Dia mundial sem carro? Eu não. Porque desisti de andar de bicicleta por aqui

Dia 22 de Setembro costuma ser celebrado por alguns como o Dia Mundial sem Carro, uma forma de lembrar pra quem tem carro que carros são poluentes, barulhentos, contribuem para o aquecimento global e essas coisas todas.

Ano passado eu estava na avenida 9 de Julho pedalando por uma ciclofaixa provisória implantada pela Prefeitura. De noite, muitos ciclistas esportivos, essa turma dos night-bikers e suas roupas coloridas, pelalou por ali.

Mas foi só.

O que eu imaginava seria um primeiro passo para a implantação de alguma ciclofaixa, ciclorrota ou ciclo qualquer coisa na cidade ficou por ali mesmo. Pra não dizer que não foi nada, o plano cicloviário foi incorporado ao Plano Diretor. Algo bom. Mas algo futuro. Quem sabe?

Este ano só me lembrei do Dia Mundial Sem Carro de noite. E já havia usado o carro durante todo o dia. Não vi qualquer movimentação diferente da habitual. Ciclistas? Alguns.

Definitivamente, andar de bicicleta em Jundiaí? Tô fora. A cidade não dá a menor importância para este assunto. Isso percebi durante o ano. E quando se compara ao que foi feito em São Paulo e Santos então, nem tem como.

Santos já tem ciclovias faz um tempão. A administração atual não apenas reformou muitas delas, como construiu novas em todos os canais. Hoje é possível ir pra praticamente qualquer lugar na cidade usando uma ciclovia.

E São Paulo, onde já andei de bicicleta no meio do trânsito, por ruas e avenidas e calçadas, conseguiu implantar mais de 300 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. O que vai ser depois das eleições não se sabe, mas o fato é que algo novo foi implantado por lá.

Mas Jundiaí continua na mesma.

Entra ano sai ano, entra prefeito sai prefeito e a coisa é sempre a mesma. Planos, ideias, quem sabe algo? Mas de prático muito pouco. E quem usa bicicleta continua tendo que enfrentar um trânsito muito perigoso.

O trânsito da cidade é realmente terrível. Nem de moto tenho tido vontade de andar por aqui. Dá medo.

Gosto muito de escrever a respeito de mobilidade, de mudanças climáticas e soluções para o futuro. Lindo ver como outros países (e cidades) encontram soluções inteligentes para o deslocamento das pessoas.

Muita gente fala disso.

Mas fala quando está por lá, viajando. Ciclovia é lindo em Nova Iorque e Estocolmo ou Londres. Por aqui, nem pensar.

No máximo um rolê de bike esportiva em grupo pelas estradinhas rurais que ainda restam no entorno da cidade ou uma pedalada registrada pelo Strava e compartilhada via Facebook.

Mas aquela coisa de pegar a bike de manhã e ir pro trabalho numa ciclovia, fazer o que é preciso no dia sem usar o carro, isso não vejo.

E, obviamente, estou falando apenas desses 20% privilegiados que têm carro. Pros 80% restantes é sempre dia mundial sem carro.

A alternativa desse povo todo é o transporte coletivo, outro assunto meio de segunda linha quando se trata de desenvolvimento urbano. O sistema de ônibus, por exemplo, já é a cara da exclusão, pois não funciona de noite.

Ou seja, quem mora no Almeirinda Chaves está automaticamente excluído de qualquer evento na cidade depois das 11 horas da noite. A menos, é claro, que tenha carro.

É algo semelhante aos muros de condomínios fechados, só que não dá pra ver se não pensar a respeito. Mas é muro do mesmo jeito. Exclusão.

E dá pra imaginar a bicicleta como alternativa de transporte numa cidade tão espalhada como essa? Talvez, se alguém tivesse tido a capacidade de trazer pra cá um sistema de bicicletas compartilhadas. Com isso, a pessoa poderia vir de ônibus até algum terminal e completar a viagem de bicicleta.

Seria. Poderia.

Mas não rola. Não rolou. E nem vai rolar. Não tem um querer nisso. Não é assunto prioritário.

E diante da realidade, eu é que não vou arriscar meu pescoço andando de bicicleta pelas ruas esburacadas e avenidas.