Bigardi: “Eu não tive nenhum momento de decepção, tristeza ou desânimo”

Há menos de um mês para deixar o governo de Jundiaí, Pedro Bigardi fez um balanço de seu mandato.

“Eu não tive nenhum momento de decepção, tristeza ou desânimo. Eu entrei aqui com muita energia e atravessei o governo todo com muita satisfação. Todos os dias eu agradeço pela oportunidade de ser prefeito e poder lutar pelo que acredito”.

Mas nem toda essa energia foi suficiente para garantir a reeleição.

“Eu já ganhei e já perdi ao longo da minha vida. Tenho um processo de maturidade muito grande. Sei o que fiz, o que pude fazer, os acertos, os erros, a conjuntura que a gente viveu, por isso estou tranquilo com relação ao resultado da eleição”.

Apesar da tranquilidade, Bigardi ainda tenta entender por que tudo o que fez não foi suficiente para que conseguisse a reeleição. E nessa tentativa de entender, elenca erros, supõe o que poderia ter sido diferente ou o que, talvez, fizesse diferença para as pessoas e, consequentemente, nas urnas.

“Vivemos um momento difícil, de crise econômica e institucional, e isso faz com que as pessoas fiquem desanimadas e desinteressadas pela política. Além disso, entrei tarde na campanha e achei que o diálogo construído com a sociedade durante o governo fosse suficiente, mas não foi”.

Para ele, a troca de partido durante o mandato não teria influenciado no resultado das eleições.

“Infelizmente, é difícil dizer isso, mas o que menos está importando é o partido. A ideologia política não empolga mais ninguém, precisamos buscar novos caminhos”.

Sobre o que fez, Bigardi destaca os investimentos nos bairros que há muito tempo esperavam por melhorias e o fato de ter feito um governo mais humanizado, preocupado com as pessoas. Além disso, destaca as grandes obras, como as alças da Anhanguera, que devem ser entregues no ano que vem.

“Apesar de ser um projeto antigo, nosso governo foi decisivo para que saísse do papel”.

Além das obras tradicionais, Bigardi destaca projetos inovadores, como o “Emprega Mais” e Desenvolve Jundiaí”, na área de desenvolvimento econômico, projetos de urbanismo caminhável e recuperação de patrimônios, na área de planejamento, debates e ações voltados aos idosos e juventude, criação da Fundação Serra do Japi e o projeto de tratamento do lixo, que estará pronto em dois anos e que deixou Jundiaí como referência nacional no assunto.

Sobre o que deixou de fazer, lamenta não ter conseguido construir um novo hospital e também não ter implantado o BRT.

“O BRT é importantíssimo, liga pontos fundamentais da cidade e é apenas parte de um sistema viário mais completo. Para o hospital, infelizmente, não conseguimos os recursos necessários”.

E sobre o hospital São Vicente, Bigardi fez questão de dizer que a Prefeitura cumpriu o convênio e repassou, pelo menos, R$20 milhões a mais do que estava acordado.

“Tem gente que continua a disputa mesmo depois das eleições e usa o assunto da saúde para desmerecer o governo. O São Vicente é bancado majoritariamente pela Prefeitura. Todo pedido é atendido. Quem não repassa o que deveria são os governos estadual e federal”.

Ainda na área da saúde, Bigardi diz que uma das UPAs está pronta, inclusive mobiliada, mas que foi decisão dele não inaugurar antes da eleição.

“Com a queda na arrecadação, o município teria dificuldades em mantê-la funcionando, por isso, decidi esperar o momento correto. A inauguração, talvez, me desse votos, mas seria como enganar a população. O dinheiro reservado para a UPA foi repassado ao São Vicente”.

Talvez a UPA rendesse votos, talvez uma ciclovia, talvez uma campanha mais intensa, talvez, talvez, talvez… Entre tantas hipóteses, Bigardi elenca mais uma: a falta de comunicação.

“Cada ação nossa deveria ter sido mais valorizada. A gente curtia muito o que estava fazendo, mas faltou que as pessoas compreendessem porque aquilo era tão importante”.

Com o plano diretor, por exemplo, discutido amplamente com a população, Bigardi acha que foi diferente.

“Se alguém tentar mudar o plano para benefício de uma minoria, com certeza a cidade terá uma reação”.

Para a população, Bigardi deixa uma mensagem.

“Não pensem só na cidade em que vocês moram, pensem na cidade com afeto, na cidade que deve ser a melhor cidade. Pensando assim, o nível de exigência aumenta, como aumentou com o meu governo, porque a gente deu a oportunidade das pessoas participarem”.

E quando a pergunta foi sobre que conselho daria para o futuro prefeito, Bigardi respondeu o que ele próprio faria num segundo mandato.

“Não dá para dar conselho para quem ganhou, mas eu aumentaria a minha relação com a cidade, estaria ainda mais perto das pessoas. Eu faria isso, acho que ele deveria fazer também”.

E para não se afastar das pessoas, Bigardi pretende ser candidato a deputado estadual.

“Preciso acompanhar de perto como vai caminhar o Plano Diretor, preciso estar perto da comunidade que tanto me envolvi nestes anos. Estar na política é importante, mas disputar um cargo me dá uma condição melhor de atuar nela”.

Veja a entrevista completa abaixo:

 

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