O candidato Luiz Fernando Machado afirmou logo no início do debate de sábado (15) que seu ponto forte são suas propostas.

As prioridades que pretende enfocar em seu governo: saúde, educação, transporte, trânsito e segurança.

Disse que em dois anos o hospital regional estará pronto, que haverá postos de Pronto Atendimento 24 horas nos bairros e fará um novo trevo na avenida Jundiaí, as alças de acesso da avenida 9 de Julho e ainda vai ampliar o número de guardas municipais.

Como assim?

Afinal de contas, o partido ao qual pertence, o PSDB, está no poder em Jundiaí de forma contínua desde 1993, quando o ex-prefeito André Benassi voltou ao cargo (havia sido prefeito de 1983 a 1988). Desde então, o mesmo grupo é responsável pelos destinos da cidade.

Miguel Haddad sucedeu Benassi de 1997 a 2004, seguido por Ary Fossen, de 2005 a 2008, voltando ao poder em 2088 e tendo como vice-prefeito o próprio candidato Luiz Fernando Machado. Machado, dois anos depois de assumir o cargo, foi eleito deputado federal.

Os adversários aproveitaram as fragilidades do discurso inicial de Machado — que no dia-a-dia da administração Haddad é fortemente amplificado por uma competente e ostensiva campanha de marketing.

Cláudio Miranda foi o primeiro.

Disse não se conformar de morar em uma cidade rica e ter um governo que se afastou tanto dos problemas da população. Afirmou que o governo convive com esses problemas sem resolvê-los.

Pedro Bigardi veio em seguida e emendou: “Quanto tempo as mesmas promessas e isso não acontece”.

Luiz Fernando, bem orientado pelos coordenadores de campanha, buscou sempre falar ao eleitor. Olhar fixo para a câmara. E foco nas propostas. Uma estratégia quem, porém, nem sempre funcionou.

Em certo momento Luiz Fernando pergunta a Bigardi como ele pretende reduzir as filas no São Vicente. E, para reforçar sua intenção de solucionar a questão, diz que iria registrar em cartório na segunda-feira o compromisso de ampliar os leitos para a saúde no município com a construção do hospital regional.

Foi a deixa para Bigardi retrucar com ironia: “Você devia ter registrado essa proposta quando registrou seu plano de governo no cartório eleitoral”.

E ainda sobrou tempo para que o candidato do PC do B lembrasse que o hospital regional está prometido há seis anos e ainda não foi construído.

Na tréplica, Luiz Fernando ainda tentou reagir. Disse que prefere propostas a picuinhas políticas (quais mesmo?) e que reafirma o compromisso dele com o eleitor.

E ainda teve que ouvir mais uma vez de Bigardi: “Vocês falaram isso quatro anos atrás e não cumpriram”.

Em outra estratégia para desconstruir a propaganda oficial, Cláudio Miranda pergunta para Luiz Fernando a respeito de pedágios urbanos e privatizações. Pedágios nas rodovias que cortam a cidade e privatização da DAE SA.

Luiz Fernando disse ser absolutamente contrário aos pedágios urbanos, mas não respondeu se vai ou não privatizar a DAE. Aproveitou o tempo para dizer que acredita em investimentos em saúde pública. E repetiu que pretende desafogar o São Vicente.

Em alguns momentos, Cláudio Miranda e Pedro Bigardi jogaram juntos. Como quando Pedro perguntou a Cláudio qual a forma de estabelecer prioridades na execução orçamentária. Na pergunta, a afirmação de que a Prefeitura gastou em 2 anos mais de R$ 50 milhões em propaganda, mas ainda hoje existem filas de espera em creches.

Uma deixa para que Cláudio fizesse críticas ao excessivo investimento em marketing e, obviamente, falasse da necessidade de investimento para solução da falta de vagas em creches. Na réplica, Bigardi pode dizer que pretende buscar dinheiro federal para construir mais creches ou usar o dinheiro do município (gastando menos em propaganda) para construir mais creches.

Na sequência foi a vez de Cláudio Miranda perguntar para Bigardi qual o plano dele para as submoradias.

Bigardi, que já foi o responsável pela Fumas, diz que participou desde o início do programa de erradicação de moradias, mas que hoje o projeto vem sendo executado de forma parcial. Não definiu claramente o que pretende fazer, mas disse ser contrário à remoção das pessoas dos locais onde vivem. Segundo ele, são mais de 20 mil pessoas vivendo em submoradias atualmente.

Foi mais uma deixa para Cláudio Miranda aproveitar e criticar o excesso de investimento em propaganda o que, segundo ele, mascara a realidade em que vivem as pessoas menos favorecidas.

Já quase no final do debate, Luiz Fernando pergunta a Claudio Miranda qual o compromisso dele no que se refere à segurança. E aproveitou para dizer que pretende fortalecer a guarda municipal e descentralizar a segurança.

Teve que ouvir de Cláudio Miranda uma outra pergunta como resposta: “Por que o governo municipal não fez isso até agora?”

O peemedebista ainda aproveitou para dizer que foi próprio governo do PSDB quem desativou as bases da Guarda Municipal que já existiam nos bairros. Mas, por outro lado, não respondeu claramente qual seu plano para a segurança pública na cidade.

Na tréplica, Luiz voltou ao discurso oficial e disse que uma cidade não fica pronta nunca. E aproveitou pra dizer: “Eu gosto da cidade de jundiaí. É um excelente cidade”.

Outra deixa para Cláudio Miranda contra-atacar, dizendo que também gosta da cidade, mas não compreende o compromisso do deputado que quer deixar a câmara federal para ser prefeito.

Um jogo de palavras e ações

O debate, porém, é um jogo de palavras e a ações coordenadas. Resta saber como o eleitor recebeu as informações de cada um dos candidatos.

Pelo que a única pesquisa eleitoral já publicada indicou, o páreo está entre Luiz Fernando Machado e Pedro Bigardi, com Cláudio Miranda aparecendo como a terceira via.

Jundiaí é uma cidade complexa. Para quem trabalha em campanhas políticas não é complicado encontrar um jeito de mostrar os muitos pontos onde a cidade avançou. E os muitos onde ela está parada ou involuiu.

O debate mostrou que Pedro Bigardi e Cláudio Miranda podem até estar juntos caso aconteça um segundo turno. Ensaiados ou não, atuaram em conjunto em alguns momentos. Mostrou também que Ibis Cruz e Vanderlei Victorino também fazem parte da força contrária ao governo atual e, embora de forma totalmente distinta, podem contribuir para fortalecer um movimento pró-renovação.

O que não fica claro ainda (e só mesmo a abertura das urnas vai mostrar) é o quanto os avanços inegáveis do governo municipal são maiores que suas fragilidades.

Se vai pesar mais o fato da cidade ter saneamento para quase toda população, bons parques, e ainda atrair grandes empreendimentos e viver um momento de pleno de emprego ou os problemas como as intermináveis filas do hospital São Vicente, o trânsito caótico e o transporte público insuficiente.

Luiz Fernando Machado terá que mostrar que, apesar da pouca idade (35 anos) e de não ser um jundiaiense nativo, tem condições de continuar avançando no atual modelo de administração. Enquanto Bigardi precisa provar que tem mesmo a maturidade e a competência necessária para conduzir a cidade.

Entre os dois está Cláudio Miranda, capaz de drenar alguns bons milhares de votos.

Ao eleitor cabe a obrigação de gastar algum tempo examinando as propostas. Todos os candidatos divulgaram amplamente seus planos de governo. É hora de separar o discurso da prática e não se deixar enganar.

Pedro Bigardi e Cláudio Miranda (bem como Vanderlei Victorino e Ibis Cruz) precisam tratar de convencer de que são capazes de conduzir a cidade a um novo patamar de desenvolvimento onde os diversos atores da sociedade sejam contemplados.

Enquanto Luiz Fernando Machado terá que ser hábil para convencer oferecendo apenas mais do mesmo.

O primeiro debate entre os cinco candidatos a prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado (PSDB), da Coligação Avançar para Fazer Futuro, Pedro Bigardi (PC do B), da coligação Jundiaí para Todos, Cláudio Miranda (PMDB), coligação Reaja Jundiaí, Vanderlei Victorino (PSol) e Ibus Cruz (PTN) foi realizado na tarde do sábado (15) pela Tevê Bandeirantes e Grupo JJ.

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