Cidade ganha projeção nacional com seus idosos. Mas pode melhorar

Mesmo com alguns indicadores a serem melhorados, Jundiaí destacou-se em sétimo lugar nacional em levantamento sobre a qualidade de vida para idosos chamado IDL (Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade).

Sua pontuação agregada foi de 75,25 pontos, mas teve variações entre a quarta colocação para a faixa com mais de 75 anos de idade (82,12) e a nona colocação na faixa de 60 a 75 anos (78,39).

Dentro desse resultado, a cidade ficou em segundo lugar no critério de educação e trabalho, com 94,73 pontos (contra 48,52 de mediana entre todas as cidades pesquisadas). E ficou em décimo no aspecto de finanças, com 79,27 pontos (contra 48,79 de mediana) e em décimo-terceiro nos indicadores gerais, com 76,43 pontos (contra 53,65 de mediana).
 
Ficou ainda em 20º lugar no critério de cultura e engajamento, com 57,29 pontos (contra 34,45 de mediana geral), em 21º lugar no critério de cuidados de saúde, com 60,81 pontos (contra 38,03 de mediana) e em 22º no critério de habitação, com 41,51 pontos (contra 26,40 de mediana).

No aspecto de habitação, onde o primeiro lugar ficou com cidades que já testam experiências de “repúblicas de idosos” como Santos, o trabalho aponta que sua importância para a qualidade de vida dos indivíduos, sobretudo dos mais idosos, é afirmada por especialistas, e vai muito além de prevenir quedas e esforços desnecessários. Mesmo a questão da boa convivência entre as gerações pode ser explorada por meio do desenho do espaço construído da cidade.

“Mediante a disponibilidade de dados a esse respeito, buscamos estabelecer um conjunto de métricas que fornecessem um quadro amplo da situação da qualidade da habitação na cidade”, afirma o relatório.

O ponto de Jundiaí com pior avaliação foi no critério de bem-estar, em 50º lugar com 60,40 pontos (contra 50,93 de mediana).
 
De acordo com o IDL, esse critério envolve o fato de que um estilo de vida saudável é a chave para a manutenção de uma alta qualidade de vida, em especial entre indivíduos idosos. Exercitar-se regularmente, ingerir frutas e legumes e bebidas que contenham menos açúcar são apenas alguns exemplos do que os adultos mais velhos podem fazer para manter a sua saúde. Estes comportamentos reduzem a probabilidade do surgimento ou agravamento de doenças crônicas, o que ajuda na manutenção do bem-estar dos indivíduos. Ou seja, há espaço para ampliar ações.

O método foi desenvolvido em conjunto pelo Instituto de Longevidade Mongeral Aegon e pela Escola de Administração de Empresas da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Tema está presente em Jundiaí desde os anos 80 – A oficialização de uma assessoria ao setor de idosos no novo núcleo de direitos humanos na lei da reforma administrativa promovida pelo prefeito Luiz Fernando Machado, profissionalizando a experiência de coordenadorias adotada na gestão anterior, é na verdade mais um passo de mobilizações iniciadas na década de 1980.

O Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Idosa (Comdipi) é um desses resultados, assim como iniciativas de diversos setores públicos entre os quais o Centro de Convivência do Idoso (Criju) é o mais conhecido e também da própria comunidade, com iniciativas como o Centro de Estudos e Lazer da Melhor Idade (Celmi) já acima dos 40 anos ou entidades como a Cidade Vicentina, o Lar Nossa Senhora das Graças e outras.

De acordo com o atual presidente do Comdipi, Milton Calzavara, pesquisas como essa devem ser divulgadas aos próprios idosos como cidadãos ativos e também debatidas por eles e por toda a comunidade.

Atualmente, Jundiaí tem em torno de 14% de sua população acima dos 60 anos de idade e, embora pareça pouco diante dos 86% restantes, significa o dobro das medidas mundiais para o reconhecimento de uma cidade significativa nesse segmento.

Indicadores por critérios

O relatório envolve indicadores variados em cada critério. Nos indicadores de cuidados de saúde, Jundiaí aparece em 120º lugar no caso de leitos do SUS (Sistema Único de Saúde) e em 99º lugar no número de enfermeiros, mas aparece em primeiro lugar no caso de hospitais com afiliação com escolas médicas.
 
Nos indicadores de cultura e engajamento, Jundiaí aparece em 108º lugar no caso de casamento de idosos e em 64º lugar no número de idosos que moram com parentes, mas aparece em 11º lugar no caso de televisão por assinatura.
 
Nos indicadores de educação e trabalho, a cidade fica em 81º no número de docentes habilitados ao ensino de idosos mas tem seu primeiro lugar reconhecido no caso de distorção idade-série.

Nos indicadores de finanças, fica em 126º lugar no peso da carga de impostos mas fica em quarto lugar no nível de desenvolvimento social.
 
Nos indicadores de habitação fica em 69º lugar no caso da densidade demográfica e em 45º lugar na presença de instituições de longa permanência de idosos, mas fica em 16º lugar no critério da população de idosos.

Nos indicadores gerais, Jundiaí figura no levantamento com o 83º lugar na taxa de desemprego, em 38º na violência do trânsito, no 26º lugar na distribuição de renda, no 15º lugar da expectativa de vida ao nascer e no 5º lugar no caso de menos agressão à vida.
 
Mas aparece em “113º lugar alcoolismo 15 anos ou mais e 106º lugar em diabetes 15 anos ou mais”. Porém fica em décimo lugar no número proporcional de idosos inscritos em planos de saúde.

No caso das subfaixas de 60 a 75 anos ou de acima de 75 anos os critérios são os mesmos, mas com pesos diferentes. No primeiro grupo, por exemplo, os indicadores de educação e trabalho pesam 24% na nota final contra 3% na faixa acima de 75 anos. Em compensação, os “indicadores gerais” da cidade passam de um peso de 14% para 32% no segundo grupo.

O levantamento não considera somente aspectos relacionados aos moradores acima de 60 anos, porque a vida de crianças, jovens e adultos também se reflete nas condições de todos.

Pontos fortes

A cidade foi apontada como exemplo em um desses aspectos mais gerais, de educação e trabalho, especialmente pelo seu desempenho mostrado pela menor taxa de distorção idade-série entre as 150 maiores cidades do Brasil e de uma reduzida taxa de desocupação verificada ainda antes do agravamento da recessão econômica.
 
Nos indicadores de finanças, o quesito principal foi a baixa frequência de pessoas consideradas de baixa renda sobre a população (que deve ser visto de maneira cuidadosa com análise de migração de moradores para cidades vizinhas). Mas outro destaque foi a colocação entre as vinte melhores cidades no desempenho chamado de cultura e engajamento, pelo grande volume de conectividade (acesso à internet ou tevê por assinatura) mesmo sendo necessário ampliar esse tópico nos idosos.

Na visão externa do levantamento, a cidade pode melhorar também em aspectos como estabelecimentos para condicionamento físico (liderado por Florianópolis), matrículas no ensino superior (liderado por Londrina) e aumento do número de pessoas com planos privados de saúde (liderado por Santos).

Veja o resumo
http://idl.institutomongeralaegon.org/jundiai

Na foto de abertura, baile semanal do Criju. Foto assessoria de Comunicação da Prefeitura