Comandante quer sociedade mais perto da polícia

Em menos de 40 dias, três pessoas foram mortas a tiros e uma ficou gravemente ferida durante assaltos que aconteceram na região mais central da cidade.

O que é que está acontecendo? E por que está acontecendo? O crime contra a pessoa chegou à região nobre de Jundiaí?

O novo comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar, tenente coronel Aloysio Alberto de Queiroz Junior, está ligado. Esse é um assunto delicado. Mas em seus muitos anos de Polícia Militar aprendeu a ter calma em situações de risco.

Afinal, talvez não exista apenas uma explicação. E a solução não seja tão óbvia quanto colocar mais policiais nas ruas.

“Jundiaí está crescendo e se desenvolvendo. E esse desenvolvimento não atrai apenas pessoas de bem. A criminalidade também se aproveita disso”, disse ele em uma longa conversa em seu gabinete na manhã desta quarta-feira (8).

Na visão do comandante Queiroz o aumento dos crimes contra a pessoa na região central pode estar relacionada a uma maior ação no combate às drogas nas regiões periféricas ou de maior concentração de atividades de tráfico.

As ações constantes das polícias Militar e Civil frente aos traficantes estariam enfraquecendo o poder econômico desses grupos, o que levaria a uma diversificação das atividades criminosas, especialmente assaltos.

E a Polícia Militar estaria preparada para enfrentar essa nova realidade? Há policiais suficientes para dar conta dessa tarefa?

O tenente coronel Aloysio acredita que sim, mas em termos. Na opinião dele, a forma como são definidos tecnicamente o número de policiais, veículos e armamentos pelo Governo do Estado em cada região funciona relativamente bem. O problema, no momento, é que hoje muitos policiais militares deixam de atuar no policiamento para fazer a escolta de presos.

Essa é uma situação que deve durar ainda alguns anos. Pelo menos enquanto a Secretaria de Administração Penitenciária não tiver todo o efetivo necessário para a escolta de presos.

“Se eu gostaria de ter mais policiais? Claro que sim. Quem não gostaria? Mas isso não quer dizer que o número de policiais nas ruas é insuficiente. Hoje buscamos atuar com inteligência na análise de dados. E assim ter uma ação mais efetiva”.

Esta forma de atuação, segundo ele, aproxima o efetivo da Polícia Militar da comunidade. E esse é um fator fundamental para a ação preventiva. O tenente coronel Aloysio, no entanto, sente falta de uma maior colaboração por parte das pessoas.

“A sociedade também tem que fazer a sua parte. Da mesma forma como não podemos deixar a responsabilidade da cura somente nas mãos do médico, não podemos pensar em segurança pública apenas como caso de polícia. É preciso que cada um faça a sua parte”.

A polícia atua na ponta final, nos efeitos. Mas a causa da violência, reflete, está na desigualdade social e no consumo de drogas. “E ainda tem gente que defende a descriminalização. Não funciona. Dizem que a maconha é droga leve. Não é. A maconha é sim a porta de entrada para outras drogas. E o efeito final é a violência nas ruas”.

Mas a desigualdade é ainda mais perversa. “O maior desenvolvimento coloca frente a frente quem tem muito e quem não tem nada. E Jundiaí está crescendo. Esse é outro fator que leva a um aumento da violência”.

Comparada a outras cidades brasileiras, no entanto, Jundiaí ainda tem uma condição privilegiada, mesmo diante de números tristes. “Não se pode comparar a periferia de São Paulo com a de Jundiaí. Aqui as pessoas conseguem viver melhor”.