Ato marca protesto e cidade fica parcialmente parada

Em meio ao processo político das reformas trabalhista, previdenciária e da terceirização, a “greve geral” realizada em diversas regiões brasileiras teve em Jundiaí um ato no Centro e uma queda expressiva de circulação das pessoas.

A manifestação, organizada pelo Movimento Intersindical Unificado, começou de madrugada com uma interrupção de quase duas horas da rodovia Anhanguera no sentido capital-interior na região do Retiro (foto acima).

Foi seguida por uma caminhada até o percurso da rua Barão de Jundiaí entre a Câmara Municipal e a agência da Previdência Social e foi concluído com um ato no Largo da Matriz.

Os efeitos parciais da greve no transporte ferroviário, no transporte urbano e nas escolas municipais ou particulares, além de adesões particulares ao movimento deixaram muita gente em casa. No Centro, comerciantes admitiam que era um dia praticamente perdido na véspera do terceiro feriado prolongado seguido.

O alvo da manifestação nacional são as reformas da legislação trabalhista, da terceirização e das aposentadorias.

A reforma trabalhista foi aprovada na Câmara na quinta-feira (27) e seguiu para votação no Senado, enquanto a ampliação da terceirização já foi promulgada como lei.

No caso das futuras aposentadorias, que vão exigir quórum maior por mudar a Constituição, o adiamento da data para maio foi negociado pelo governo interino de Michel Temer para buscar garantir a maioria necessária.

Um grande aparato policial acompanhou as manifestações, sem registro de incidentes até o início da tarde. Uma parte dos manifestantes de Jundiaí seguiu em ônibus fretados para reforçar o ato maior em São Paulo.

Diversos participantes da manifestação em Jundiaí comentaram nos bastidores serem favoráveis às reformas, mas com um debate mais intenso com a sociedade e não no formato implantado pelo governo interino de Temer.

Entre outros pontos criticados estão a perda de direitos, a extinção do papel dos sindicatos, as novas regras de aposentadoria e a precarização dos trabalhadores nas negociações com empresas.

O contexto, entretanto, favorece as reformas de viés neoliberal. Mesmo a praticamente um ano depois do afastamento de Dilma Rousseff do governo brasileiro, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta no primeiro trimestre 2017 que na força de trabalho do país é estimada em 103,1 milhões de pessoas, existem 14,2 milhões desocupadas (13,7%) e apenas 33,4 milhões possuiriam carteira de trabalho assinada.

Além disso, conforme levantamentos do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), a bancada de empresários eleita em 2014 no Congresso Nacional aumentou de 219 para 273 integrantes na Câmara e no Senado, somando-se a outras bancadas como ruralista e outras de inclinação conservadora.

A agenda de reformas conta ainda com o apoio da grande mídia e uma situação popular de medo do desemprego e de desencanto com a política gerado pela Operação Lava Jato, que atinge ministros do governo Temer e líderes da maioria dos partidos do país.

Essas observações estiveram presentes nas conversas informais durante a manifestação, assim como a expectativa de participantes de que seu tamanho pelo Brasil leve parlamentares a analisarem melhor a reforma trabalhista (no Senado) e a reforma previdenciária (na Câmara e depois no Senado).

A articulação do ato em Jundiaí contou com os sindicatos dos Alimentícios, Bancários, Ceramistas, Comércio, Construção Civil, Frentistas, Processamento de Dados, Gráficos, Metalúrgicos, Servidores Municipais, Químicos, Rodoviários e mais Apeoesp, SindPrev, Sinrpo, Sintra Cargas, Subsede da CUT e Associação dos Aposentados e Pensionistas.

Na manifestação no Centro também estiveram presentes moradores comuns entre estudantes, artistas, educadores e outros profissionais. Além do formato obrigatório dos discursos em carro de som, o ato contou também com grupos de tambores.

Nas redes sociais muita gente declarou apoio destacando que não era simpatizante do PT ou de Lula mas “pensando em seus filhos ou netos”, assim como outros criticando a realização de uma greve de protesto na véspera do feriado de 1º de Maio como “coisa de sindicalista”.

Como o trajeto da caminhada passou pela Câmara, o vereador Edicarlos Vieira acompanhou a manifestação.

Já o prefeito Luiz Fernando Machado reconheceu a legitimidade do direito, mas determinou o corte de faltas abonadas aos servidores participantes.

A tentativa de greve geral de 2017, mesmo sem lembrar disso, marcou também o centenário da primeira greve geral do país em 1917, ainda na chamada República Velha.

Naquele tempo os direitos trabalhistas praticamente não existiam – o que viria a acontecer somente depois de quinze anos, a partir da implantação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O debate atual é sobre as reformas serem a sua modernização ou a sua revogação.

Fotos: Lucas Castroviejo

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