Por dentro da ocupação do Eloy de Miranda Chaves

Por Bruno Galiego

Pela frente havia um final de semana que prometia ter muitas surpresas. Afinal, uma daquelas datas históricas esquecidas pela própria história estava próxima.

Uma ocasião perfeita para que um grupo de 15 estudantes do ensino médio da escola estadual Dr. Eloy de Miranda Chaves, localizada na Vila Aparecida, em Jundiaí, realizassem uma ocupação que iniciou na madrugada do 12 e terminou na manhã do dia 16/11.

Segundo os próprios alunos, a intenção do ato foi mostrar para a população o que representa a PEC 241, projeto que limita os gastos públicos por 20 anos, e a reforma do ensino médio.

“A mídia divulga isso de uma maneira muito bonita e ninguém busca entender”, ressaltou a estudante do 2° ano do ensino médio, Bruna Arantes, de 16 anos.

Não é a primeira vez que acontece uma ação do tipo no colégio. Em 2015, com mais da metade dos alunos mobilizados contra a reorganização escolar proposta pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a escola ficou ocupada durante 34 dias.

Somente após o anúncio da suspensão da reorganização escolar os alunos deram fim ao ato.

Dessa vez, a ocupação seguiu um contexto um pouco diferente. Segundo os alunos, por conta da baixa adesão de apoiadores, foi necessário seguir a mesma lógica da ocupação do ano anterior mas durante quatro dias.

“A ocupação é uma medida extrema, mas eles propuseram ocupar até o dia 15 de novembro para não atrapalhar os outros alunos”, disse a professora de história e geografia, Laís Bonamigo, que foi convidada pelo grupo de alunos para liderar uma oficina de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), mesmo não sendo especialista.

Segundo os estudantes, além das oficinas que trataram de diversos assuntos envolvendo sociedade, política, cultura e arte, o grupo realizou ações de limpeza e conservação do local.

“Nós estamos trabalhando muito para manter a escola, nós temos que cuidar do que é nosso”, declarou Nicolas Vitor da Silva, de 16 anos, que é estudante do 2° ano do ensino fundamental e que, por conta da agenda no trabalho, há dois meses mudou de colégio.

O colégio foi o único do município a recorrer à ocupação. Por conta disso, o caso chamou a atenção e ganhou apoiadores já concluíram o ensino médio.

Gabriele Almeida, de 18 anos, que atualmente faz curso pré vestibular almejando uma faculdade federal, marcou presença na ocupação para declarar o seu apoio.

“Eu já terminei o ensino médio, mas estou aqui para dar o meu apoio ao alunos. É um movimento legítimo e livre de partidos, é de aluno para aluno”, disse.

Assista ao vídeo feito na ocupação entre os dias 14 e 15 de novembro