O que Jundiaí pode aprender com Portland sobre mobilidade

O portal Eu Vou de Bike publicou recentemente uma interessante reportagem a respeito da cidade de Portland, nos Estados Unidos, uma das poucas cidades norte-americanas a optar por um plano integrado de transportes.

Portland, como afirma a reportagem, é um ótimo exemplo de cidade que se preocupa com a bicicleta como meio de transporte. E essa preocupação não surgiu de um dia para outro, ela veio se consolidando ao longo dos últimos 30 anos. Ou seja, independente do prefeito no cargo, a política pública relacionada à bicicleta não foi alterada.

Jundiaí pode, com certeza, aprender com Portland.

Para mostrar como foi a implantação de vias cicláveis – ciclofaixas, ciclovias, ciclorrotas – na cidade, o site Bike Portland divulgou um mapa animado mostrando a construção dessas vias ao longo do tempo.

No vídeo abaixo, as vias rosa mostram as vias que estão fora do sistema viário (parques, trilhas, etc). As vias verdes são os chamados ‘bike boulevards‘, um tipo de rua com certas restrições para veículos (algo parecido com a ideia de ciclorrota). As vias azuis são as ciclovias e ciclofaixas.

Fica bem fácil de perceber o quanto a cultura da bicicleta evoluiu por lá.

Portland’s growing bike network from Spencer Boomhower on Vimeo.

A cidade, que tem 500 mil habitantes, conta com cerca de 15 mil pessoas que se locomovem exclusivamente usando a bicicleta, um número ainda pequeno, mas impressionante se considerarmos a cultura das cidades americanas, exclusivamente voltada aos carros.

Portland, digamos, é um pouco maior que Jundiaí. É possível comparar.

De acordo com a Bicycle Transportation Alliance, uma organização que incentiva o uso de bicicleta em Portland, cerca de 2,1 milhões de quilômetros são rodados mensalmente pelos ciclistas da cidade.

O que explica essa predisposição à bicicleta em um país que sempre priorizou os veículos?

Além de Portland não ser muito grande, o que ajuda nas locomoções de bicicleta, a cidade conta com uma infraestrutura espetacular para os ciclistas. Paraciclos em cada esquina, estações de aluguel de bicicletas, ônibus que levam as bicicletas em racks instalados na frente do veículo, limite de velocidade reduzido na maioria das ruas. Além de, é claro, a implantação da massa cicloviária que você viu no vídeo acima.

Algo parecido por aqui?

Ou seja, a cultura da bicicleta pode muito bem ser criada em uma população que não estava acostumada com a bicicleta como meio de transporte. Basta dar estrutura e segurança para o ciclista, que a demanda reprimida sairá às ruas para pedalar.

Isso é bem fácil de perceber em Jundiaí quando, aos finais de semana, milhares de pessoas se aventuram pelas ruas, trilhas, na ciclofaixa da Luiz Latorre (por que não na 9 de Julho, a icônica avenida jundiaiense?) e na ciclovia que liga o Jardim Botânico ao Parque da Cidade.

De segunda a sábado, no entanto, a cultura da bicicleta em Jundiaí está restrita a quem usa a bicicleta porque não tem outra opção e não por quem opta por um transporte mais saudável.

No vídeo abaixo um pouco mais sobre a bicicleta na cidade de Portland. Como diz o vídeo, “o jetpack já existe. É a bicicleta. Nós somos uma cidade de 20 minutos. Nenhuma loja de donut é longe o bastante. Todos os horários de compromissos são fáceis de ser cumpridos”.

Roll On, Oregon from Bicycle Transportation Alliance on Vimeo.

Em Jundiaí, o movimento Bicicletada elaborou em 2009 um Plano Cicloviário para a cidade que tinha como objetivo apresentar metas que proporcionassem aos ciclistas mais segurança e estrutura, tanto educacional como viária.

Segundo o site do movimento, após reuniões na Prefeitura Municipal para a apresentação do plano e discussão sobre melhorias no transporte público das vias para que os ciclistas pudessem trafegar com mais segurança pela cidade, foi divulgado à população um mapa contendo as rotas que deveriam ser beneficiadas com ciclovias nos próximos anos.

De fato, desde então, pouco foi feito no sentido de se criar uma cultura a bicicleta como meio de transporte. O próprio movimento Bicicletada em Jundiaí tem pouca representatividade, sem força para pressionar o poder público. O Plano Cicloviário continua a ser uma carta de intenções.

Plano Cicloviário


Visualizar Plano Cicloviário em um mapa maior

Na foto as faixas exclusivas para bikes em Portland. Solução simples.

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