local.

Na avenida Antonio Frederico Ozanan, próximo da Unip, recentemente um caminhão atolou dentro de um desses buracos e toda carga teve que ser removida para que ele fosse retirado do local. Em frente ao posto Ipiranga da marginal da interligação Via Anhanguera – Estrada de Itatiba há uma grande “bolha” no asfalto consequência da passagem da tubulação.

A área é de intenso tráfego de caminhões pesados e está sem sinalização.

Oficialmente, a DAE SA informa que esse é o procedimento normal: o buraco é aberto, executa-se o serviço e depois é fechado com terra no mesmo nível do asfalto. Somente depois é feito o acabamento asfáltico.

Neste caso, especificamente, o buraco está apenas com terra porque será aberto novamente para a instalação da luva de eletrofusão, em PEAD (Polietileno de Alta Densidade), informa a DAE.

Em casos como este a DAE informa que acompanha a movimentação do terreno e completa com terra sempre que necessário.

A empresa afirma ainda que a obra é de responsabilidade da DAE e que segue normas de segurança para evitar problemas com seus funcionários e motoristas.

Mas, na verdade, a sinalização no local é precária e nem sempre os trabalhadores usam equipamentos de segurança, como pode ser visto pela foto de abertura, onde um funcionário usa uma britadeira, no meio da rua, sem protetores de ouvido ou capacete.

A adutora, com 7.200 metros de extensão, sai da Represa 1, cruza a rodovia Vereador Geraldo Dias, Parque da Represa, encontra a Via Anhanguera, passa pela avenida das Indústrias, atravessa a Rodovia dos Bandeirantes e chega até a avenida Prefeito Luiz Latorre.

Por este método não-destrutivo, a cada 190 metros, no mínimo, são abertos pontos onde mergulha-se os tubos de PEAD (Polietileno de Alta Densidade), de 630 mm, interligados um ao outro por termofusão.

Método não destrutivo

O método não destrutivo é utilizado em obras da DAE, sempre que possível. Atualmente é aplicado em quatro travessias de rede de esgoto na rodovia Engenheiro Constâncio Cintra, na rodovia Hermenegildo Tonoli, na transposição da rede de esgoto nas rodovias Anhanguera e Bandeirantes e na instalação do interceptor de esgoto do córrego do Cecap. Também é aplicada na instalação de sifões (travessia em cursos d’água).

A primeira obra de adutora feita por este método foi a instalação de um trecho entre a Rua Barão de Teffé, cruzando a avenida Jundiaí, até a Manoela Lacerda de Vergueiro. “Foram 200 metros de obra, mas sem intervenções que ocasionassem, por exemplo, problemas no trânsito”, explica o gerente de obras de água e esgoto, Valter Maia.

Segundo ele, esse método tem muitas vantagens, mas não pode ser utilizado em todos os lugares, por conta de vários fatores, entre eles, a interferência de elementos pré-existentes como redes de água, de esgoto, de gás, de águas pluviais e linhas telefônicas.

É o caso da região mais antiga da cidade, o Centro da cidade, onde é necessário retirar o pavimento para poder realizar a obra. “Como são redes muito antigas, precisamos abrir o pavimento para saber o que vamos encontrar.”