Crescimento de interesse pela agricultura saudável coincide com apoio ao CEA-IAC  

A aprovação do “congelamento” por prazo indefinido de projetos imobiliários na área do Centro de Engenharia e Automação (CEA-IAC), do Instituto Agronômico, coincide com uma curva de crescimento na busca de alimentos não apenas saudáveis para o ser humano, mas também para o meio ambiente na cidade. 

O projeto 12.279 foi aprovado pela maioria absoluta dos vereadores na sessão de terça-feira (8), depois de ter sido apresentado de forma maciça por um grupo de 11 dos 19 integrantes do parlamento municipal – em ordem alfabética, Antonio Carlos Albino, Douglas Medeiros, Faouaz Taha, Gustavo Martinelli, Leandro Palmarini, Marcelo Gastaldo, Paulo Sérgio Martins, Rafael Antonucci, Roberto Conde, Valdeci Vila Matheus e Wagner Ligabó. Antes, a área já havia tido seu tombamento aprovado pelo Conselho Municipal do Patrimônio (Compac).  

Diversos sinais mostram que o interesse dos jundiaienses pela questão agrícola tem sido crescente e poderia ser ainda maior se não fosse a crise econômica. 

O grupo de agricultores da OCS Jundiaí Orgânicos, conhecido pela presença em feiras como a Feira Orgânica realizada nas manhãs de domingo na praça Monsenhor Arthur Ricci (na esquina das avenidas Nove de Julho e Luiz Latorre) ou nas manhãs de sábado no Jardim Botânico, estão entre os exemplos. Entre eles não é raro encontrar ao lado dos produtos de época uma publicação como a “PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais”, um clássico no setor.

A própria administração municipal tem valorizado essa ênfase com a reestruturação do projeto Vale Verde, que funciona em área da Escola Técnica Benedito Storani, com a meta de fornecer produtos orgânicos para toda a merenda escolar. Mas também tem se voltado para a agricultura convencional com visitas escolares a sítios de produção de frutas ou hortas escolares, além dos estudos para o futuro pagamento de serviços ambientais (PSA) a propriedades rurais, previsto no Plano Diretor, e ampliação do papel secundário do turismo e suas rotas nessa atividade.

Uma dessas experiências no campo educativo, o Projeto Ecoar, é tema de roda de conversas às 14 horas deste sábado no Sesc Jundiaí. Outra iniciativa desse setor é o Sítio Cambucá, também tocado por educadores.

Da cidade também saiu boa parte do respaldo científico para práticas sustentáveis como o plantio direto no solo (ou na palha), aprimoradas por pesquisadores como Afonso Peche Filho, do CEA, unidade do Instituto Agronômico de Campinas que vem sendo uma assunto central nesses tema. .

Depois desse patamar diretamente ligado à conservação da agricultura local, reforçado pela população nas feiras, varejões ou barracas de produtores em terminais e outros espaços, o segmento específico dos orgânicos está presente também em outras áreas.

Na alimentação, já existem diversos restaurantes e lanchonetes especializados ou com a opção em parte do cardápio, tanto na região central como os bairros. Em julho, o movimento chamado Vegan Jundiaí organizou uma feira na região central da cidade em que as atrações se esgotaram antes do final do evento. E mesmo redes de lojas especializadas encontraram seu nicho na cidade. E muita gente, de forma independente, vem desenvolvendo produtos caseiros de qualidade – ou até mesmo em escala um pouco maior para artigos mais profissionais, como temperos.

O segmento vem ganhando importância, mesmo sendo ainda pequeno dentro do universo geral da cidade, porque estimula os demais a olharem para a questão do meio ambiente. Para muitos envolvidos, isso cria a demanda de políticas públicas que garantam o acesso dos diversos grupos sociais e econômicos ao tema.

Para isso, além do ditado de que você pode precisar de engenheiro ou advogado em algum dia mas do agricultor você precisa três vezes a cada dia, vale lembrar a máxima de que o alimento saudável também é aquele mais próximo de você. 

Livro de Harri Lorenzi, um dos clássicos que circulam no setor