A cidade definiu seu prefeito por 11,7% do eleitorado total

Por José Arnaldo de Oliveira

Em Jundiaí (SP), terra da Serra do Japi, da uva Niagara Rosada e de 360 anos de história, o deputado estadual Luiz Fernando Machado (PSDB) acaba de ser eleito por 116.019 votos, correspondente a 39,97% do eleitorado local.

O prefeito Pedro Bigardi (PSD) teve 82.044 votos, correspondente a 28,26% do eleitorado local. Os demais 31,77% ficaram com a soma ausências, brancos e nulos.

Na proporção de votos válidos, que são os 68,23% que contam para a apuração, Luiz ficou com 58,58% e Pedro com 41,42%, com uma diferença de 33.975 votos entre eles, uma diferença de 17,16% do eleitorado parcial dos válidos. Mas, na verdade, a decisão foi definida por apenas 11,7% do eleitorado total..

Com o resultado o PSDB volta em janeiro de 2017 ao comando que ocupou na cidade por vinte anos entre 1992 e 2012 e amplia a escalada do governador Geraldo Alckmin no Estado de São Paulo em um partido que tem sua presidência estadual com o deputado federal Miguel Haddad, ex-prefeito de Jundiaí.

Configuração

Com a Prefeitura comandada pelo prefeito Luiz Fernado (PSDB) e o vice-prefeito Antonio Pacheco (PV), a montagem no modelo brasileiro de governo de coalizão vai encontrar uma Câmara Municipal com mais partidos para os acordos de governança.

São três vereadores do PSDB, dois do PSD, dois do PPS, dois do PTB, dois do PR, um do PV, um do PDT, um do PMDB, um do PHS, um do PP, um do PROS e um do PRB. Suas bancadas são ocupadas respectivamente por Gustavo Martinelli, Rafael Antonucci, Faouaz Taha, Cristiano Lopes e Edicarlos Vieira, Wagner Ligabó e Paulo Sérgio Martins, Marcelo Gastaldo e Valdeci Delano, Romildo Antonio e Dika Xique Xique, Leandro Palmarini, Arnaldo da Farmácia, Márcio Cabeleireiro, Rogério Ricardo, Douglas Medeiros, Cícero da Saúde e Roberto Conde.

Outros partidos que já tiveram assentos no Legislativo como PT, PCdoB ou PSDC não elegeram representantes com as novas regras eleitorais. O único vereador que não concorreu neste ano, José Braga Galvão Campos (Tico), é previsto para algum cargo de influência no novo governo. Outros nomes conhecidos também devem retornar.

Legado

O governo de Luiz Fernando deve ser beneficiado por receber muitas obras e projetos em andamento até dezembro no governo Bigardi (como no caso das alças da rodovia Anhanguera ou dos quatro mini-hospitais, as UPAs), mas também terá uma curta lua de mel com a opinião pública em campos delicados como a saúde, que em todo o Brasil vive os efeitos da crise pela chegada de milhões de novos pacientes ao sistema público com o cancelamento de seus planos privados.

A crise econômica e política do país, inclusive, foi o pano de fundo enfrentado pelo governo Pedro Bigardi desde 2013, quando foi surpreendido pelas manifestações de julho que chegaram à cidade com reivindicações de todos os tipos e segmentos.

A partir de 2014, o direcionamento dos protestos mais à direita levou ao longo processo social e político que resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mesmo tendo saído do PT há dez anos, elegendo-se pelo PCdoB e depois partindo para o PSD, sua trajetória foi associada pela oposição ao cenário nacional. Fora isso, foi um ano péssimo para a maioria dos que tentaram a reeleição.

No plano municipal, entretanto, uma longa lista de realizações na cidade em todos os setores e bairros explica sua derrota para o novo governo do PSDB por apenas 33.975 votos em um colégio eleitoral de 290.278 eleitores.

O atraso de algumas obras, no contexto de crise administrada sem grandes abalos orçamentários até o momento, também explica o realismo do candidato eleito na inclusão de continuidade de diversos desses projetos – que afinal são da municipalidade e não apenas deste ou daquele partido – no seu plano de governo.

Mas que devem dar um bônus ao governante que os concluir, dentro de um quadro geral de alerta em todo o Brasil e mesmo no Estado de São Paulo, que até uma revista insuspeita de esquerdismo (a Veja, da Editora Abril) aponta nesta semana como líder no déficit da previdência dos servidores no país.

Uma transição civilizada, como a que está sendo feita na capital entre o prefeito Fernando Haddad e o eleito João Dória, é o que pode ser prevista em Jundiaí entre o prefeito Pedro Bigardi e o eleito Luiz Fernando Machado.

Ainda restam dois meses para Bigardi concluir seu mandato. Mas já no primeiro semestre de 2017, o plano de campanha do eleito deve ser transformado obrigatoriamente (por lei municipal) em plano de metas. Segue o link.
www.luizfernando45.com.br/PROGRAMA-DE-GOVERNO-LUIZ-FERNANDO…