Cidadania contrasta com semana “sombria”

Movimentos por direitos de saúde mental, por direitos de gênero ou por direitos de ciclistas mostram que política não é assunto apenas de partidos   Em meio aos tempos sombrios no país, diversos grupos de moradores de Jundiaí mostraram nesta terceira semana de maio que as “lutas” da cidadania continuam criando motivos de esperanças acima de disputas partidárias ou corporativas. Alguns desses exemplos ocorreram com a conquista do anúncio, pela Prefeitura, da criação de duas residências terapêuticas para pacientes psiquiátricos nas regiões da Vila Rami e da Vila Hortolândia durante o 3º Fórum da Luta Antimanicomial na terça-feira (16). E também do anúncio de um decreto regulando o uso opcional do nome social por transexuais e travestis no município durante o ato do Dia Internacional Contra a Homofobia na quarta-feira (17). Ambos são avanços decorrentes de movimentos atuantes há vários anos na cidade, que buscam o diálogo com o poder público. O mesmo caminho, na Câmara Municipal, foi reforçado pelo pedido de atenção ao setor levado por um grupo de ciclistas na terça-feira (16), que recebeu manifestações de apoio dos vereadores. “Esta é com certeza uma conquista histórica para a militância LGBT em Jundiaí, que se torna uma cidade de vanguarda nesse processo”, afirma a advogada Rose Gouvêa em artigo no portal Bancários Jundiaí, que protocolou o pedido ao atual prefeito Luiz Fernando Machado em janeiro, depois apoiado pela criação da Assessoria de Diversidade Sexual (do Núcleo de Direitos Humanos). A assessora municipal de Políticas para Diversidade Sexual, Kelly Cristina Galbieri, explicou que a publicação do decreto torna a adoção do nome social obrigatória nas instituições públicas municipais, desde que seja da vontade do interessado (na abertura, foto do evento). “É realmente uma conquista importante para a população LGBT de Jundiaí, que reivindicava este direito há muito tempo”, disse. Já a criação de duas clínicas terapêuticas para pacientes de saúde mental, nos bairros da Vila Rami e Vila Hortolândia, foi celebrada como mais um avanço dos trabalhadores e apoiadores dos serviços municipais de atenção psicossocial. “Somos um espaço de resistência e reflexão sobre uma política ancorada na garantia de direitos humanos, na produção de vida e no cuidado em liberdade”, define-se o grupo que já havia promovido dois fóruns na gestão anterior e ampliado com o ambulatório de rua. Na Câmara, o ato dos ciclistas urbanos buscou visibilidade não apenas para quem usa esse meio de locomoção, mas “para a saúde e o meio ambiente em uma época de mudanças de clima”, na mensagem do Pedala Jundiaí apresentada na tribuna por Roberto Fernandes. O grupo colocou-se disponível para colaborar com Legislativo e Executivo nos estudos como o Plano de Mobilidade ou o Plano Plurianual. Essa vitalidade do que pode ser entendido como a cidadania mais ampla está presente em Jundiaí também em colaboradores de conselhos (como da Criança e Adolescente, da Serra do Japi ou da Política Territorial, do Plano Diretor) e até mesmo nas centenas de voluntários urbanos e rurais de festas tradicionais, de distribuição de cartilhas contra o racismo, de eventos culturais em praças e outros espaços, de iniciativas para idosos na “revolução das bengalas”, de grêmios estudantis, de entidades beneficentes ou de grupos ambientais. São atitudes que lembram a origem etimológico da palavra “política”, que é originária de “polis” = cidade. Muito mais que a apropriação do Estado por interesses particulares, embora tudo deva estar como parte de um mesmo debate.