“A habitação não pode ser encarada como impacto negativo”, diz Proempi

Com o projeto do novo Plano Diretor nas mãos dos vereadores, os setores da sociedade que consideram que o Plano não será tão bom para eles ou que não será tão bom para Jundiaí, estão se movimentando.

Todos querem ser ouvidos pelos vereadores na esperança de que eles interfiram no projeto, que já foi amplamente discutido durante mais de dois anos.

E não são apenas as pessoas que estiveram distantes das discussões. Delegados do Plano, que participaram ativamente do processo, questionam os artigos aprovados pela maioria dos delegados.

O presidente da Proempi (Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região), Márcio Vioti, critica diversos pontos do Plano.

“O tempo de discussão foi insuficiente. A cada nova nova leitura, descobrimos questões que precisam de respostas”, diz ele.

Entre as consequências do Plano ser aprovado como está, ele destaca o encarecimento de todos os produtos imobiliários: terrenos, imóveis residenciais e comerciais.

O presidente da Proempi também tem dúvidas com relação à maneira como o estudo de impacto de vizinhança está no Plano Diretor.

“Muitas vezes, a verba é usada para resolver impactos que não são daquele empreendimento em questão”.

Sobre a preocupação com os mananciais, Vioti não discorda, mas questiona a ampliação da zona rural.

“Nos últimos 40 anos, a agricultura vem diminuindo e o agricultor não consegue mais viver da terra. Diante desta dificuldade, divide a terra entre a família e cria loteamentos irregulares. A transformação de uma área em rural deve vir acompanhada de uma política forte e viável de subsídio. As pessoas precisam de incentivos para se manterem no local”.

O novo Plano cria um fundo para incentivar o desenvolvimento da cidade, inclusive da zona rural mas, para o presidente da Proempi, não será suficiente. “Os objetivos são ambiciosos e importantes, mas arrecadação que o fundo teria seria insuficiente para tantos objetivos criados”.

Outra crítica, é que o Plano não contempla todos os setores da sociedade.

“O plano tem muito de intenções e pouco de incentivo. Seria necessário que ele desse a mão para os empresários de todos os setores”.

Um dos pontos mais discutidos do Plano são as mudanças previstas no Vetor Oeste, que limitam as construções para preservar os mananciais.

“O Vetor Oeste foi eleito pelo setor da construção civil como um lugar de crescimento da cidade. Hoje, temos condições de usar o conhecimento e a tecnologia para garantir que os empreendimentos mantenham a permeabilidade do solo”, explica Vioti.

Para o presidente da Proempi, o Plano, como está, não vai garantir o crescimento da cidade.

“Nós estamos na região mais rica do país, cabe a nós organizarmos, mas criar restrição não organiza. O crescimento tem que ser ordenado e não interrompido. A habitação jamais deveria ser encarada como impacto negativo”.

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