Para Luiz Fernando, a vez do futuro é a vez da sintonia com a sociedade

Em entrevista esta semana, agora como prefeito eleito, Luiz Fernando Machado (PSDB) disse como pretende colocar em prática o slogan da campanha “Agora é vez do futuro”.

“É uma forma nova de se fazer política. A vez do futuro é a vez da sintonia com a sociedade”.

E para planejar o futuro, recorreu a um velho conhecido dele e da cidade. Chamou José Antonio Parimoschi, especialista em finanças públicas e contratos, que já atuou em vários governos na cidade e atualmente é subsecretário de Planejamento do Governo do Estado de São Paulo.

Além dele, fazem parte da equipe de transição Gustavo Maryssael de Campos, Fernando Souza, Thiago Maia e Clóvis Galvão — a equipe começou o trabalho nesta sexta-feira, 11.

“Não há como fazermos planos sem um diagnóstico da atual situação da prefeitura”, disse Luiz Fernando, que pretende divulgar os coordenadores de plataforma (como ele chama os futuros secretários) a partir do dia 15 de dezembro.

Antes deste diagnóstico, o prefeito eleito fala o que pretende fazer para economizar. A integração de algumas secretarias é um exemplo.

“Cada secretaria demanda uma estrutura, secretária, motorista, etc. Se forem conjuntas, diminuímos a estrutura necessária e eliminamos gastos”.

De acordo com Luiz Fernando, as redes sociais e aplicativos serão usados para agendamento e confirmações de consultas, para checar a que horas chega o próximo ônibus e outros serviços que podem facilitar a vida das pessoas.

E por falar em ônibus, ele disse que o retorno dos cobradores não é um retrocesso, é geração de empregos.

“Além disso, fazer com que as pessoas tenham que ir até um terminal para pagar a passagem sacrifica o cidadão, é uma perda de tempo”.

Sobre o bilhete único, Luiz Fernando lembrou que teve início no governo no qual ele era vice, mas com outro nome: cartão de integração.

“O Governo atual mudou o nome e incluiu mais linhas e mais trajetos. Aprimorou, foi bom, pretendo manter”.

Quanto à mobilidade, ele disse que não há previsões para grandes obras no primeiro ano porque demandam tempo e altos valores. Apenas destacou as alças da Avenida 9 de Julho e o trevo da Anhanguera, que devem ficar prontos em 2017, mas fez questão de dizer que são obras do Governo do Estado.

Sobre a saúde, Luiz Fernando disse que é o maior desafio e que será preciso cortar gastos em outras áreas para investir mais nesta.

“Posso cortar o custo de gabinete, por exemplo. No governo passado esse custo era de cerca de R$4 milhões de reais por ano. Neste governo subiu para R$14 milhões. Está no portal da transparência”.

Ele também disse que vai cobrar mais investimentos do governo federal e estadual  porque o Hospital Regional precisa de mais recursos para funcionar plenamente e aproveitou para fazer uma crítica.

“Se nosso grande problema é a saúde, por que investir R$150 milhões no BRT? Se temos esta capacidade de endividamento, podemos transferir a finalidade e investir na saúde. O Hospital São Vicente não tem mais para onde crescer. Temos um terreno e um ótimo projeto de um novo hospital, precisamos encontrar maneiras tirá-lo do papel”.

Com relação às denúncias envolvendo não só políticos do PT, mas de outros partidos, incluindo o PSDB, Luiz Fernando disse que as investigações devem continuar para todos, mas que há uma diferença entre a corrupção destes partidos.

“Na maioria dos casos são denúncias pontuais, que envolviam desvios de dinheiro para campanhas políticas. Já o PT criou uma organização com grandes desvios que tinham o objetivo de manutenção do poder e enriquecimento pessoal”.

Sobre o projeto Escola Sem Partido, Luiz Fernando disse que não há sentido tratar deste tema no ensino fundamental, por isso não vai incluir o projeto em Jundiaí e explicou porque é a favor.

“Você tem que fazer com que o aluno tenha senso crítico e não usar a sala de aula para dizer se a direita ou a esquerda é a melhor. Sou contra o que fazem com o Sesi, por exemplo: colocam o Paulo Skaf, um político, como protagonista de um modelo educacional. Não é correto”.

No tema segurança, o que gerou muita discussão na campanha foi o aluguel das viaturas da guarda municipal. Luiz Fernando acha um absurdo gastar 3 milhões de reais por ano com o aluguel de 50 viaturas.

“Se a sociedade entender que isso é razoável, vamos continuar locando, mas temos perdas com isso. Com os carros com placas de Campinas, como são hoje, pagamos o IPVA, mas é o prefeito de Campinas que recebe esse dinheiro para fazer investimentos”.

O prefeito eleito ainda falou de outras ideias que não foram citadas nas campanhas eleitorais. Disse que pretende fazer um novo parque aproveitando o trecho que liga a casa de bombas da DAE ao Parque da Cidade.

“Por que não? Além de proteger a área da represa, podemos pensar em um parque que seja mais voltado para as crianças e os idosos”.

Também citou o uso do CEA ( Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico de Campinas) para a instalação de um polo de ciência, informação e tecnologia ou até para a instalação de uma Fatec.

“Eu sou contrário a qualquer ação do Estado que tire aquela área do domínio de Jundiaí. Podemos usá-la de muitas maneiras”.

E sobre o Complexo Fepasa, disse que gostaria de ver o lugar melhor aproveitado. Nossa equipe contou a ele de um projeto que já existe feito pelo escritório Brasil Arquitetura e apresentado pela atual Secretaria de Planejamento.

“Não conheço, vou procurar a secretária de planejamento para me informar sobre isso”.

Foto e imagens by Danilo Bertino

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