Festa da Uva dá início à mobilização por Plano de Desenvolvimento Rural

A abertura da 35ª Festa da Uva de Jundiaí na quinta-feira, 19, marcou a convocação de todos os agricultores do município para a elaboração do Plano de Desenvolvimento Rural, um dos instrumentos previstos na lei 8.683 do Plano Diretor.

De acordo com Eduardo Alvarez, gestor da unidade de agricultura e abastecimento da Plataforma de Desenvolvimento Econômico, os produtores rurais serão informados nas próximas semanas sobre as datas de reuniões de diversas comissões relacionadas ao assunto.

“Será o projeto da agricultura da nossa cidade, do cenário atual para o cenário desejável, com mecanismos de curto, médio e longo prazo. E também instrumentos de avaliação de cada um deles para ajustes diante de imprevistos”, afirmou.

Ele também destacou que importantes projetos estão sendo mantidos mas é preciso inovar como em cenários como a crise atual, buscando novas parcerias. Sobre a tarefa, disse que arregaçar mangas para conquistas os sonhos como resultado de trabalho é uma característica dos agricultores.

“No agronegócio, mais do que a competição, o resultado depende de muita cooperação”, destacou.

Alvarez também saudou a festa como uma vitória tanto do próprio setor de agronegócio como da nova administração municipal que viabilizou o evento em apenas dezenove dias e ressaltou parceiros externos como a Coca Cola Femsa, o Bradesco, a Ebone, a Klabin e a organização conjunta com a Associação Agrícola de Jundiaí.

E destacou os parceiros internos, com a força-tarefa das diversas unidades de gestão (antigas secretarias municipais) com destaque também endossado pelo prefeito Luiz Fernando Machado para o trabalho da gestora de turismo, Marcela Moro.

Indicação Geográfica

O gestor também antecipou no evento uma das metas de sua unidade, que é a o registro da indicação geográfica da uva Niagara Rosada em Jundiaí, onde surgiu em 1933 de uma mutação somática da variedade Niagara Branca e tornou a cidade reconhecida nacionalmente depois de um prêmio em exposição internacional no mesmo ano, no Rio de Janeiro.

“É uma uva que vende do Oiapoque ao Chuí com a qualificação de uva de Jundiaí por ser um símbolo de qualidade em seu buquê e doçura característicos”, comentou, lembrando que já participava dessa equipe de trabalho criada há poucos anos e que envolve ainda o apoio da instituição federal Embrapa e de unidades estaduais da Secretaria de Agricultura.

Seguro Agrícola

Ele também lembrou que o subsídio ao seguro agrícola, aprovado pela Câmara Municipal no dia 20 de dezembro, está com inscrições abertas desde o dia 9 de janeiro em um prazo de quarenta dias.

“Estamos recebendo a documentação dos agrícultores e, tão logo tenhamos as condições financeiras, realizaremos os pagamentos”, anunciou.

Turismo

Remetendo a uma frase dita pelo presidente da Associação Agrícola, Renê Tomasetto, ele reforçou que Jundiaí tem “um pé na roça” para lembrar que o turismo na cidade tem crescido em um ritmo bastante acelerado e chegou em 2016 ao patamar de 532 mil turistas durante o ano, sendo de acordo com o setor de turismo formados por metade no turismo de negócios e outra metade no turismo de curta distância (muitas vezes com duração de um dia).

“Temos quatro rotas turísticas rurais atualmente e um grande potencial para a rota histórica, em que vamos depender da Secretaria de Cultura”, afirma.

Plano de Desenvolvimento Rural

De acordo com o artigo 172 do Plano Diretor, o instrumento do Plano de Desenvolvimento Rural deverá conter no mínimo os elementos de

1) diagnóstico socioambiental, econômico e cultural da área rural de Jundiaí, com espacialização dos usos agrícolas e não agrícolas;

2) caracterização das cadeias produtivas existentes e identificação de cadeias produtivas potenciais, bem como as necessidades para a promoção de seu desenvolvimento; e

3) orientações para a destinação de recursos percentuais destinados ao setor no Fundo Municipal de Desenvolvimento Territorial e as parcerias que deverão ser firmadas para garantir o desenvolvimento rural, observado o limite legal do artigo 517 da mesma lei.

Além disso, o plano será elaborado com o acompanhamento do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural.

A importância desse mecanismo é essencial porque, de acordo com essa mesma lei, vai orientar posteriormente também o Plano Municipal de Abastecimento e o Plano Municipal de Soberania e Segurança Alimentar. E vai ajudar também a implementação do Plano Municipal de Turismo (já existente) e o Programa de Pagamento por Prestação de Serviços Ambientais (PSA).

Ao saudar os agricultores, destacou o nome de Roberto Losqui – curiosamente um dos mais ativos delegados do setor durante os debates do Plano Diretor Participativo.

Inovação

Professor e ex-diretor da Escola Técnica Estadual Benedito Storani (ex-Colégio Agrícola de Jundiaí), Alvarez destacou que além do retorno a agricultores vendendo a safra diretamente a consumidores ou a todas as entidades sociais e empreendedores envolvidos na festa, novidades estarão sendo testadas como workshops de uma nova parceria com o que chamou de “restauradores gastronômicos, grandes chefs e someliers, de diversos outros países”, reforçando o turismo etnogastronômico das rotas turísticas.

Coube ao presidente da Associação Agrícola, Renê Tomasetto, destacar o apoio do setor ao novo gestor da área, assim como do setor de turismo.

Já o prefeito Luiz Fernando Machado buscou referendar o motivo da escolha pela conexão entre agricultura e inovação.

“Esta festa não é um ato político mas ato de fomento à agricultura e tivemos esse compromisso de viabilizarmos suas continuidade. E também é um modo de Jundiaí dizer que agricultura e desenvolvimento caminham juntos”, afirmou.

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