Polytheama é tombado pelo Conselho Estadual do Patrimônio

A Prefeitura de Jundiaí anunciou nesta quinta-feira (16) o tombamento do Teatro Polytheama (foto) pelo Conselho Estadual do Patrimônio (Condephaat).

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa da Prefeitura, o centenário teatro está tombado como bem cultural de interesse histórico, arquitetônico, artístico, turístico e paisagístico. Dentre os pontos considerados para o tombamento e proteção, o decreto considera a tipologia arquitetônica do Teatro como uma característica, com grande expressividade histórica, sendo um dos únicos do Estado.

O Polytheama já havia sido tombado como Patrimônio Artístico e Cultural de Jundiaí, pela administração municipal.

“Com o tombamento a cidade tem seu trabalho de preservação reconhecido. Mas, o maior ganho é a preservação não só do prédio, mas também da história da cidade, de suas gerações, pois o Polytheama é testemunha dos acontecimentos pelos quais Jundiaí passou. Além disso, com a resolução, certamente o Teatro vai atrair mais visitantes, historiadores e pequisadores, que se interessarão por conhecer nosso patrimônio”, disse a secretária de Cultura, Penha Camunhas Martins.

A resolução enfatiza a importância não só do prédio, mas sim da área no entorno, do sítio histórico que preserva a história, arquitetura, artes e ainda a paisagem.

“O Polytheama é uma das principais referências na colina central, quando a paisagem é observada à distância e essa preservação é relevante para que o centenário prédio não perca sua exuberância”, afirmou Penha.

Demolições de imóveis devem ser aprovadas pelo Condephaat e a construção de novos prédios deverão seguir o texto publicado.

“Essa resolução foi muito importante, para que o Teatro possa ser observado de outros pontos da cidade”, lembra o diretor do teatro, Carlos Pasqualin que ainda enfatiza.

No novo perímetro estão trechos das ruas Vigário João José Rodrigues, Bartolomeu Lourenço, da própria Barão de Jundiaí, que abriga o prédio, Rua Conde de Monte Santo e Major Sucupira.

A Resolução SC 38, de 16 de julho de 2012, foi publicado no Diário Oficial do Estado do último dia 10.

100 anos de história

O Teatro Polytheama está no seleto grupo composto por apenas seis teatros centenários no Brasil, sendo que é o único localizado em cidade do interior.

Inaugurado em 1911, sua origem remonta ao final do século XIX, quando Albano Pereira apresentou a então Intendência Municipal, um projeto para construir sob concessão um ‘polytheama’, casa que abrigasse diversos espetáculos.

Ao chegar ao final da primeira década do século, era considerado o grande centro de diversão dos jundiaienses. O Teatro chegou a passar por diversas reformas, para se adequar à época , mas, a partir dos anos 1950, o Polytheama viveu um período de crise. Naquela década, alguns artigos de jornal criticavam o comportamento, segundo eles, “inadequado” de parte dos frequentadores do teatro.

Esses documentos apontam, ao mesmo tempo para a degradação que esta casa de espetáculos vivenciou durante os anos 60, 70 e parte dos 80 e para um processo de mudança de costumes e práticas sociais. O Polytheama chegou a ser colocado à venda, nos anos 70, o que mostrava seu estado de destruição e o desinteresse das autoridades.

No início da década de 1980, a administração municipal adquiriu o teatro, que passou a integrar o patrimônio público de Jundiaí. Os esforços pela recuperação do Polytheama, iniciados nos anos 80, foram concretizados na década seguinte. Dentre os projetos apresentados para sua restauração, destacou-se o da arquiteta Lina Bo Bardi que foi utilizado como parâmetro principal para as reformas efetivamente implantadas.

Ao avaliar a recuperação do teatro Polytheama, a arquiteta Lina Bo Bardi, morta em março de 1992, falou da importância da iniciativa: “Recuperar e restaurar para a Cidade de Jundiaí o teatro Polytheama… é de grande importância social e histórica, dado o caráter popular de sua origem…”. Ainda segundo a arquiteta, o Polytheama de Jundiaí representa um dos últimos exemplos daquilo que foi, no fim do século XIX, o teatro “polivalente”, com teatro, circo, centro de reuniões.

A recuperação aconteceu em 1996 e conservou sua história, que se revela nas paredes nuas de tijolos, na sua estrutura metálica aparente, na disposição de suas frisas e camarotes em forma de ferradura, que se misturaram à linguagem de nosso tempo evidenciada no concreto aparente. Como dizia Lina Bo Bardi: “É o restauro moderno, que guarda do passado aquilo que serve e vive ainda hoje”.

No ano de 1996 a reinauguração do Teatro não só devolveu à população a memória do cotidiano da cidade, pois as velhas paredes permaneciam como testemunhas das grandes produções culturais, dos sonhos e dos sentimentos de seus freqüentadores, com também, foi dada continuidade a uma história interrompida por quase trinta anos. História que a atual sociedade jundiaiense continua a escrever com os seus sonhos e sentimentos.

Foto: Murilo Borçal da assessoria de imprensa da Prefeitura de Jundiaí