Exame diz que Foxconn está longe de cumprir acordo

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Uma reportagem de Felipe Zmoginski, da revista Info Exame, detona o acordo feito entre o governo federal e a Foxconn para a operação da primeira fábrica de iPhones e iPads construída fora da China.

E ainda traça um retrato pouco lisonjeiro das condições de trabalho e da região onde a fábrica está instalada em Jundiaí.

O texto chama o Engordadouro de “o novo bairro operário da cidade” e diz parte dos 2 mil funcionários da empresa segue para o trabalho, antes do dia clarear, em ônibus com mais de 20 anos de uso que trafegam por “ruelas lamacentas”.

A reportagem diz ainda que a produção não chega a 30% da capacidade instalada nos galpões da Foxconn II. Segundo explica Evandro dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, ao repórter, a fábrica está em plena expansão.

“A produção de iPhones começou em outubro do ano passado e a de iPads em maio de 2012. Muitas máquinas ainda estão sendo instaladas e as contratações são feitas de forma acelerada”, diz Santos. O sindicalista, porém, não conhece o interior dos galpões da Foxconn II.

Como acontece em todas as fábricas da Foxconn no mundo, o acesso é restrito e o esforço para preservar os segredos industriais é imenso, diz a revista.

A reportagem afirma que segredos e crises com funcionários são marcas da Foxconn em todo o mundo.

Em Jundiaí não foi diferente, pelo menos no início da operação. “Houve falta de água, alimentação deficiente e transporte insatisfatório”, diz o sindicalista Evandro Santos.

Apesar das queixas dos trabalhadores, os quase 3 mil empregos gerados, com salário médio de 1150 reais, são, até agora, a única parte palpável do festejado acordo fechado em Pequim, no ano de 2011, entre a presidente Dilma Rousseff e Terry Goe, o fundador da Foxconn.

Único porta-voz da empresa, que criou nos anos 80, em Taiwan, Goe tornou-se conhecido no mundo todo, em 2009, quando a Foxconn foi acusada de exploração dos operários na China, que resultou em 16 suicídios de trabalhadores, diz o texto.

Em meio à crise, Goe decidiu que era hora de falar. Mas nas poucas entrevistas que concedeu, em nada contribuiu para melhorar a imagem de sua empresa.

Goe já comparou a força de trabalho da Foxconn a “1 milhão de animais”, que lhe causam “dores de cabeça”.

Sobrou até para os trabalhadores da empresa no Brasil, uma turma que “ganha muito e trabalha pouco”, relata a revista Exame.

A principal crítica da revista é o acordo feito pela presidente Dilma Roussef, que prometeu pesados incentivos fiscais para que Goe fizesse a instalação da fábrica no Brasil.

Goe teria dito em Pequim que investiria 12 bilhões de dólares até 2015 no Brasil, geraria 100 mil empregos diretos, sendo 20 mil postos para engenheiros, iria transferir tecnologia e abrir no país sua primeira fábrica de telas de cristal líquido das Américas.

O ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Aloízio Mercadante chegou a anunciar que tablets made in Brazil chegariam com preços 30% menores para o consumidor final, lembra a revista Exame.

Hugo Valério, diretor da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), classifica como “exageradas” as promessas de Mercadante.

Segundo a revista, o secretário-executivo do ministério da Ciência e Tecnologia, Virgílio Almeida, disse que é precipitado considerar o acordo com a Foxconn um fracasso.

Segundo Almeida, os incentivos fiscais são temporários e, nos próximos anos, a Foxconn será obrigada a aumentar a presença de itens nacionais nos iPads e iPhones que produz aqui.

“Em 2015, até 50% dos componentes devem ter fabricação nacional, o que aquecerá todo o setor”, diz Almeida. Ele acredita que o nível de qualidade exigido pela Apple de seus fornecedores sofisticará a indústria brasileira.

Além da Foxconn II e da unidade de armazenamento Apple, na Anhanguera, a empresa mantém uma fábrica de peças para notebooks Dell na rodovia dos Bandeirantes, também em Jundiaí, uma integradora de computadores em Manaus e uma fábrica de peças para celulares, em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo.

Juntas, todas elas não somam dez mil empregos. Para cumprir a promessa feita por Dilma e Terry Goe na China, faltam ainda 90 mil postos de trabalho, diz a reportagem.

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