Os dois primeiros parklets privados são regulamentados pela Prefeitura

Os dois primeiros parklets privados foram aprovados pela Prefeitura. Um deles, projeto do arquiteto Pier Paolo Bertuzzi Pizzolato, será instalado na rua Prudente de Moraes, 1287, em frente ao Ateliê Lelê da Cuca,  e outro, projeto do arquiteto Thomaz Sacchi, na rua Barão de Teffé, 300.

A regulamentação dos dois parklets foi um dos últimos atos da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente na gestão Pedro Bigardi e integra o projeto de urbanismo caminhável. No site da Prefeitura há um passo a passo de como interessados podem aprovar a instalação de parklets privado na cidade.

“O processo é muito simples, basta seguir as instruções do site”, disse a arquiteta Alessandra (Lelê) Mattos, do ateliê Lelê da Cuca, que esteve na Prefeitura na tarde desta terça-feira, 3, para retirar a documentação do parklet.

Segundo Lelê (foto), a Prefeitura exigiu que o parklet tivesse um paraciclo e acesso a cadeirantes.

“Fizemos uma reforma de uma parklet que ganhamos do ativista do urbanismo caminhável Lincoln Paiva.

O arquiteto Thomaz Sachi explicou que esse foi seu primeiro projeto de Parklet, mas espera que venham outros.
 
“Como arquiteto e urbanista, sempre gostei muito do conceito. Via por São Paulo alguns que chamavam bastante a minha atenção. A ideia de deixar os espaços públicos mais humanos me anima muito, e é exatamente isso o que um parklet faz: cria convivências”.
 
Sachi explica que quando aconteceram os primeiros estudos para os parklets da Prefeitura no centro de Jundiaí ele participou de uma oficina na  frente do Glória Rocha.
 
“Estavam discutindo sobre como isso seria inserido na cidade. Desde então já comecei a imaginar mil lugares aonde isso poderia funcionar da melhor maneira. Fui atrás do primeiro proponente na Barão de Teffé e ele já topou. Conversamos com um patrocinador, também. Ele já será instalado agora no final de Janeiro e início de Fevereiro”.
 
Segundo o arquiteto, este será o primeiro parklet totalmente produzido em Jundiaí, desde o material até a mão de obra.
 
“Na parte de trás do parklet criamos um mosaico com maderia de demolição, o que deu uma cara muito legal para ele. Ele terá bancos, mesinhas, paraciclo, plantas e um mural. É bom tanto para os estabelecimentos ao redor quanto para a cidade, uma vaga de carro que é substituída para dar espaço para tantas outras coisas”.
 
Thomaz Sachi montou uma equipe especializada e espera realizar novos projetos em breve.
 
“Estou focando parte do meu tempo para isso. Já tenho parceiros e uma equipe toda montada para produzir parklets de acordo com o que o proponete sugerir. Também já estou por dentro de toda a legistação e dos caminhos para a aprovação do mesmo na prefeitura. Será bom para todos”.
 
Parklet é uma oportunidade de discutir o espaço público
 

 Lincoln Paiva doou o parklet que foi restaurado e será implantado em frente ao Ateliê Lelê da Cuca. Ela falou sobre a iniciativa e da importância dos parklets para uma cultura mais humana.

Essencialmente um parklet é uma oportunidade de discutir o espaço público e com ele a questão sobre o direito a cidade.

Vivemos numa sociedade que transforma cidadãos em consumidores ou em suspeitos.

Explico: O modelo de urbanismo atual vem segregando a cidade, construindo muros, separando as pessoas.

Condomínios que criam espaços homogêneos, as pessoas não sabem conviver com o diferente ou com as diferenças, relegou a rua para os pobres e os espaços privados para os ricos.

Então um pedestre que passa em frente a um condomínio é logo tratado como suspeito.

A classe média deixou de andar na rua, tem medo, não convive e tão pouco deseja conviver, existe uma indústria do medo que colocou a classe média como refém e assaltou a urbanidade, isto é, matou a cidade .

O resultado disso é que aceitamos que uma pessoa possa deixar o seu carro particular na rua, mas não aceitamos que a cidade tenha locais de convivências ou bancos para sentar, logo alguém diz que usar o espaço público é privatizar.

A cidade é toda privatizada, é toda negociada… é preciso criar mecanismos de discussão sobre esta questão, é preciso fazer com que o morador do condomínio ande na rua e descubra que este espaço é dele, que pedestre não é suspeito e que a cidadania não é exercida no Facebook e sim caminhando na rua, se conectando com a cidade e seus problemas… existe um bem maior do que o indivíduo e que a cidade melhora quando é pensada pela coletividade.

O parklet em si, não é uma solução urbana, é um ponto de reflexão… é colocar uma intervenção urbana no caminho das pessoas.

Dá pra fazer um parklet num lugar convencionalmente usado para o carro? Dá para fazer outras coisas? Da para alargar calçadas e criar outras alternativas mais permanente como jardins de chuva.

O parklet é só um pretexto para discutir a cidade”.

Parklet testado em 2015 na rua do Rosário

Os primeiros “parklets” da cidade surgiram em 2015 pelo projeto-piloto Urbanismo Caminhável nas ruas do Rosário e Barão de Jundiaí, ambos próximos à rua Coronel Leme da Fonseca, que teve oficinas e debates especializados sobre a melhoria do conforto do desenho urbano para os pedestres.

O projeto piloto foi desenvolvido pela Zoom Urbanismo Arquitetura e Design.

Foi a primeira cidade média do Brasil a testar esse tipo de equipamento, já presente em capitais, que da fase experimental coordenada pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente passa agora a ser parte da legislação.

De acordo com estudos internacionais, medidas de apoio ao conforto de pedestres aumentam o movimento de comércio local, a segurança do ambiente urbano e também a qualidade do convívio entre pessoas.

Jundiaí regulamenta construção privada de parklets

O município de Jundiaí regulamentou, pelo decreto municipal 26.524, os procedimentos de instalação e uso de extensão temporária de passeio público (denominada “parklet”) para requerimento de pessoas físicas ou jurídicas ou mesmo em iniciativas da própria administração municipal.

A implementação de “parklets” (espécie de micropraças) cria plataformas instaladas sobre uma ou duas vagas de estacionamento de veículos, ampliando a calçada, e deve indicar em local visível que são espaços públicos acessíveis a todos.

O manual de instalação acompanha o decreto e também a forma de apresentação das propostas para aprovação da Prefeitura de Jundiaí.

O decreto está publicado nas páginas 12 a 23 da edição da Imprensa Oficial de 8 de junho de 2016.

 

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E não é que finalmente o parklet chegou à cidade?
Vamos fazer Ruas Atrativas para as Pessoas
Um exemplo de Vancouver. Que tal algo assim por aqui?