Afinal, prefeito Pedro Bigardi, qual é o plano?

Depois de pouco mais de dois meses no comando da Prefeitura, Pedro Bigardi já se sente com o controle da situação.

Apagou alguns incêndios de início de mandato, como a realização da Festa da Uva e do Carnaval, apontou falhas da administração anterior e fez uma mini-reforma administrativa.

Criticado por alguns antigos aliados por ter dado espaço demais para figuras da antiga administração e repetir práticas condenadas por ele mesmo durante seu tempo de oposição, Bigardi se defende e diz que é preciso fazer política para governar.

Diz que considera as críticas “injustificadas”. E que compor é parte do jogo político.

Seu maior desafio, segundo ele mesmo, é “manter a unidade de governo” e por isso usa sua força de comunicação para conversar com funcionários públicos, secretários, apoiadores e até adversários.

Esta semana, Pedro Bigardi recebeu o Oa para uma entrevista exclusiva em seu gabinete no oitavo andar do Paço Municipal.

Engoliu seco algumas vezes, mas respondeu a todas as perguntas com aparente tranquilidade.

A grande questão é: passados os primeiros dois meses, qual a cara dessa administração? O que Pedro Bigardi e sua equipe pretendem, de fato, para a cidade?

Afinal, prefeito, qual é o plano?

Prioridade número 1 de Bigardi é a conservação da cidade

Desde que assumiu a Prefeitura em 1º de janeiro, Pedro Bigardi desenvolveu o hábito de rodar a cidade para ver como andam as obras ou o que é preciso ser feito. Geralmente faz isso pela manhã acompanhado apenas pelo motorista.

Talvez por isso mesmo, sua prioridade número 1 seja a conservação da cidade.

“Dos 24 projetos eleitos como prioridade durante a reunião de planejamento estratégico, a conservação da cidade é o projeto número 1”.

[Durante a reunião de planejamento estratégico realizada no dia 1º de março com todo o primeiro escalão do governo, 140 projetos que estavam no Plano de Governo elaborado durante a campanha foram definidos para serem executados, e deste total 24 terão atenção especial pela complexidade no seu desenvolvimento].

“Cidade limpa. Cidade bem sinalizada, pavimentação correta. Tudo o que se refere ao mobiliário urbano. A cidade tem que estar legal. Estar agradável. E quando eu falo conservação é a cidade estar bem, independente de coisas novas”.

Isso é conservar o que já tem?

“É Isso. Praças bonitas. Não é só deixar arrumado. É deixar bonito. Temos que trabalhar essa questão da estética, da funcionalidade, da limpeza”

Mas todos esses projetos vieram do Plano de Governo?

“Do plano de governo. Exatamente o que está lá. Vai desde a construção do novo hospital até o prolongamento da avenida Samuel Martins até a avenida 14 de dezembro. E assim vai”.

Bigardi definiu um gestor por projeto e uma equipe ligada ao gabinete que será responsável pelo acompanhamento de cada um deles. Com um mapa em seu computador, pretende acompanhar cada cronograma diretamente.

Por que uma equipe para acompanhar projetos? Isso não poderia ser feito por cada uma das secretarias envolvidas?

“Porque a gente elabora prioridades, só que a burocracia toma conta delas. E aí você fica refém dessa burocracia. E se você não acompanhar passo a passo o que está acontecendo a gente se perde”.

Aí não tem um outro aspecto? Ao que parece, existe um certo desbalanceamento da equipe. Há gente mais esperta. Gente mais lenta. Pessoas que já foram de governos. Outras que nunca estiveram no governo.

“Normal. E isso é bom”.

Então, esse tipo de gestão por projetos não é tipo uma vacina anti-lerdeza?

“É”.

E como vai ser esse acompanhamento?

“Não andou? Por que não andou? Tá faltando documento? Então vamos buscar. Como está em Brasília? E aí é um ponto que percebi em Brasília e São Paulo também. Há prazo pra apresentar projeto, protocolar. Se você perde o prazo, acabou”.

“Essa equipe vai acompanhar isso: verbas parlamentares, verbas do governo federal, estadual”.

Bigardi usou o mesmo tipo de estrutura quando foi secretário de Obras da Prefeitura de Campinas.

“Em Campinas eu tinha uma equipe de três pessoas que ficavam o tempo inteiro olhando para onde havia recursos. O governo federal fala isso: se não houver uma equipe de acompanhamento a gente dança. E adaptamos essa estrutura para o planejamento geral do governo”.

Entre as obras prioritárias Bigardi cita o novo Hospital, as Unidades de Pronto Atendimento, o Instituto Federal que, segundo ele, vai caminhar para uma universidade pública, o trevo de entrada pela cidade. Além do prolongamento da Ferroviários até Várzea Paulista e duas praças da juventude.

Bigardi: Não há projeto para área de transportes

Passados mais de dois meses do início do governo, a mobilidade urbana, um dos grandes problemas da cidade, ainda não recebeu uma palavra firme a respeito dos rumos que serão tomados para resolver o nó do trânsito.

Se em outras áreas prioritárias, como a Saúde e Educação, por exemplo, já existem ações que demonstram a presença do novo governo na administração da cidade, nos transportes ainda há mais dúvidas do que esclarecimentos.

Recentemente, o município conseguiu a liberação de um financiamento de R$ 106 milhões para a implantação de um sistema de BRT (Bus Rapid Transit) pedido pelo governo anterior, mas até agora não ficou claro o que será feito com esse dinheiro.

O próprio Bigardi confessa, porém, que não há um projeto para a área de transportes.

A Secretaria de Transportes está mesmo devagar ou está divulgando pouco o que faz?

“A secretaria de Transportes demorou um pouco para montar sua estrutura”.

E ainda não está completa…

“Mas os dois diretores são duas pessoas muito experientes. E o secretário [Dinei Pasqualini] está com pouca estrutura ainda. Mas fizeram sinalização, atenderam bem na realização de eventos”.

“A Secretaria tem um conjunto de intervenções pequenas (no sentido de investimento) mas que dão um grande impacto no conjunto. Tem umas 40. Só que há um problema jurídico pra poder viabilizar. É uma questão da Secretaria de Administração, da contratação. Não deu tempo ainda”.

E que mais?

“Agora, o problema é projeto novo”.

“Quando se fala em grande projetos, eu vou ser bem sincero pra você: não tem projeto novo na área de transportes. Digo pra você com toda a certeza de quem acompanhou lá de trás o projeto dos terminais”.

Não tem agora e não tinha antes?

“Não tem projeto”.

Mas e esse projeto do BRT?

“Isso que foi pra Brasília (BRT), com sinceridade, quando você pega é um desenho, uma folha. Não tem base. Foi a própria secretaria de transportes que mandou. Não houve uma ação política. O que tinha ali era algo muito incipiente”.

Como assim?

“Jundiaí tem um sistema viário complicado. Quando se fala em BRT, com você vai fazer BRT do jeito que eles pensaram? Vindo da Vila Arens até o Centro? Não dá”.

[O BRT trafega por uma via exclusiva].

Mas se não dá como é que foi aprovado pelo Governo Federal?

“O governo aprovou porque se baseia num pedido, num desejo do município. Não faz um estudo detalhado. Recebe apenas uma carta proposta. Mas da forma como esta não dá pra fazer”.

“O que estamos fazendo agora é um estudo que pense o BRT, na viabilidade dele, de preferência com vias novas, e use parte dos linhões (de transmissão de energia elétrica) como a gente propôs na campanha. Isso está sendo desenhado já (eu já vi o esboço)”.

O mesmo projeto para uso dos linhões de que o senhor falou anteriormente?

“Não, aquele não pode. Porque ele muda completamente o eixo do que foi apresentado para o Ministério das Cidades. Então nós temos essa dificuldade. Agora os técnicos estão fazendo um estudo nesse eixo que foi apresentado e tentando entrar um pouco na nossa proposta”.

Vai ser um mix dos dois?

“É. Com o projeto nós vamos a Brasília negociar com o Ministério das Cidades”.

Mas qual é a lógica do BRT?

“É ligar os lugares de moradias, especialmente do pessoal com renda mais baixa, com os dois pontos de trabalho principais, que são o Distrito Industrial e o Centro. Se a gente consegue fazer essa ligação o BRT tem um sentido. Senão não. Estamos trabalhando nisso agora”.

Quando o senhor fala de moradias, especialmente de pessoas de baixa renda, lembro que a região do Almerinda Chaves, por exemplo, não tem uma estrada municipal que faça a conexão com o Centro. A ligação que existe é por uma rodovia estadual. É possível pensar o BRT ligando essas áreas ao centro prolongando a marginal do Rio Jundiaí.

“É por aí”.

Um BRT numa linha nova beirando o Rio Jundiaí?

“Pode ser que essa seja a alternativa. Pode ser que a gente venha por aí. Mas estamos estudando isso. Agora também vamos ter que ter o convencimento da equipe técnica do Ministério das Cidades e mostrar que os R$ 106 milhões poderão cumprir o papel sem desvirtuar a ideia de transporte coletivo, que é isso que a gente quer.

Esse dinheiro vem através de financiamento ou é fundo perdido?

“É financiamento. Tem que pagar. Não é fundo perdido. A contrapartida inicial é pequena, mas tem que pagar”.

E como fica a conexão do projeto do BRT com os terminais de ônibus que já existem hoje?

“A história dos terminais foi feita errada na cidade. O terminal da Vila Rami não era ali, os terminais do Cecap e do Eloy Chaves não existiam. Terminal na ponta da urbanização não funciona. O terminal tem que estar no meio, entre a ponta da urbanização e o centro (desenha num papel), funciona como alimentação”.

Mas qual foi a ideia inicial dos terminais?

“A pessoa que bolou os terminais pensou: Jundiaí tem um problema lá na ponta: o ônibus demora e todos os ônibus vem para o centro da cidade. Carrega o centro e não tem frequência no bairro”.

“Então o que ele bolou? Você bota o terminal no meio do caminho entre o centro e o bairro. Aí você alimenta o terminal e dali sai o troco alimentado, circula o centro e retorna. Oferece frequência, porque o ônibus vai e volta rapidamente e diminui o número de ônibus que vem para o centro. Era essa a lógica dele”.

“Aí fizeram terminais na ponta, como no Eloy Chaves, no Cecap, do Vila Rami fora de posição. O da Colônia é um terminal bem localizado”.

É unico?

“Da Colônia e Hortolândia. E não tinha um terminal no centro. Porque no centro era lugar de retornar para o bairro. Fizeram o do centro. O projeto dos terminais foi se perdendo na sua execução. Perdeu a lógica”.

E não tem nenhum corredor exclusivo para ônibus.

“Nenhum”.

Trazendo pro dia a dia, como estão as negociações para aumento da tarifa dos transportes públicos?

“Nós não estamos tratando apenas de tarifa. Há uma defasagem já do ano passado. Mas estamos falando em melhores serviços, na tarifa social (R$ 1,00 nos finais de semana segundo a proposta de campanha). Estamos negociando”.

[Bigardi disse também que estuda isenção de impostos para as companhias de ônibus].

“Valor da tarifa é contrapartida”.

Outro assunto que ganha cada vez mais espaço são as ciclovias e facilidades para quem anda de bicicleta. Como isso está caminhando no governo?

“Vivemos o desafio de início de governo. Não temos profissionais para o desenvolvimento de novos projetos. Conseguimos manter o que já está em operação, mas não temos quem desenvolva novos projetos”.

“No caso das creches e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), temos um projeto padrão, mas esse não é o caso das ciclovias. Provavelmente vamos ter que contratar projetos externos”.

Como financiar os 140 novos projetos? Conta difícil

Ao mesmo tempo em que anuncia a execução de 140 novos projetos, entre eles um hospital que custará mais de R$ 100 milhões, o governo Bigardi se vê diante da diminuição da capacidade de investimento do município.

A grande pergunta é: como encontrar recursos para executar as obras prometidas sem comprometer a saúde fiscal?

“Com recurso externos, algum financiamento e a recuperação da capacidade de investimento”, explica Bigardi.

E como recuperar a capacidade de investimento se a arrecadação vem caindo?

“Com a diminuição das despesas de custeio (a gente já está nesse processo) reduzindo cargo em comissão, horas extras (aquilo era um abuso mesmo) e melhor utilização dos processos de administração”.

[Bigardi acredita que apenas com horas extras a redução de custeio será de 50% — ano passado o município pagou R$ 27 milhões em horas extra.]

Mas quando se fala de um novo hospital os valores ficam acima dos R$ 100 milhões apenas para a construção, fora o custeio. Esse dinheiro vem a fundo perdido?

“Uma parte é dinheiro do Ministério (fundo perdido) e outra parte financiamento. Mais de R$ 100 milhões”.

“A gente vai se mexer para todo lado para conseguir esses recursos. E os governos fazem pouco isso. Tem um monte de possibilidades. Vou atrás. Não interessa se é PSDB, se é governo do Estado, eu vou atrás”.

E no caso das Unidades de Pronto Atendimento?

[São previstas quatro para a cidade, duas delas em tramitação]

“Na UPA você consegue recursos a fundo perdido e tem aporte do governo federal para custeio também”.

Mas existe aí também a questão do São Vicente, que vai continuar funcionando enquanto as UPAs e o novo hospital não ficam prontos. E ele tem um alto custo.

“No São Vicente o contrato com a Pro Saúde era de R$ 9 milhões por mês, mas estávamos gastando R$ 12 milhões. O Fued (Fued Maluf, superintendente do Hospital São Vicente) disse que era possível trabalhar com os R$ 9 milhões e ainda assim o serviço melhorar muito”.

Por isso a decisão de trocar de empresa prestadora de serviço?

[A Secretaria de Saúde rompeu o contrato com a Pró Saúde e chamou a equipe da ACEC (Associação Casa da Esperança de Cubatão) para o que chama de uma assessoria especializada ao superintendente. Segundo informou o secretário Cláudio Miranda, isso encerraria a fase de “tercerização” do atendimento no São Vicente].

“Por isso”.

Mas essa troca, da forma que foi feita, não ficou meio inexplicada? Por que a escolha dessa associação de Cubatão para fazer isso?

“Não é a associação, é a equipe que vem junto. Eles conhecem a equipe. Essa equipe procurou a associação para fazer uma parceria. Então o que vem para cá é uma equipe muito boa. Se olhar só a associação ela tem uma atuação limitada no município. Mas o Fued conhece os profissionais”.

É uma decisão dele?

“É. Conversaram, analisaram”.

E porque uma mudança sem avisar?

“Porque tem que ser. Senão a gente poderia ter problema. Você vai avisar que daqui a 15 dias vai mudar? Quem está saindo como é que fica?”

Vai ter que pagar multa?

“Vai ter que pagar os meses que faltavam. Mas aquilo lá compensa porque vamos ter uma melhor qualidade e redução de gastos vai ser grande”.

Ganhar a Câmara foi o terceiro turno da eleição

Logo depois de ter sua vitória anunciada, Pedro Bigardi iniciou as negociações para conquistar a maioria na Câmara Municipal.

Com apenas quatro vereadores eleitos por sua base, conquistar a presidência da casa e formar uma maioria de apoio era questão vital para os planos da nova administração.

E foi justamente em razão dessa negociação que alguns de seus aliados deixaram o PCdoB e outros passaram a criticar a forma de Bigardi atuar politicamente, dando espaço para ex-adversários e negociando, segundo ele, com que deveria estar definitivamente fora do jogo.

A mais emblemática dessas dissidências talvez seja a do blogueiro César Tayar, que durante muitos anos não só apoiou Bigardi como foi um feroz crítico das administrações tucanas.

Outro, também blogueiro, militante do PCdoB e agora dissidente é Fernando Zingra. Ambos saíram atirando e agora trabalham na fundação de uma base local do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão.

Por que isso está acontecendo? O que fez com que aliados como Tayar e Zingra deixassem de apoiar o governo? E logo no início?

“Primeiro, com relação ao governo, sem falar de Câmara Municipal: montei o secretariado de uma forma muito leve. Não tive pressão por cargos”.

“Eu tenho absoluto controle do governo. Não tive nem tenho nem pressão do PC do B nem do PT”.

E com relação à Câmara. Seus ex-aliados dizem que para construir sua base de apoio, o senhor teve que trazer para a administração ex-adversários políticos, justamente para atender aos vereadores que agora o apoiam.

“Eu fiz um acordo político com a Câmara. E atendi a reivindicações dos vereadores. Isso é política, é compor para governar”.

“Uma coisa que eu pequei como presidente do PT e do PC do B foi por não ouvir mais. Não articular. Coisa que Ary Fossen fazia bem. Eu aprendi a fazer isso na Assembleia Legislativa”.

E isso inclui a liderança do governo para o ex-adversário Marcelo Gastaldo (PDT)?

“A relação com a Câmara é a construção da base”.

Mas o senhor está sendo criticado por povoar o Paço Municipal com ex-adversários.

“Isso não é verdade. Apenas três diretores ficaram da gestão anterior. Mário (Márcio Cesar Santiago – Contabilidade Municipal) e Amaro (José Carlos da Costa Amaro – Fiscalização Tributária) da Secretaria de Finanças e o Crispim (Edilson Crispim da Secretaria de Agricultura e Turismo Rural).

Outra crítica é que o senhor apoiou a manutenção do ex-vereador Jorge Haddad como diretor administrativo da Câmara Municipal. Haddad, tido como homem de confiança das administrações tucanas.

“No caso do Jorge Haddad eu não interferi em absolutamente nada. Foi decisão do Gerson (Gerson Sartori, presidente da Câmara Municipal) manter o Haddad no cargo. O Gerson considerou necessário pelo conhecimento administrativo que ele tem e a liderança que exerce sobre os vereadores”.

Mas isso é parte da articulação política para conquistar a base de apoio, não é?.

“Ganhar a Câmara foi o terceiro turno da eleição. As articulações para a eleição do Gerson Sartori e a conquista da maioria da Câmara começaram logo depois da vitória no segundo turno.

E sua relação direta com os vereadores?

“Atendo a todos os parlamentares, inclusive do três do PSDB”.

Mas como o senhor recebe as críticas de ex-aliados importantes como César Tayar e Fernando Zingra?

“Não são críticas legítimas. Diálogo com forças de oposição é sinal de amadurecimento. A composição política é parte da democracia. É maturidade política”.

“Mas eu não me abalo com as críticas. E leio sempre o que eles escrevem”.

Mas o que de fato aconteceu para que Zingra e Tayar se afastassem? Foi oferecido algo a eles? Participação na administração?

“Sim”.

E o que foi oferecido eles não aceitaram?

“Isso”.

Mas o César Tayar disse que só falou com o senhor uma vez depois da vitória nas eleições. E esteve em seu escritório apenas para entregar um convite.

“E você acha que ele foi lá apenas para entregar o convite? Nós conversamos”.

Bigardi: É difícil o caminho da integração das polícias”

Umas das principais bandeiras de Pedro Bigardi candidato foi a criação da Secretaria de Segurança Pública. No entanto, no comando do governo, ele reconhece que o caminho para uma ação integrada das forças policiais é difícil.

“Eu conversei com os comandantes dos dois batalhões da Polícia Militar, também falei com a Polícia Civil, os bombeiros e o comandante do GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). E vejo a Guarda Municipal muito presente. Mas a verdade é que está faltando integrar as forças policiais que atuam na cidade”.

“Não conseguimos ainda”.

Bigardi não desistiu de criar a Secretaria Municipal de Segurança pública, mas já fala com um certo cuidado a respeito do assunto.

Sobre drogas, Bigardi disse que ainda não há um projeto vitorioso pra tratar do assunto.

Durante a entrevista, o assunto drogas e tratamento de dependentes químicos apareceu duas vezes.

Na primeira delas, quando o prefeito falou da construção de duas Praças da Juventude, projeto do Governo Federal que visa integrar os jovens através de atividades esportivas e culturais.

A Praça da Juventude está ligada à política política pública sobre drogas?

[Bigardi não respondeu diretamente].

“Acaba trabalhando muito com jovens. Porque é esporte, lazer e cultura…”

Num segundo momento, outra pergunta a respeito do assunto.

O senhor é a favor internação compulsória?

[Ele de novo não respondeu diretamente, mas se mostrou preocupado com o assunto].

“Não temos ainda um projeto vitorioso para tratar do assunto. Não tem atendimento. Salvo feito por entidades. Falta inclusão do jovem. Não temos uma ação estruturada de governo”.

O prefeito afirmou que o parque de Educação e Cultura que será construído no Parque Centenário (em fase de licitação) é uma iniciativa que visa criar uma estrutura de equipamentos esportivos em uma área carente.

“Eu penso em fazer o mesmo no Jardim Tarumã e no Jundiaí-Mirim, que são áreas que precisam de atenção. Estamos estudando também a implantação da Praça da Juventude”.

Outro pensamento dele é montar um centro de formação de atletas de alto rendimento, que serviria de exemplo positivo para os mais jovens.

Cidade vai ganhar uma incubadora de Comércio

Além dos projetos já listados como prioritários para o governo Bigardi, a cidade vai ganhar uma incubadora de comércio, que, a exemplo da incubadora de empresas, vai abrigar jovens empresas inovadoras.

“A ideia surgiu recentemente. Conversei com o Marcelo Cereser (secretário de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia) e vamos implantar esse novo projeto”.

E as incubadoras de empresas?

“Vamos quer que reformular tudo. Uma delas nunca funcionou. E na outra (da avenida Luiz Latorre) está tudo errado. Tem empresas lá há cinco anos. Isso não é incubadora”.

O plano do governo é fazer uma conexão entre as incubadoras de empresas, o futuro parque tecnológico e o Instituto Federal de Educação.

“Temos que fomentar a geração de conhecimento. E o Instituto Federal trabalhar como uma universidade na produção de conhecimento”.

“O governo municipal tem feito gestões junto ao Ministério da Educação para trazer para a cidade um Instituto Federal de Educação, embrião de uma universidade federal pública”.

Conheça os 24 projetos prioritários do governo

Na reunião de planejamento estratégico realizada pelo governo Pedro Bigardi em 1º de março, foram escolhidos 140 projetos originalmente listados no plano elaborada para a campanha e que serão colocados em execução nos próximos quatro anos.

Desses 140, 24 receberam prioridade e terão atenção especial do governo, segundo disse o prefeito Pedro Bigardi durante a entrevista.

Segundo o governo municipal, os projetos e programas prioritários estão em fase de planejamento e não há ainda as definições de áreas e prazos para as respectivas execuções e implantações.

Esses são os projetos prioritários

01. Programa Permanente de Conservação e Qualificação Urbana

02. Construção do Hospital das Clínicas de Jundiaí

03. Construção de quatro Unidades de Pronto Atendimento – UPAS

04. Transposição da Rodovia Anhanguera – Acesso Avenida Jundiaí

05. Reestruturação e Urbanização do Jardim São Camilo

06. Implantação de quatro Bases Avançadas da Guarda Municipal de Jundiaí

07. Implantação de sete creches – locais a serem definidos

08. Regularização da Titularidade a Propriedade de Imóveis

09. Projeto Serra do Japi – Criação da Fundação Serra do Japi; Criação do Centro Ambiental; Visitação Monitorada

10. Implantação do Bilhete Único

11. Implantação do Programa Cidade Digital Banda Larga nos bairros distantes

12. Festas Populares Tradicionais

13. Criação do Complexo Cultural Fepasa

14. Construção de Arena Multiuso para realização de desfiles cívicos, Carnaval, entre outros

15. Centro de Iniciação ao Esporte

16. Construção de duas Praças da Juventude

17. Prolongamento da Avenida União dos Ferroviários até Várzea Paulista

18. Construção de 30 quilômetros de BRT (Bus Rapid Transit)

19. Construção de 30 quilômetros de Ciclovias

20. Criação do Polo Turístico Rural

21. Criação do Polo Tecnológico

22. Implantação de Política de Resíduos Sólidos

23. Realização de gestão visando à implantação de Terminal Multimodal

24. Realização de gestão visando à Implantação da Universidade Pública de Jundiaí

Foto de abertura: arquivo Prefeitura de Jundiaí