A campanha já está nas ruas. E na internet também.

O candidato tucano Luiz Fernando Machado e seu vice Antonio Parimoschi são os mais adiantados na divulgação de seu material de campanha, tanto na internet como nas ruas da cidade.

Desde o final de semana, é possível encontrar nas principais vias da cidade cavaletes com a imagem de Luiz Fernando e o atual prefeito Miguel Haddad. A estratégia da coligação “Pra Avançar e Fazer Futuro” é, por enquanto, a mais visível entre os cinco candidatos que disputam a eleição em Jundiaí.

E não apenas nas ruas. Também no Facebook, a dupla tucana saiu na frente. Luiz Fernando e Parimoschi, que já mantinham perfis no Facebook e Twitter, reforçaram a ação, trocando as fotos de abertura da página pelo padrão da campanha e divulgando continuamente o corpo-a-corpo nas ruas da cidade.

O médico Cláudio Miranda e a vice Fátima Giassetti, do PMDB — coligação “Reaja Jundiaí” –, continuam com seus perfis pessoais no Facebook inalterados, ainda sem um trabalho mais aprofundado de marketing na rede social. Mas nesta quarta-feira diversos cavaletes com a propaganda de campanha já podem ser vistos pelas ruas da cidade. Mais discretos que os da dupla tucana, porém.

O candidato Ibis Cruz, do PTN, não tem ainda um perfil no Facebook. Apenas Eginaldo Honório, seu vice, mantém uma página na rede social, mas ainda sem uma ação direcionada para a campanha.

Pedro Bigardi e Durval Orlato, da coligação “Confiança para Renovar”, seguem a mesma estratégia dos tucanos na internet. Ambos alteraram suas fotos de abertura no Facebook pela foto padrão de campanha. E compartilham diariamente as ações nas ruas da cidade via rede social.

Hoje, por exemplo, enviaram para seus seguidores todo o plano de governo. Um plano básico, que ainda será complementado pela participação popular.

O trabalho de Bigardi e Orlato, porém, ainda está no início. E novas ações devem ser elaboradas especificamente para a internet quando a equipe de trabalho estiver completa. Nas ruas, a presença da coligação ainda é discreta.

No PSol, o candidato Vanderlei Victorino, trocou sua foto de perfil pela foto oficial de campanha. E já começa a divulgar o trabalho nas ruas. Seu vice, professor Clóvis, não tem perfil no Facebook.

Internet: uma poderosa ferramenta de transparência

Rodrigo Bandeira de Luna, da ong Cidade Democrática, acredita que o aumento da importância do meio digital nas campanhas segue o crescimento da internet como um todo. Hoje, por exemplo, a internet é o segundo destino das verbas publicitárias do país (só perde para TV aberta) e ainda cresce quatro vezes mais que os outros meios, segundo dados do Internet Advertising Bureau.

Acompanhe essa chat-entrevista onde ele defende o uso da internet como uma poderosa ferramenta para dar mais transparência às eleições.

Rodrigo Bandeira: Minha dúvida, apenas, é quando as pessoas vão acordar verdadeiramente para isso.

Oa: As pessoas ou os políticos?

RB: As pessoas. Os políticos virão a reboque. Tenho impressão de que isso vai acontecer em alguns lugares nessa eleição e, só mais pra frente é que não vai ter jeito. Aí vai ser quando os candidatos vão ter que correr atrás de entender o que o eleitor está querendo pra ver quem melhor responde aos anseios deles.

Acontece nas eleições como no meio publicitário: as empresas estão usando a internet porque é mais barato e mais eficiente, mas os consumidores ainda não estão ocupando esse espaço como poderiam.

Oa: Hoje existe uma discussão latente: deve-se ou não fazer campanha nas redes sociais? Que você acha disso?

RB: Acho que tem que fazer campanha na rede. É um direito. É mais rápido e transparente. É mais barato. Não poder fazer é se manter atrasado. Só se justifica se pensarmos que as estruturas de poder ainda não estão prontas.

Oa: Mais abertura. Mais transparência. É isso?

RB: Isso. Se o candidato escreve na rede, não dá pra apagar. O cara tem que ser verdadeiro e dar conta dos resultados depois. Tem um monte de gente juntando esses dados pra fazer análises depois.

Oa: O que tenho visto é que alguns escrevem e são obrigados a ler a crítica ali mesmo num comentário do site ou no Facebook.

RB: Esse é o x agora. Tem que ter mais verdade. Tem um outro aspecto, no entanto. Na minha opinião, essa é a questão: a sociedade está madura pra isso? Quem é que está entravando? Tem que desarmar as campanhas. Os caras tem que sair a rua mais abertos.

Oa: Pelo que tenho visto aqui, as campanhas mais bem estruturadas já caminham na frente, enquanto outras ainda nem tem uma ação pouco definida para a internet. Esse conhecimento em rede é, talvez, um divisor de águas tão importante quando a capacidade financeira de um candidato. Seria isso? Afinal, dinheiro é sempre importante, mas a capacidade de trafegar na rede com transparência e competência surge como um outro ponto fundamental.

RB: A questão do dinheiro não muda, mas diminui a barreira para um pequeno entrar. Além disso, também possibilita o que é mais importante: que a boa informação seja apurada e difundida com mais velocidade e para mais gente. O desafio aí e o de construir redes de confiança, de amigos que falem menos besteira, que chequem as fontes e se preocupem com seriedade dos assuntos que importam. O grande lance é deixar de ser o fla-flu “quem vai ganhar a eleição”.

Oa:Porque não é só a rede. É a qualidade da informação que circula nela…

RB: Quem tem que ganhar é a sociedade elegendo o que melhor pode fazer aquilo que a sociedade quer que seja feito.

Oa: Como uma pessoa pode se certificar de que a informação que circula na rede é correta? Esse é um grande desafio hoje também.

RB: O cara tem que se preocupar em estar próximo de pessoas que não embarquem em qualquer bobagem. É um amadurecimento.

Oa: Boas fontes, né?

RB: Sim! Uma nova teoria da evolução em que os perfis nas redes vão começar a ser selecionados de acordo com a forma como lidam com a informação. Já está no hora de deixarmos de fazer papel de bobo babando ovo ou achincalhando sem motivo candidatos. O que falta, pra mim, é a referência. Uma referência de realidade. De verdade.

Oa: Eu estou experimentando algo interessante aqui em Jundiaí. Há muito boato. Muita informação parcial ou inverídica. Histórias com pouca ou nenhuma apuração. Então o que circula passa a ser uma quase verdade, mesmo que não seja….

RB: O que está em jogo é o futuro da sociedade e não de um político. O foco está errado e vai mudar com as redes.

Oa: E incorporar a política como parte fundamental da vida. Se existem despreparados no poder a culpa é nossa.

RB: Total! Falta apurar a verdade, se conectar com o que rola. Todo mundo vê novela e acha que a vida é isso. Nao é.

Oa: Aos poucos, com seriedade, é possível construir um ambiente de credibilidade. E seriedade.

RB: Correto! Não dá pra falar mal deles se a gente nem sabe o que quer ou o que fala e espera um salvador que, como milagre resolva os problemas que nem sabemos que temos ou nem sabemos como resolver.