As mortes violentas na cidade baixaram de 35 em 2007 para 26 em 2016 e para 14 casos até agosto em 2017, na soma de homicídios e vítimas em roubos. O número relativo (proporcional ao crescimento da população) é ainda mais significativo.

Mas outros fatores preocupam. Os números de vítimas no trânsito (que envolvem também gente de outras cidades por causa da rede de rodovias que cruzam a cidade) permanecem praticamente no mesmo nível ao longo de dez anos. Foram 69 vítimas em 2007, 61 em 2016 e já chegaram a 55 em oito meses deste ano.

O perfil, entretanto, tem mudado. Os moradores da cidade apontam nas ruas o aumento do percentual dentro desses números envolvendo ciclistas, ainda sem a rede de ciclovias ou ciclorrotas prevista e que continua fora das metas do PPA 2018-2021.

Uso de ameaça cresceu – Se as mortes diminuíram e podem ser orientadas nessa tendência, os roubos (que diferente dos furtos envolvem a ameaça física) saltaram de 610 em 2007 para assustadores 2.377 em 2016, mas caindo na parcial de oito meses deste ano para 1.234.

O uso da ameaça, que aumenta a sensação de insegurança, foi o que mudou no comportamento dos criminosos. Os furtos, por exemplo, ficaram praticamente na mesma em dez anos – passando de 5.343 em 2007 para 5.015 e caindo na parcial de oito meses deste ano para 3.293.

No trânsito, praticamente todos os motoristas que causam acidentes com pessoas feridas, inclusive ciclistas e pedestres, nas ruas ou rodovias sempre entram nos casos chamados de lesão corporal culposa (sem intenção). O número baixou de 1.624 vítimas em 2007 para 953 em 2016, mas atingindo em apenas oito meses deste ano a faixa de 566.

Este é outro tema onde a análise de casos envolvendo ciclistas pode reforçar o estudo de medidas preventivas.

Direitos – As estatísticas estaduais do setor de segurança pública (SSP) não envolvem apenas fatos brutos, mas também o avanço da consciência de direitos. O grande salto de estupros denunciados de 24 casos em 2007 para 86 em 2016 (com 77 neste ano, apenas entre janeiro e agosto) pode indicar também uma maior conscientização de direitos por parte das vítimas, fruto dos movimentos sociais ligados às mulheres, à diversidade sexual e à própria justiça.  Mas segue sendo um sintoma preocupante também. 

Um dado estranho é a ausência das ocorrências ambientais no quadro de estatísticas. 

Foto by Jornal da Região