Mapa “desvia” Jundiaí da tragédia brasileira da violência

Com 7.7 mortes para cada 100 mil habitantes, Jundiaí escapou da tragédia brasileira mostrada no Atlas da Violência 2017, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados do ano retrasado.

Com 28 homicídios e 3 mortes violentas por causa indeterminada (MVCI), é o oitavo menor índice proporcional entre as 304 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Mas é preciso lembrar, entretanto, que outras 5.270 cidades são menores que essa categoria e, portanto, não entraram na lista.

Os números absolutos são mais impressionantes. Os 28 casos de homicídio em Jundiaí podem ser comparados aos 59.080 homicídios registrados no Brasil em 2015 (dez anos antes eram 48.136), chegando a uma alarmante taxa nacional de 28,9.

O estudo não diz em quais das 5.270 cidades menores esse índice mais recente foi zero. Mas informa que, entre as 304 cidades selecionadas pela população acima de 100 mil habitantes menos da metade delas (111) respondiam  no ano retrasado por metade desses homicídios – ou quase 30 mil mortes violentas.

O crescimento descontrolado de cidades é uma evidência de riscos no caso de Altamira (PA), que multiplicou a população por causa das polêmicas obras da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, chegou ao grupo dos 100 mil habitantes e teve 114 homicídios e 2 MVCI com taxa de 107.

As tabelas conjuntas são importantes porque Barreiras (BA), com apenas um homicídio estaria entre as cidades mais pacíficas, mas ao somar 119 MVCI atinge a taxa de 77,3, figurando entre as mais violentas.   

O retrato da pesquisa de 2015 é ainda anterior ao agravamento da crise econômica no ano passado. Em Jundiaí, o prefeito era Pedro Bigardi (que reforçou a Guarda Municipal, assim como o atual Luiz Fernando Machado antes, como vice) e o governador estadual já era Geraldo Alckmin (que administra a Polícia Civil e a Polícia Militar).

O grupo de 304 selecionados pelo tamanho é liderado no ranking pelo lado “pacífico” por Jaraguá do Sul (SC), com 3,7, seguido por Brusque (SC) com 4,1, Americana (SP) com 4,8, Jaú (SP) com 6,3, Araxá (MG) com 6,8, Botucatu (SP) com 7,2 e Bragança Paulista (SP) com 7,6 antes de Jundiaí, em oitavo.

Causas da violência – O estudo do IPEA utiliza apenas mortes violentas, o que não abrange a insegurança gerada por outras atividades crescentes como os furtos e os roubos. Mas sugere três aspectos ligados a essa dinâmica.

O primeiro, mais óbvio, é o mercado de trabalho (onde cada 1% de redução da taxa de desemprego provoca queda de 2,1% na taxa de homicídio).

O segundo, mais complexo, é que o aumento de renda nas cidades atrai o surgimento de mercados ilícitos, como ocorreu em diversas cidades do Norte e Nordeste.

E o terceiro, bastante visível, está nas transformações urbanas e sociais sem as devidas políticas públicas preventivas e de controle (ordenamento urbano, educação, assistência social, cultura e saúde).  

O trabalho também mostra que 71 de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil são negras, especialmente entre os homens jovens que formam 92% do total de homicídios.

Cidades “zero” – Entre 2008 e 2012, último ano de dados disponíveis do Ministério da Saúde com todos os municípios, 684 cidades passaram cinco anos sem registrar nenhum assassinato. A maioria (92%) era de população abaixo dos 10 mil habitantes. Se ainda fosse usado, Jundiaí talvez caísse para 700º ou 750º lugar.

A curiosidade foi apontada em outra edição do trabalho (Mapa da Violência 2014) e disassocia a relação direta entre tamanho da cidade ou pobreza com criminalidade extrema.

As taxas no grupo das cidades maiores apresentam queda no Estado de São Paulo e boa presença no ranking selecionado, mas o estudo aponta necessidade de aprimoramento de uso da força policial.

Por outro lado, praticamente não há cidades paulistas no grupo das cidades de violência zero, embora com diversas mineiras, catarinenses e ao norte, nordeste e centro-oeste.

Se quiser conferir o estudo na íntegra, clique aqui

 

 

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