Prefeitura é lenta ao pedir recursos da Saúde, diz ministro

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O ministro da Saúde Alexandre Padilha veio a Jundiaí neste domingo (26) para participar de um encontro de campanha do deputado Pedro Bigardi (PC do B), candidato a prefeito da coligação “Jundiaí Para Todos”, na Associação dos Aposentados.

Na conversa que teve com jornalistas, antes de enfocar a política local, Padilha teve que falar a respeito da greve da Anvisa, embora o objetivo da sua visita fosse apenas emprestar seu prestígio ao candidato.

Ele negou que faltem medicamentos ou insumos médicos por causa da greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). E atribuiu eventuais atrasos na entrega dos produtos a outros problemas na relação entre fornecedores, indústria e unidades de saúde.

“Dos seis casos apresentados pela imprensa esta semana, nenhum tem qualquer tipo de relação com a greve da Anvisa”, afirmou o Ministro.

Em seguida, Padilha voltou ao seu objetivo principal e disse que falta empenho ao governo municipal em buscar verbas do Ministério da Saúde para projetos locais. E citou como o exemplo, entre outros, as Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24 horas), que não existem em Jundiaí.

Lançadas como parte da Política Nacional de Urgência e Emergência (2003), as Unidades de Pronto Atendimento funcionam como unidades intermediárias entre as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os hospitais e ajudam a desafogar os prontos-socorros, ampliando e melhorando o acesso aos serviços de urgência no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nós temos no Brasil inteiro quase 600 em construção e 215 já em funcionamento. Mais de 2 milhões de pessoas atendidas por mês. Onde elas funcionam, de cada 100 pessoas que chegam a uma UPA, 97 são atendidas na própria unidade sem necessidade de encaminhamento para hospital”.

Segundo o ministro, a UPA é boa para quem mora perto dela e boa para a cidade inteira porque ela desafoga os hospitais.

“Mas pra isso é preciso da Prefeitura, do prefeito ser ágil, apresentar propostas, apresentar programas. Colocar isso como prioridade”, enfatizou.

Mas isso não está acontecendo aqui?

O ministro não respondeu diretamente. Disse apenas que o Ministério da Saúde coloca recursos disponíveis para todos os municípios. “Mas eu tenho plena convicção de que os recursos só vem quando o prefeito coloca isso como sua grande prioridade”.

Foi o candidato a vice, Durval Orlato, quem informou que a Prefeitura não enviou ainda um pedido para a construção de uma UPA em Jundiaí ao Ministério da Saúde.

“Nenhum município sozinho resolve seus problemas de saúde. Precisa de parcerias”, disse o ministro.

A vinda de ministros do governo Dilma Roussef para a cidade é parte da estratégia de transferir o prestígio da presidente, eleita pela revista Forbes como uma das três mulheres mais poderosas do planeta, e os altos índices de popularidade do governo federal para a campanha em Jundiaí.

Padilha é o terceiro ministro a visitar a cidade em apoio a Pedro Bigardi. Já vieram o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e outros já estão programados, como o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Mas seria esta uma estratégia adequada quando alguns ministros, como o próprio Padilha e Mercadante, enfrentam greves desgastantes em setores ligados diretamente a seus ministérios?

O candidato Pedro Bigardi acha que sim. Na visão dele, a vinda dos ministros a Jundiaí mostra aos eleitores a conexão da candidatura ele ao governo Dilma, que é bem avaliado no nível nacional.

“As greves são problemas pontuais. Mas o governo como um todo tem uma avaliação muito positiva”, disse Bigardi.

Na foto de abertura, a disputa pela fotografia ao lado do ministro.