Presidente do PT explica porque o partido decidiu ficar neutro

O presidente do Partidos dos Trabalhadores, Arthur Augusto, explica porque o partido decidiu ficar neutro na disputa do segundo turno para a Prefeitura de Jundiaí, mesmo com muitos filiados ainda trabalhando na administração Pedro Bigardi.

Para Arthur Augusto, o projeto político concebido e idealizado para as eleições de 2012 finda em dezembro, e alguns filiados do partido continuam trabalhando para consolidar as políticas públicas criadas com a participação do PT durante o governo Bigardi.

Segundo nota divulgada pelo partido, o PT não vai apoiar nem Luiz Fernando Machado, do PSDB, nem Pedro Bigardi, do PSD, no segundo turno das eleições municipais.

Oa nas eleições. PT decide pela neutralidade na disputa do segundo turno

Leia e entrevista do presidente do PT.

O PT decidiu não apoiar nem Luiz Fernando, o que seria óbvio, nem Pedro Bigardi, com o qual chegou à Prefeitura em 2012 e até hoje tem filiados importantes fazendo parte da administração. Como dizer que não apóia Bigardi fazendo parte do atual governo?

A posição do Partido dos Trabalhadores é de não apoiar o Pedro, muito menos Luiz Fernando, em virtude de não reconhecer em seus programas de governo que estão apresentando a sociedade no segundo turno algo que represente os ideais e a vontade dos filiados do partido. O projeto politico concebido e idealizado com o qual o PT foi eleito em 2012 finda em dezembro. E alguns filiados do PT estão justamente executando politicas públicas importantes, consagradas nesse período e fruto do plano de metas, que nada mais é o programa de governo vitorioso em 2012, que reitero foi construído com a participação intensa dos filiados do PT.

O PT recomenda, segundo a nota, que seus filiados não manifestem suas preferências nem pelas redes sociais. Mas, de certa forma, libera os filiados a votar em quem lhes convier. Qual a razão de não permitir o apoio aberto?

A posição do Partido dos Trabalhadores foi fruto do debate intenso entre os filiados e dirigentes. Compreendemos que representação do Partido são seus filiados. Portanto, do momento que o partido se posiciona politicamente como aconteceu, é natural que a orientação para o conjunto da militância seja idêntica. O Partido não apoiará nenhuma das candidaturas, logo seus filiados também não deverão apoiar. Quanto ao voto nos consagramos ele secreto e importante para democracia, então individualmente, claramente sem representar uma posição partidária, filiados e filiadas têm a liberdade para escolher e votar de acordo com sua consciência.

O PT fez e faz parte da administração Bigardi, mas o prefeito depois que mudou para o PSD não buscou o apoio do partido nem para o primeiro turno e nem pro segundo. O que deu errado?

Não compreendo como erro. É preciso buscar na história da politica de Jundiaí. O Partido dos Trabalhadores sempre apresentou seu próprio projeto politico para sociedade nas eleições municipais, apenas em 2012 que resolvemos apoiar outra candidatura. Estar junto em um projeto politico requer sinergia entre projetos políticos e semelhanças ideológicas. Ocorre que o PT resolveu apresentar seu próprio projeto, apresentando um programa de governo que atendesse de fato os anseios da sociedade jundiaiense, diminuindo a desigualdade social e econômica que existe. E em comparação a qualquer programa de governo apresentado pelas outras candidaturas não temos dúvidas que foi o mais ousado e em sintonia com os anseios da Jundiaí de todas as Gentes.

Como explicar a forte participação do partido em áreas como Plano Diretor, Habitação, Semads, entre outros e ao mesmo tempo ficar de fora da composição político-partidária na eleição?

É do sistema politico que em cada eleição os partidos procurem o que melhor representa seus interesses e o Partido dos Trabalhadores, justamente pelos avanços nas áreas sociais, habitação, planejamento, saúde e educação, decidiu apresentar suas propostas para os jundiaienses, além de fazer a defesa do partido em Jundiaí e denunciar o Golpe parlamentar, midiático e jurídico.

As eleições municipais acontecem em um momento onde o Partido dos Trabalhadores perde força no cenário nacional. Como avaliar o processo eleitoral em Jundiaí diante desse cenário?

O processo eleitoral em Jundiaí,  assim como em todo o Brasil, transcorreu sob um cenário caracterizado pelo massacre jurídico-midiático, que foi patrocinado e articulado por setores da direita brasileira, tendo como objetivo atacar o Partido dos Trabalhadores e as conquistas por ele implementadas e defendidas em seus governos. Ataques orquestrados que, sim, influenciaram decisivamente na formação de opinião do eleitorado, interferindo de forma categórica e indesmentível no resultado do processo democrático.
Esse processo de desconstrução sistemática, levado a cabo há anos por esses mesmos setores, interferiu sobremaneira no resultado, fazendo com que nossa candidatura, apesar de apresentar programa de governo ousado, como Tarifa Zero nos Transportes, Tarifa Justa na Água, Orçamento Participativo, Guarda Comunitária, empresa pública de transporte, dentre outras tantas importantes propostas, não chegasse ao segundo turno.

E qual o caminho para que o Partido dos Trabalhadores continue a ser relevante?

O Partido dos Trabalhadores não nasceu dentro de gabinetes ou de mandatos. Portanto, o processo de organização do partido passará por dialogar com os movimentos sociais organizados ou não, defender intrinsecamente os direitos dos trabalhadores que esse governo golpista quer tirar. Seguiremos firmes no papel de fiscalizar os órgãos públicos, discutir e propor projetos junto à população e na construção de uma cidade mais justa e humanitária.

O PT perdeu espaço na Câmara Municipal e seu candidato ficou em quarto lugar na disputa para a Prefeitura. Qual será o futuro do partido? Como pretende se reorganizar?

Lamentamos o fato de não conseguirmos a representação na Câmara Municipal, muito embora o atual vereador e melhor avaliado pelo Voto Consciente, o companheiro Paulo Malerba, tenha sido o sétimo mais votado em Jundiaí, o atual sistema eleitoral não permitiu que assumisse uma das 19 cadeiras.  Portanto percebemos que a reforma eleitoral e politica se faz cada dia mais importante no sistema vigente. Porém o partido se reorganizará e voltará mais forte nas próximas eleições .