Um jovem, ciclista, morreu aqui. Daniel Souza, 17 anos

Um jovem, ciclista, morreu aqui.
Daniel Souza
17 anos
Em Jundiaí
Julho/2017

Por Flavio Gut

Mais um vez um grupo (pequeno) de ativistas foi cumprir seu ritual de colocar um bicicleta fantasma (ghost bike) no lugar onde outro ciclista perdeu sua vida em um acidente contra um carro. Em geral tem sido assim. Neste domingo (6) pela manhã, no Varjão.

A vida de quem anda de bicicleta, na real, tem pouca importância. E são milhares na cidade. Diariamente, silenciosamente. Sejam eles ciclistas eventuais, esportivos ou que usam a bicicleta no seu dia-a-dia. Em comum, eles têm a invisibilidade.

Ciclistas, desde que não sejam filhos e parentes, não são percebido por caminhões, ônibus, automóveis (especialmente esses gigantes da moda entre os que estão podendo) e nem mesmo por motocicletas, sempre apressadas e que raramente respeitam um sinal fechado. 

Mas, sobretudo, e lamentavelmente, pelos poderes públicos.

Alguém deve ter notado um grande número de faixas colocadas em lugar estratégicos pela Prefeitura, onde se lê: respeite o ciclista.

Pois é.

Uma faixa que deveria estar na parede do gabinete de quem decide ou não criar uma infraestrutura segura e decente para garantir a segurança de ciclistas. A luta é desigual, profundamente desigual. A bicicleta tem pouca visibilidade, é silenciosa e calma. O trânsito e seus motoristas enlouquecidos não prestam atenção nelas.

Faixas no cruzamento de pouco adiantam quando ciclistas se aventuram pela avenida União dos Ferroviários, por exemplo, onde o relevo é excelente para pedalar, mas a largura da via, a falta de sinalização e o excesso de velocidade a transformam em um local muito perigoso para quem pedala.

Como muitos insistem em pedalar, pois a bicicleta é uma ferramenta de liberdade contra tarifas abusivas de coletivos cujas rotas e horários nem sempre atendem às necessidades dos muitos que se deslocam, o perigo só aumenta. Mais bicicletas e ciclistas, mais riscos.

Este Oa por muitas e muitas vezes já publicou acidentes, com ferimento e morte de ciclistas, sejam eles trabalhadores a caminho das empresas, ciclistas esportivos em treinamento, pedaladores noturnos de vários estilos. 

Em geral, depois do acidente, os ativistas voltam às ruas, colocam mais uma ghost bike, que misteriosamente desaparece em poucos dias, e fim. Fica a dor para as famílias e as placas desbotadas nos cruzamentos. Que respeito é esse, não é mesmo?

É triste ver essa cena se repetindo. A luta entre bicicletas e carros é, repito, desigual. 

Os ativistas do grupo Pedala Jundiaí divulgaram no Facebook uma nota triste:

Infelizmente hoje foi dia de colocação de mais uma Ghost Bike em nossa cidade. Esperamos que o poder público entenda a necessidade urgente de se executar o Plano Cicloviário que foi inserido no Plano Diretor Participativo .

A cidade precisa urgentemente de uma rede cicloviária adequada para a segurança dos ciclistas.

Na real, acredito, a cidade precisa dar mais valor para a vida humana. Reduzir a velocidade das vias e, fiscalizar excesso de velocidade, especialmente de ônibus e motocicletas, e criar uma infraestrutura segura para bicicletas.

Que a família de Daniel Souza tenha forças para superar esse triste momento.