Luiz Fernando assume e cria gabinete de gestão da crise na saúde

A primeira ação do governo Luiz Fernando Machado, às 8h30 desta segunda-feira, 2 da janeiro, será a instalação de um gabinete de crise focado na área de saúde.

Segundo ele, são cerca de R$ 70 milhões em débito com fornecedores e há uma ansiedade muito grande por parte de fornecedores especialmente da área de saúde, como do Hospital São Vicente, por isso o primeiro ponto de atenção será a saúde.

Luiz Fernando Machado foi empossado na manhã deste domingo, 1 de janeiro na Câmara Municipal e, sem seguida fez a transição de cargo no gabinte do Prefeito no Paço Municipal.

Poucos representantes do governo anterior acompanharam o ex-prefeito Pedro Bigardi no momento da transição.

Em uma entrevista ao Oa logo depois de ocupar pela primeira vez a cadeira de prefeito, Luiz Fernando Machado voltou a criticar a gestão financeira da administração Bigardi e prometeu focar seus esforços nos primeiros dias de governo na solução da crise especialmente da área de saúde.

Uma vez empossado, quais são suas primeiras providências?

As providências estão todas no sentido de verificar quais são os recursos que ingressam em janeiro na Prefeitura, porque há repasses que são feitos durante todo o mês, para estabilizar a crise financeira que hoje a Prefeitura de encontra.

São cerca de R$ 70 milhões em débito com fornecedores, há uma ansiedade muito grande de fornecedores por exemplo da área de saúde como do Hospital São Vicente, de ver a solução da crise sendo encontrada.

Então a primeira medida amanhã é justamente tomar conta deste aspecto financeiro.

Não há dinheiro para pagamentos dos professores e nem para o repasse do Hospital São Vicente?

Não há previsão no orçamento, então não foi previsto para o ano de 2017 tanto a área de saúde, o repasse do São Vicente de R$ 5,5 milhões, e também as férias dos professores de cerca de R$ 19 milhões. Caso em janeiro nos ampliarmos o volume de arrecadação aí sim nós vamos poder honrar nossos compromissos.

Por enquanto não há essa previsão?

Não há.

Além disso, nessa reorganização administrativa que o senhor está propondo, isso efetivamente traz uma economia para o município? De quanto?

A economia será dada quando eliminarmos cargos comissionados, eliminarmos as antigas secretarias e canalizarmos todos esses esforços para o orçamento da saúde, que é o meu compromisso. Mas a própria redução daria uma economia em média de R$ 4,5 milhões por ano, então é uma economia substancial.

Mas na prática hoje são cerca de 450 cargos e o senhor está pensando em trabalhar com 400. Não é tão menos assim.

Na realidade são 453 cargos comissionados e algumas secretarias funcionando com base em cargos comissionados. Vou dar um exemplo: os 20 administradores de centros esportivos da cidade são servidores comissionados, servidores cedidos da Prefeitura para outros poderes.

Temos comissionados no Judiciário, na Polícia Civil e em muitos espaços onde o Estado são encaminha seus servidores e o município termina socorrendo. Então a idéia do cargo comissionado é que ele seja dado por sua atribuições.

O artigo 37 da Constituição diz: chefia, assessoramento e direção. Até porque há uma ação judicial em curso, promovido pela Procuradoria Geral de Justiça a criação desses cargos. Nós vamos precisar fazer, por obrigação um estudo.

O senhor pretende fazer concurso público para esses cargos?

Essas são áreas que você pode aproveitar o próprio servidor que aqui está. Não necessariamente novos concursos, apesar de termos a necessidade de novos concursos, mas estou falando de aproveitar aqueles que estão em função restrita e que podem ser muito bem aproveitados em áreas administrativas, com visibilidade inclusive.

Outra coisa que o senhor disse: é possível mesmo aumentar o repasse do Estado para a área de saúde?

Eu acredito que sim. A cidade de Jundiaí é a única cidade onde existe o programa Santa Casa Sustentável passiva de recebimento que ainda não recebe. Então nós estamos fazendo já todos os esforços, na transição já fizemos todas as tratativas pra o quanto antes nós recebermos o valor, por exemplo, do Santa Casa Sustentável.

Isso também pode se refletir no Hospital Regional?

Sem dúvida.

De que forma?

Tem que refletir no Hospital Regional. O Hospital Regional não pode funcionar na capacidade que está ociosa. 40% está absolutamente desativado. Então quando você credencia a alta complexidade para o Hospital São Vicente e dirige a média complexidade para o regional, você dá uma maior ocupação ao regional. Essa organização do paciente de alta, média e baixa complexidade nós precisamos fazer para poder encontrar recursos suficientes para financiar essas três esferas da saúde.

O senhor colocou como responsável pela área de saúde uma pessoa que vem da iniciativa privada (Vagner Vilela, do grupo Sobam). Por que?

Porque acredito que o modelo de gestão que deva ser dado a um hospital é um modelo privado. Por que nós vamos entender que o modelo de gestão hospitalar, compra de medicamentos, compra de equipamentos, insumos básicos não pode ser tratados como o privado trata, via uma central de compras regulamentada em que o Brasil inteiro compete para oferecer menores preços? Por que a prática pública não deve ser equiparada às práticas privadas.

Escolhi um gestor que tem capacidade de montar uma equipe que entenda de SUS e que tenha também competência para fazer gestão hospitalar. Hoje nosso grave problema está no Hospital São Vicente.

O problema do São Vicente é um problema de gestão hospitalar?

Não tenho dúvida. O problema do Hospital São Vicente é um problema de gestão. É um hospital que hoje tem mais de 2.400 funcionários. Um hospital que gastava em 2013 de oito a dez milhões de reais mensalmente e hoje gasta $ 14 milhões. E quando você pega a taxa de atendimento e ocupação ela caiu. E por que aumentou o custo?

Quais serão seus primeiros atos amanhã?

A instação, 8h30 da manhã, de um gabinete de crise pra tratar do Hospital São Vicente. Amanhã nós iniciamos com a pauta da saúde na nossa frente.

 

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