O candidato a vice-prefeito pela coligação “Pra Avançar e Fazer Futuro”, José Antonio Parimoschi, tomou um susto semana passada ao perceber o grau de conscientização de uma menina de apenas 10 anos.

Foi durante uma visita de campanha no bairro Cidade Nova, quando ouviu de Mayane Laila da Silva Santos, a pergunta: “é verdade que 70% das áreas da Serra do Japi são particulares?”

O candidato compartilhou a história no Facebook, onde logo foi questionado por diversos seguidores. E aí, o que você respondeu?

“Eu respondi a ela que era quase isso, mas um pouco mais, cerca de 90% das áreas ainda são particulares, mas que a Prefeitura tem um fundo e está usando os recursos para desapropriar essas áreas, ano após ano para integrarem a área da reserva”, respondeu no Facebook.

Decidi conversar com Mayane pra entender como esse tipo de assunto estava presente na cabeça dela.

Falei com o Parimoschi e ele não sabia o nome da menina. “Sei que estuda no Bairro da Toca”.

Com a foto da menina em mãos fui até a Emeb (Escola Municipal de Ensino Básico) Duílio Maziero, no Bairro da Toca, na terça-feira (21) onde a diretora Rosana Branco identificou Mayane Laila da Silva Santos, do 5º ano B.

Combinei de voltar na quinta-feira (23) pela manhã para conversar com Mayane. E ao chegar o que vi foi algo mais do que uma garota interessada em questões ambientais, mas uma classe inteira muito ligada na preservação da natureza.

O que era para ser uma conversa apenas, transformou-se num grande bate-papo com alunos e a professora Kátia Aparecida Simonetti Fernandes.

Meio ambiente é parte do currículo da Emeb. E a Serra do Japi é o campo de estudos da 5º ano B.

Já no primeiro contato com a classe fiquei eu também surpreso quando os alunos responderam a uma pergunta da professora: quem é o maior inimigo da Serra do Japi?

“O mercado imobiliário”, responderam em coro.

Segundo a professora, o 5º ano B escolheu o tema “Preservação da Serra do Japi, Um Sonho a Ser Alcançado” como forma de mostrar às crianças a importância da Serra do Japi para as futuras gerações.

Segundo o folder da escola, a Serra do Japi tem sofrido degradação e está ameaçada pela invasão imobiliária, poluição e incêndios.

“Precisamos aprender e conscientizar as pessoas para não poluírem e devastarem esse nosso valioso patrimônio”, ensina.

Perguntei então quem gostaria de gravar um depoimento para que os políticos em tempos de eleição e a população pudessem ouvir o que eles pensam a respeito da preservação da Serra do Japi.

O resultado você acompanha abaixo. São depoimentos que mostram de forma inequívoca o quanto a questão ambiental e da qualidade de vida está presente na cabeça desses pequenos.

Nem tão pequenos assim. Em seis anos eles estarão aptos a votar e a escolher os futuros governantes da cidade e do País.

Gravei primeiro com Mayane, a menina que fez a pergunta ao candidato.

E em seguida com seus colegas de classe.

A ligação da escola com o meio ambiente vem da própria origem, o Bairro da Toca, um dos muitos agradáveis recantos da Zona Rural da Jundiaí. A Emeb Duílio Maziero fica próxima do rio Jundiaí-Mirim, que costuma alagar em época de chuvas, impedindo o caminho dos estudantes.

A diretora Rosana Branco, a coordenadora Juliana Mendes e outros professores procuraram a DAE SA, empresa responsável pelo abastecimento de água da cidade, para tentar encontrar uma forma de minimizar o problema, uma vez que o rio Jundiaí-Mirim é a principal fonte de água para Jundiaí.

O movimento gerou ainda mais conscientização e a escola fez uma parceria com a organização não-governamental Mata Ciliar e criou uma mini-ong com a participação dos alunos. A ong mirim mantém o blog Defensores dos Mananciais.

A Emeb é o que se pode chamar de uma escola impecável, com instalações muitos boas e bem conservadas e se pode perceber um clima de alegria entre estudantes e servidores.

Depois da gravação em sala de aula os próprios estudantes deram a ideia de fazer uma foto na área externa e gravar um video com todos juntos. A foto está na abertura da reportagem e o video você vê aqui.

É um recado claro não apenas ao candidato a vice-prefeito, que ouviu a pergunta da Mayane, mas a todos os políticos jundiaienses que buscam um lugar na Prefeitura ou na Câmara Municipal: o assunto Serra do Japi está presente de forma definitiva e profunda na cabeça desses pequenos.

E num nível que vai muito além de borboletas e bichinhos. Eles sabem que preservar a Serra do Japi significa estabelecer limites para o crescimento. Se alguém tiver alguma dúvida basta conferir o depoimento de cada um deles.

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