Plano Municipal de Resíduos Sólidos disponível para consulta pública

A Secretaria de Serviços Públicos realizou, na noite desta quarta-feira (5), a primeira audiência pública sobre o setorial de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos do Plano Municipal de Saneamento Básico. A partir desse evento, o plano está aberto até abril para consulta pública.

Os números mostram que Jundiaí é uma das cidades que mais geram resíduos por pessoa no País, com mais de 27 mil toneladas mensais. São cerca de 10,6 mil toneladas por mês de resíduos domiciliares (RSD), sendo mais da metade lixo orgânico. 95% do total ainda é encaminhado para o aterro sanitário de Santana do Parnaíba e apenas 5% pertencem à coleta seletiva que passa Central de Triagem Geresol. O saldo atual é de 546 toneladas mensais reunidas por esse serviço.

Outras 17 mil toneladas são de resíduos da construção civil (RCC), desde o ano passado destinados ao tratamento e reuso também via Centro de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (Geresol).

Existem ainda resíduos dos serviços de saúde (RSS), que somam cerca de 50 toneladas por mês e são encaminhados para autoclave e incineração na Silcon, em Mauá (SP).

Os resíduos sólidos também incluem materiais oriundos da limpeza de parques e outras áreas verdes, dos 15 mil quilômetros de guias nas ruas e das 35 mil galerias pluviais (bocas de lobo), chamados de resíduos sólidos urbanos (RSU).

“Ainda não é uma peça finalizada e entra em consulta pública. Depois de compilarmos as contribuições, vamos enviar para a Câmara e promover uma nova audiência pública”, explicou o secretário de Serviços Públicos, Aguinaldo Leite. O plano está disponível no site da Prefeitura de Jundiaí para que os conselhos de classe, organizações não governamentais e a própria sociedade enviem contribuições.

Ações

A Secretaria de Serviços Públicos já iniciou uma série de ações como o sistema de tratamento de resíduos da construção civil, que já serve de exemplo para outras cidades ao eliminar boa parte do passivo ambiental do setor. Todo o entulho recolhido pelas caçambas é destinado ao Geresol e transformado em material, que é utilizado para a execução de calçadas, mesas e bancos de praças e outras.

Também já está em fase adiantada a identificação dos grandes geradores de resíduos como indústrias, shopping centers, centros comerciais e condomínios, entre outros, em cooperação com setores como a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. .

Para o tratamento dos resíduos orgânicos ou reciclados, Jundiaí sai na frente por conta da parceria firmada com a Alemanha e que realizará um projeto de estudo para o tratamento e destinação de resíduo sólido, envolvendo a Universidade Técnica de Braunschweig , o Centro de Pesquisa, Educação e Demonstração em Gestão de Resíduos (CReED), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e a Universidade Padre Anchieta (UniAnchieta).

O estudo prevê investigação das características físicas, químicas e biológicas dos resíduos produzidos em Jundiaí. O projeto ainda fará uma análise do mercado potencial de consumo dos subprodutos que serão gerados após o tratamento mecânico e biológico como, por exemplo, composto, biogás, eletricidade e outros.

Conheça as propostas para cuidar dos resíduos sólidos

No curto prazo (em até 5 anos), o plano básico envolve mudanças no novo sistema de limpeza urbana, com expansão da coleta diferenciada de resíduos secos e úmidos em 100% da rede de coleta e da reciclagem desse material de 20% para 50% dos materiais secos coletados.

Além disso, visa implantar a varrição mecanizada nas principais avenidas e grandes centros e também ampliar a coleta em contêineres em 100% do município.

Para esses objetivos, mudanças físicas estão previstas para a Central de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (Geresol), com a ampliação de mais esteiras de separação de materiais e modernos sistemas de peneiramento na separação dos rejeitos finais.

Mas é principalmente na coleta inicial da matéria-prima de reciclagem que o plano busca ajustes. A distribuição de ecopontos, a parceria com grandes geradores de resíduos, a educação ambiental da comunidade e a definição de contratação de prestadores de serviços com caráter social como cooperativas, catadores independentes e empresas que são os atores da atual cadeia privada do setor.

No médio prazo (de 5 a até 10 anos), o plano coloca a ampliação do material seco coletado para 60%, a adequação das atividades e rotinas do Sistema de Limpeza Urbana para o manejo completo desses resíduos e até mesmo a implantação de uma Unidade de Tratamento, com possibilidades de aproveitamento energético.

No longo prazo (de 10 a 20 anos) as metas visam chegar ao patamar dos melhores índices mundiais com 80% de reciclagem dos materiais secos coletados em 15 anos e subindo novamente para 90% em 20 anos.