Pensando a cidade para além da crise atual

Sabemos que é difícil, mas imagine contar com metas públicas claras e eficientes. Nisso, faça um esforço para vislumbrar como seria em um ambiente mais favorável o trabalho de cooperação para que uma cidade média como Jundiaí possa buscar um desenvolvimento ao mesmo tempo econômico, social e ambiental (não apenas crescimento excludente ou predatório).

Onde os mais velhos deixem de perder seus saberes e os mais novos possam encontrar novos empregos que ainda nem existem.

Pronto, você está no assunto das cidades criativas que foi tema do evento “Jundiahy ou Jundiaí” na noite de quinta-feira (17) no Sesc.

Entre suas características estão a inovação, seja ela estatal ou da comunidade, a cultura, não apenas nas artes mas nas coisas que formam o espírito da cidade, e a conexão, enxergando não apenas o chocolate do bolo mas também a farinha ou os ovos que formam esse todo.   

Primeiro, veja trechos ou inteiros alguns vídeos:

Portugal – veja como Belmonte falida com fim da lã se reinventou com museu sobre o Brasil. 

Peru – como associação de gastronomia peruana, unindo de agricultores a cozinheiros, consolidou sua marca no intercâmbio com cidades americana desse mesmo nome. 

Chile – Conheça o programa de governo Almacenes (Armazéns) que voltou-se para o fortalecimento dos pequenos negócios de bairro como forma de vitalizar a cidade. 

Índia – Conheça o projeto de talheres comestíveis Bakey contra o excesso de plásticos. 

Inglaterra – Veja como Crown Point transformou ventos que afastavam turistas em atração.

França – conheça a start up que adaptou bactérias de lulas de fundo do mar para iluminar ruas.  

Dinamarca – veja como novas roupas com sensores da Rokoko interagem pessoas e animações. 

Votorantim – Coletivo 012 usa dança para usar pedreira abandonada e tecnologia para atrair estudantes .

Cidades Criativas – veja um pouco das ideias da palestrante Ana Carla Fonseca, assessora da Unesco.

Urbanismo para Crianças –  veja um artigo sobre a necessidade de pensar as cidades também para as crianças.

Urbanismo para Adolescentes– relembre uma experiência feita em Jundiaí durante projeto de caminhabilidade.

Economia Criativa – veja reportagem sobre o tema.

Qual o motivo de tudo isso?

É que metade das ocupações atuais vão desaparecer nos próximos trinta anos ou menos pela robotização e outras mudanças tecnológicas, dependendo da velocidade, do custo, das regulações e dos hábitos humanos (um barman ou um enfermeiro são indispensáveis). E outras não surgiram ainda e virão da bio ou nano tecnologias, das novas necessidades e outras variáveis imprevisíveis.

A economia criativa, que depende da capacidade de adaptação (como no caso de contação de histórias para crianças com uma nova neuroplasticidade), precisa de espaços públicos que formarão uma cidade criativa, com conexões, segurança e relações com a sua própria história.

“Temos um buraco entre as antigas e as novas gerações. Isso cria o risco de perdermos os saberes como práticas e até receitas da biodiversidade, da agricultura ou mesmo de coisas urbanas como a torta de bacalhau da Pauliceia”, observou o engenheiro agrônomo Afonso Peche Filho durante o evento, parte do Ciclo de Produção Cultural promovido por câmara técnica de Produtores, do Conselho Municipal de Cultura, com apoio de integrantes do Conselho de Política Territorial.  

As falas de participantes deixaram claro que algumas marcas fortes da cidade, usadas contra argumentos econômicos puros no debate territorial do Plano Diretor de Jundiaí, possuem bases culturais. “No caso de Jundiaí, são eles a Serra do Japi, a Terra da Uva e a Jundiahy 400 Anos”, observa o sociólogo e jornalista José Arnaldo de Oliveira.

Mas o debate mostrou que nada disso vale sem aprofundar a busca de cidades criativas – que são também educadoras, conceito defendido no início do ano pela nova gestão da cidade.

Os ramos principais da economia criativa, envolvendo negócios que contam com ativos intangíveis como o conhecimento, são formados pela cultura, moda, design, música, artesanato, tecnologia e inovação, atividades de mídias e os diferente usos da internet. Mas como mostrou o caso do Peru a cultura pode envolver a gastronomia (se não for vista apenas como um negócio) e assim por diante.

Há também outras abordagens com algumas diferenças, como o Mapeamento da Indústria Criativa do Brasil 2015 que registrou 3 mil pessoas no núcleo principal de seus setores em Jundiaí gerando R$ 300 milhões anuais apenas em massa salarial, sem contar as cadeias produtivas. E com muito potencial a crescer.  

Para Albino Rubin, outro palestrante, especificamente a economia da cultura avançou bastante no Brasil, “Hoje temos marcos legais, reconhecimento da importância das artes na educação e esses exemplos todos da conexão com o ambiente e com o desenvolvimento”, afirmou.

Ainda nesse setor específico, um levantamento do ano passado apresentado por Gustavo Koch mostrou tendências de Jundiaí nesse recorte, ampliada com o cadastramento aberto pela Unidade de Gestão de Cultura que já conta com mais de 400 adesões.

Para saber ainda mais:

Garimpo de Soluções

Desejável Mundo Novo