Ruas compartilhadas é mensagem do manifesto de ciclistas

Alguns postes no caminho entre a avenida Nove de Julho e a Estrada do Varjão amanheceram na segunda-feira (7) com placas simulando aquelas de trânsito e eram formadas pela silhueta de um automóvel acima, a frase “compartilhe a via” no meio e uma silhueta de bicicleta na abaixo. As placas temporárias, criadas com a reciclagem de discos de vinil por ativistas e simpatizantes do movimento Pedala Jundiaí, mostram que o crescente número de usuários de bicicletas também enxerga o reforço na educação dos motoristas como uma necessidade imediata ao lado da (sempre futura) rede de ciclovias. Foram colocadas pelo mesmo grupo de pessoas que seguiram pedalando para instalar mais uma “ghost bike” (ato mundial de protesto) no local onde morreu atropelado por um carro o ciclista Daniel Souza, de 17 anos. As vias compartilhadas sugeridas, usadas em diversas cidades do mundo, são uma sinalização onde motoristas saibam que devem prestar mais atenção aos ciclistas e pedestres porque as ruas não servem apenas para carros. Mesmo que pareça difícil em uma cidade que nem sempre respeita os limites de velocidade de 40 ou 30 km/h (quilômetros por hora) das vias locais usadas nas ciclorrotas informais das bicicletas. Na saída da manifestação, no início da avenida Luiz Latorre, os participantes lamentavam que diversos casos ocorridos recentemente, com morte ou danos graves a ciclistas, os condutores de veículos não tenham sido punidos – ou, em pelo menos um deles, nem ao menos identificado. Uma das expectativas é sobre medidas inteligentes no futuro plano de mobilidade urbana em andamento na administração da cidade. Um dos aspectos apontados pelos participantes é a confusão geralmente feita por quem não usa esse meio entre ciclistas urbanos do cotidiano e ciclistas de lazer. Ambos são importantes, mas com práticas diferentes. O próprio domingo (6), onde o inverno abriu um dia de sol, mostrou um bom número de outros ciclistas usando a ciclovia de lazer entre Jardim Botânico e Parque da Cidade ou nas rotas rurais. A mudança não é na disputa de bicicletas contra carros. É exatamente superar a disputa rumo ao convívio civilizado entre bicicletas e carros, onde quem oferece o maior risco tome também o maior cuidado.