Picôco Bárbaro lembra-nos de que é preciso viver a vida

Por José Arnando de Oliveira

Uma das pessoas mais lendárias da imprensa e da cultura da cidade, Picôco Bárbaro está sendo velado nesta terça-feira (28) a partir das 11h30 no Velório Municipal Adamastor Fernandes, no Centro, com sepultamento marcado para as 17 horas.

Nascido Luiz Francisco em 1945, Picôco foi entre outras coisas uma das figuras emblemáticas do bloco Estamos Na Nossa que surgiu em plena ditadura, na década de 1970, em seu bairro natal da Ponte São João.

Também foi um dos colunistas mais irreverentes e polêmicos dos jornais impressos como o Jornal de Jundiaí e depois o Bom Dia Jundiaí. Quando esse formato perdeu parte de sua independência e pluralidade, migrou para a web com o portal Jundiaqui, com o parceiro Edu Cerioni.

Mas essas são apenas referências mais conhecidas. Combinando a afetuosidade, a contação de histórias e a livre circulação por salões sociais e espaços populares ou alternativos, ele colocou a experiência de convívio aprendida na Ponte São João – onde a padaria de seus pais Oswaldo e Leta se envolvia com iniciativas que passavam desde as corridas de carriolas ou tamancos até os campeonatos de mentiras – para o restante da cidade.

Foi jurado em grandes festivais de música de clubes ou bares noturnos, promoveu campanhas de grupos ou entidades e apoiou direta ou indiretamente as mobilizações por valores da cidade que passam da proteção da Serra do Japi ao restauro do Teatro Polytheama, da valorização da Festa da Uva ao restauro da Ponte Torta, do reconhecimento do Refogado do Sandi a muitas outras iniciativas sociais, culturais ou educacionais.

No livro Viver a Vida, publicado recentemente pela editora In House, ele afirma em uma reflexão que lembra Baudelaire:

“Viver Jundiaí implica em, mais do que saber o que está acontecendo, participar, prestigiar e se divertir nos eventos de nossa sociedade. Encontrar prazer no que se faz é uma bela conquista: fazer, mais do que pensar em fazer. Não podemos deixar de atentar que existe uma escassez de prazeres de fato e de direito. Existe, sim, um amontoado de receitas que não passam e consumismo massificado e produzido a prometer felicidade. Sonhos grandes mascaram pequenas realizações que contam mais para o dia a dia”.

“É melhor fazer mais e sonhar menos. Nesse sentido, como é bom encontar amigos e conhecidos mais, muito mais do que pensar em encontrá-los. Claro que não encontramos só os mais queridos quando passamos pela cidade. Em compensação, somos surpreendidos com gente que nem estávamos pensando e que nos proporciona grande satisfação. Fazer mais e sonhar menos, encontrar mais do que pensar em como seria bom rever”.

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