PSOL cresce e quase se iguala ao PT na votação para prefeito

Se levarmos em consideração a votação para prefeito de Jundiaí, o PSOL está, praticamente, com o mesmo tamanho do PT na cidade. Paulo Taffarello, obteve 3.211 votos, apenas 626 votos a menos que Marilena Negro, candidato do PT.

E não só porque a votação do PT caiu muito. O número de votos do PSOL cresceu bastante. Nas eleições de 2012, Vanderlei Victorino, o BA, teve 1368 votos. Agora, Taffarello obteve 135% a mais.

Para o Legislativo, o crescimento do número de votos foi de 185%.

O PSOL decide nesta terça-feira (4), se vai apoiar um dos dois candidatos no segundo turno. Acompanhe a entrevista com Paulo Taffarello.

Como você vê esse crescimento do PSOL?

Estamos muito orgulhosos do nosso desempenho, foi a maior votação da história do partido na cidade, principalmente se compararmos ainda o volume gasto por outras candidaturas. Mas o principal mesmo é o saldo político. Nunca enxergamos a eleição como um fim, e sim um meio para expormos nossas ideias. Mantivemos a coerência do início ao fim e a tendência é crescermos cada vez mais na cidade.

Hoje são quantos filiados? Como você mede o tamanho e importância do partido depois das eleições?

Estamos com aproximadamente 100 filiados, e a procura durante e logo após o processo eleitoral se intensificou. Após o segundo turno faremos um balanço das eleições e uma campanha de filiação. Nosso voto foi crítico e consciente, e é isso que desejamos nos nossos quadros. Acredito que a esquerda na cidade passará por um novo ciclo a partir de agora, e o PSOL desponta como grande alternativa para aqueles que estão cansados das velhas práticas daqueles que estiveram recentemente atrelados ao poder.

O partido vai apoiar algum candidato no segundo turno?

Vamos nos reunir hoje (4) e amanhã publicaremos uma nota oficial com a decisão.

Como você avalia a grande derrota dos partidos de esquerda no Brasil?

É uma crise gerada por uma “esquerda” que utilizou das mesmas práticas dos setores conservadores que outrora condenava, mas quando chegou ao poder, se alinhou a ela. O cenário realmente está ruim mas, por outro lado, o PSOL cresceu em todo o Brasil, apontando alguns caminhos que devemos trilhar daqui pra frente.

 

A NOTA DO PSOL

Jundiaí sobre o segundo turno das eleições municipais de 2016

Está sendo uma satisfação muito grande encontrarmos, nos últimos meses, o apoio de tantas pessoas dispostas a refletir e se mobilizar para construirmos uma cidade melhor. Muita gente em Jundiaí já compreendeu que não haverá qualidade de vida no município se nos abstivermos das lutas para garantir o direito à educação, saúde, trabalho, cultura, esporte, comunicação e a tudo aquilo que é necessário para vivermos com dignidade.

Nossa campanha deu um exemplo importante para a cidade de que a política pode ser um espaço sério de debate de ideias e, mais do que isso, um espaço de luta por direitos. Essa postura é fundamental em um contexto no qual os nossos adversários representam os mesmos interesses, a dizer, os interesses dos setores políticos e econômicos que fazem da administração pública um meio de garantir vantagens particulares.

Sem a participação do PSOL, o debate político se reduz a qual candidato é melhor ou pior administrador dos interesses dominantes; conosco, passa a existir o questionamento de se a política deve continuar resguardando os interesses e privilégios dos ricos e poderosos.

Assim, nosso papel foi o de mostrar “o outro lado” nas eleições municipais de Jundiaí, o lado dos direitos dos trabalhadores, o lado da juventude crítica, das mulheres que não aceitam o machismo, da população LGBT que resiste contra o preconceito e a violência, da defesa do meio ambiente e de todos os movimentos que lutam contra a ordem social injusta e doentia em que vivemos.

Temos ciência de que pelo combate à velha política que fazemos incomodamos e, como consequência disso, fomos e continuaremos a ser boicotados e estigmatizados pelos setores conservadores da cidade. Mas isso, ao invés de nos amedrontar, serve para nos reafirmar que democracia não é um dado, mas um processo ininterrupto e difícil de luta por mudanças estruturais na sociedade.

Continuaremos combatendo a velha política. Nosso lema: “a força da juventude que não se entrega à descrença e luta por uma vida melhor” continuará nos guiando para organizar o crescimento do partido em Jundiaí.

Nossos compromissos políticos não mudaram depois do resultado das urnas no dia 2 de outubro. Pelo contrário. Obtivemos a maior votação do PSOL na história de Jundiaí e isso nos dá uma responsabilidade ainda maior de fortalecermos uma alternativa política de esquerda na cidade.

Não temos porque querer a simpatia daqueles que concentram poder e privilégios em nossa sociedade, como os empresários que lucram com negócios insustentáveis do ponto de vista social ou ambiental, os políticos fisiológicos e corruptos e os meios de comunicação aliados a esses setores.

Por tudo isso, no segundo turno, não apoiaremos convictamente um candidato melhor, que não há, e nem envergonhadamente um candidato “menos pior”, que também não há. A lógica de escolha do aparentemente menos pior já se mostrou desastrosa, pois impede a conscientização política em relação aos nossos reais desafios e leva as organizações que optam por esse caminho a uma desmoralização sem volta.

A maneira de fazer política do PSOL é diferente. Nossa escolha continuará sendo pelo 50, porque só com muita luta conseguiremos garantir os direitos civis, políticos e sociais da população.

Executiva Municipal do PSOL
Jundiaí, 5 de outubro de 2016

 

Foto de abertura by Lucas Castroviejo

 

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