Educação e Cultura: desafio contra crise e intolerância

Por Flavio Gut e José Arnaldo de Oliveira

As novas coordenações das unidades de gestão de Educação, com Vasti Marques Ferrari, e de Cultura, com Marcelo Peroni, refletem uma decisão conjunta do prefeito Luiz Fernando Machado para a plataforma de governo formada por essas duas antigas secretarias e agora unidades. E também um desafio comum a ambas, que é equilibrar a luta contra os excessos da intolerância ou da crise.

Afinal, se a cultura vive na cidade e no país uma onda de pressões contra obras artísticas consideradas contrárias a um certo pensamento de “família tradicional” (seja o que isso queira dizer), a educação também se encontra na mira desse movimento com as ações contrárias ao tema da diversidade sexual ou maluquices ideológicas do tipo “escola sem partido”. 

Não se trata de entrar em conflito ou assumir apenas a visão de um lado do debate. Mas de usar princípios fortes para lidar de forma equilibrada com esses temas.

Ambos asseguraram a defesa da liberdade de expressão nas artes ao longo deste ano e “seguraram as pontas” de decisões do governo como a suspensão do desfile de escolas no Carnaval ou excessos na dispersão de blocos, além do cancelamento da Virada Cultural e agora da Feira da Amizade. 

A nova gestora da Unidade de Gestão da Educação, Vasti Marques Ferrari, deve se sentir em casa no setor onde é professora. Sua passagem pela Cultura deixa um saldo positivo em ações como a transferência da Casa da Cultura para o Complexo Fepasa, a reforma do Solar do Barão, a retomada da Sexta no Centro, a manutenção da Festa da Uva  e fortalecimento da agenda dos espaços públicos próprios ou de outros setores como parques, terminais de ônibus, rotas turísticas e praças. .

O novo gestor da Unidade de Gestão da Cultura, Marcelo Peroni, também conhece o setor como diretor da própria Vasti neste ano e, anteriormente, com parcerias e atuação no conselho da área. É um profissional do teatro, afastado de uma companhia que está atualmente presente em palcos como Teatro Folha ou Sesc. 

A rede de mais de uma centena de creches e escolas e de dezenas de espaços culturais públicos e privados (além de centenas de artistas) tem suas próprias dinâmicas. E parcerias são um caminho necessário, inclusive entre as duas unidades dessa plataforma. 

A cidade conta hoje com um Plano Municipal de Educação e também avança com o Sistema Municipal de Cultura. Ambos precisam de atenção dos novos titulares. A perspectiva mais imediata é de aumento da cooperação entre essas unidades, retomando um conceito lançado no início do ano sobre a cidade educadora. 

Mesmo em meio à prioridade de setores como saúde, uma gestão adequada para educação e cultura é reconhecida como base de desenvolvimento.