Prefeitura cancela Feira da Amizade por considerar o evento “economicamente inviável”

A comunicação da Prefeitura usou um malabarismo retórico para informar que a Feira da Amizade foi cancelada. No release divulgado na tarde de quarta-feira (11), a Prefeitura informa que durante uma reunião no Paço Municipal representantes da Prefeitura e de entidades assistenciais de Jundiaí concordaram em “buscar uma alternativa economicamente viável para a participação em eventos realizados no Município”.

Para em seguida informar o cancelamento da feira. 

Em comum acordo, ficou definido pela inviabilidade da realização da Feira da Amizade este ano, evento com custo de mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos no ano passado e que, segundo as próprias entidades, não teve um retorno satisfatório.

A justificativa é a mesma já utilizada para o cancelamento de outras atividades como o Desfile de Carnaval, a participação da cidade nos Jogos Regionais e a Virada Cultural: a crise financeira.

O gestor de Governo e Finanças, José Antonio Parimoschi, afirmou que a Prefeitura vai estudar junto com as entidades um novo modelo que possa ser economicamente viável, ou seja, que o custo da organização do evento seja suportável e que traga resultantes que compensem para as entidades.

Segundo a comunicação oficial, a crise afetou a todos e o desemprego vitimou milhares de famílias, gerando uma pressão enorme sobre serviços públicos essenciais. “A população cobra nossa atuação em demandas urgentes, com a saúde, por exemplo, e temos que usar os recursos disponíveis com responsabilidade e com foco nessas prioridades”, disse Parimoschi.

Ainda de acordo com informações divulgadas pela Prefeitura, a superintendente da Ateal, Mariza Pomilio, concordou com o posicionamento da Prefeitura e sugeriu a construção de um novo modelo que possibilite, por exemplo, a participação das entidades em eventos grandes, como a Festa da Uva.

“A Feira da Amizade tem um custo muito elevado e o retorno é baixo. Acredito que o modelo deve realmente ser revisto”, disse Mariza.

A Ateal, fundada por Mariza em 1982, recebeu em 2016, segundo o relatório de atividades da organização, R$ 6.617.514,00 em recursos para suas atividades, sendo 48% em recursos públicos diretos, ou R$ 3.186.155,00, e outros 17% em recursos públicos destinados a aparelhos auditivos, R$ 1.139.600,00. No mesmo ano, a entidade teve custos e despesas de R$ 6.958.268,00, sendo 53% destinados a salários e encargos R$ 3.683.263,00, 7% para serviços de terceiros R$ 478.814,00 e 17% ou R$ 1.175.505,00 com despesas administrativas. 

O representante da Nipo Brasileira, cujo relatório de atividades não está disponível no site da organização, Célio Okumura Fernandes, também concordou com a opinião da superintendente da Ateal, segundo informações oficiais. “Com um planejamento bem elaborado vamos obter resultados melhores do que os alcançados com a Feira da Amizade, um evento bastante oneroso que não faz muita diferença para as entidades”, disse.

Presente à reunião, o gestor de Cultura, Marcelo Peroni, se comprometeu a levar a sugestão das entidades de uma maior participação na Festa da Uva aos organizadores do evento. Ficou acordado, também, que as entidades enviarão à Unidade de Cultura um calendário com os eventos que realizam ao longo do ano. “Assim, vamos planejar de forma eficiente a participação em diversos eventos promovidos pela Prefeitura”, explicou Marcelo.

Também participaram da reunião os gestores Gustavo Maryssael (Casa Civil) e Vasti Ferrari (Educação).