MRS avalia impacto do pacote de logística do governo

A direção da A MRS Logística, concessionária que controla, opera e monitora a Malha Sudeste da Rede Ferroviária Federal, disse nesta quinta-feira (16) que ainda não avaliou os impactos do pacote de concessões de transporte anunciado pelo Governo Federal. O pacote de concessões de transporte afeta especialmente o setor ferroviário em Jundiaí, onde a MRS Logística é a responsável pelas operações de carga. O que atinge diretamente as operações da empresa é a construção do tramo Norte do ferroanel, o primeiro a ser construído, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, cujo modelo de negócio ainda não está fechado. O projeto deverá ser feito, segundo o Governo Federal, por meio de Parceria Público Privada (PPP) seguindo pela regra das novas ferrovias brasileiras, que separa a infraestrutura da operação. Isso significa, segundo o jornal, que o governo federal construiria o Ferroanel e abriria a malha para o uso de vários operadores. Mas esse assunto ainda está em negociação, já que envolve trecho sob concessão da MRS Logística. Além disso, a empresa administra o sistema de cremalheira para descer a serra até Santos. Até o momento, a MRS Logística, disse apenas estar em linha com a posição da ANTF, Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, que recebeu com entusiasmo o anúncio, que prevê investimentos de R$ 91 bilhões em novas malhas ferroviárias. De acordo com a ANTF, a participação do governo, com R$ 56 bilhões nos próximos cinco anos, será um grande reforço aos investimentos de R$ 30 bilhões já feitos pelas concessionárias de transporte ferroviário de cargas nos primeiros quinze anos de concessão. Segundo o especialista em regulação e assessor da superintendência de serviços de transportes de cargas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Francisco Gildemir Ferreira, o tramo Norte é o trecho com maior potencial de transporte. Quando concluído, disse ele ao O Estado de S. Paulo, será responsável por 90% da demanda do Ferroanel. De acordo com as projeções, esse trecho movimentará cerca de 40 milhões de toneladas de carga até 2040, sendo 24 milhões com destino a Santos. Para a ANTF, as obras como o Ferroanel de São Paulo vão contribuir para a maior agilidade no escoamento de nossos produtos para a exportação e para o próprio mercado interno. A ANTF afirmou em nota que juntamente com suas Associadas, responsáveis pela operação de 94% das malhas existentes no Brasil, explica que estará acompanhando com atenção os detalhes da operacionalização do novo programa. “Nesse sentido, temos certeza de que o Governo Federal valoriza a participação das empresas nas atividades de infraestrutura. A experiência acumulada desde o início do modelo de concessões, em 1996, com resultados extremamente significativos como o aumento de 111,7% na movimentação de cargas nas ferrovias brasileiras, permite-nos confiar plenamente em um crescimento ainda maior, a partir do planejamento integrado dos diversos modais de transporte”. Na foto de abertura, o pátio de manobras em Jundiaí. Por Oa.