Haddad vota pela investigação sobre denúncia de Temer. Mas governo vence

O deputado federal Miguel Haddad (PSDB-SP) votou a favor da investigação sobre Michel Temer na sessão que impediu o prosseguimento da denúncia de corrupção passiva da Procuradoria Geral da República pelo Supremo Tribunal Federal. No instante em que proferiu seu voto, sem discurso, o placar estava em 124 a 92 para os defensores do presidente. O resultado final foi 263 a 227. 

De acordo com a Agência Lupa, que acompanhou a apuração pela Folha, o ex-prefeito Miguel Haddad teve aprovadas emendas de R$ 3,2 milhões em junho e julho. Mas não vinculou esse andamento à sua decisão de voto. Também acompanhou representantes de Jundiaí e do Grendacc (Grupo em Defesa da Criança com Câncer) a uma reunião com Michel Temer para tratar de recursos.

Em sua página nas redes sociais, o parlamentar já havia antecipado seu voto. “Independentemente do partido ou cargo, quem for delatado deve ser investigado. Quem for réu em processo deve ser julgado. E quem for condenado deve ser preso”, escreveu.

A postura, entretanto, não muda na agenda política. Ele lembra que votou a favor de todas as medidas que contribuíram “para evitar o caos econômico, fruto da irresponsabilidade dos dirigentes petistas” (incluído o impeachment) e que as mudanças que o presidente Temer realizou na economia “tem que prosseguir, seja qual for o governante”.

Votação na Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados rejeitou a denúncia contra o presidente Michel Temer. 

Eram necessários o mínimo de 342 votos contra o parecer do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) e, com isso, autorizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o presidente. Com o resultado, a Câmara não aprova a admissibilidade para que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue Temer.

Com essa decisão, a denúncia é suspensa e só pode ser retomada depois que Temer deixar a Presidência da República. No dia 26 de junho, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao STF a denúncia contra Temer, com base na delação premiada de Joesley Batista, dono do grupo JBS. Foi a primeira vez que um presidente da República foi alvo de um pedido de investigação no exercício do mandato.

Três dias depois, a presidente do STF, ministra Cármem Lúcia, enviou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a denúncia com pedido de autorização para que a Corte Máxima do país possa investigar Temer.

Com o impedimento da autorização, caberá ao presidente da Câmara dos Deputados comunicar ao STF o resultado da votação e a impossibilidade de abrir investigação contra o presidente.