Mobilização no São Vicente é mais um lance no jogo de empurra

A mobilização de funcionários do Hospital São Vicente de Paulo iniciada na manhã desta terça-feira, 13, é mais uma etapa do jogo de empurra entre a direção do hospital e a Prefeitura de Jundiaí, uma queda de braço que vem ao longo de toda administração mas se agravou nos últimos anos.

E que, no final das contas, só prejudica a quem precisa do hospital.

Os funcionários exigem o pagamento da segunda parcela do 13 salário — o hospital só pagou 30% do valor.

Em nota divulgada depois de uma reunião com representantes dos funcionários e sindicalistas pela manhã, a direção do hospital disse que não há previsão de repasse de recursos da Prefeitura para o hospital.

Mas convocou a imprensa para uma entrevista na quinta-feira, 15, onde pretende explicar quais as providências serão tomadas para resolver a situação do hospital.

Segundo a nota, no mês de novembro a diretoria recorreu a um plano de ação, reduzindo em 50% o quadro de médicos atuando no Pronto Atendimento, serviço realizado por empresa terceirizada, e efetuando o cancelamento das cirurgias eletivas, com exceção das cirurgias oncológicas, assim como foram reduzidos em 50% o salário dos médicos e da administração da instituição.

“Muito embora a direção esteja realizando todos os esforços, é impossível sem o envio de recursos necessários, manter o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo em pleno funcionamento, tendo inclusive recorrido ao Ministério Público, demonstrando a preocupação com pacientes e funcionários”, explica Dr. Francisco Claro, Superintendente, em comunicado.

A Prefeitura de Jundiaí explica que tem conhecimento que o Hospital São Vicente não repassou parte do 13º salário que seria pago em duas datas – 50% em 30/11 e 50% em 20/12. O pagamento em 30/11 só contemplou 30% do 13º salário.

Contudo, afirma, não há atraso de repasse por parte da Prefeitura. Muito pelo contrário, a Prefeitura fez todo o repasse do convênio de 2016, antecipando as parcelas mensais.

Em novembro, a Prefeitura aditou o convênio, ou seja, aumentou mais R$ 28 milhões para cobrir o déficit causado pela ausência de repasses do Governo Federal (Teto Mac) e Governo Estadual (Programa Santa Casa Sustentável).

Destes R$ 28 milhões, já foram repassados antecipadamente R$ 21 milhões. Inclusive para o pagamento dos salários na última semana, o que foi feito pela administração do hospital, e no dia 30/11 para o pagamento do 13º salário.

Porém, a direção do hospital alegou que utilizou parte dos recursos para outras urgências.

A Prefeitura reafirma que o restante do aditamento do convênio, de aproximadamente R$ 7 milhões, vai ser repassado até o final de dezembro, conforme estabelecido no convênio.

O Sinsaúde, sindicato da categoria, está convocando os funcionários para uma passeata nesta quarta-feira, 14, saindo do Hospital São Vicente às 10 horas e indo até a Prefeitura.

Na lista de funcionários que aderiram à mobilização, apenas 40 nomes, dos 2.200 trabalhadores no local. Os serviços para a população estão mantidos, mas os funcionários impedem o trânsito na rua Jorge Zolner onde estão concentrados.

“Os coordenadores pressionam. Dizem que vão punir quem faltar. Mas a direção apóia o movimento porque precisa de mais verbas para pagar os funcionários”, disse Juliana Rodrigues, diretora do Sinsaúde da sub-sede em Jundiaí.

VEJA ENTREVISTA

Prefeito Pedro Bigardi explica todas as verbas já repassadas ao São Vicente

https://www.facebook.com/oajundiai/videos/750784295077376/

 

 

 

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