Primeiro debate dos candidatos a prefeito é morno e contido

O primeiro debate entre os cinco candidatos a prefeito de Jundiaí realizado na tarde do sábado (15) pela Tevê Bandeirantes foi contido e teve poucos momentos de maior emoção. Não houve ataques. Quando muito alguma ironia. O alvo principal, como era de se esperar, foi o candidato da situação, Luiz Fernando Machado e a administração Miguel Haddad.

O primeiro debate da campanha política de Jundiaí estava marcado para começar às 15h30, mas começou com 10 minutos de atraso mostrando uma reportagem mostrando os problemas de Jundiaí.

Os candidados a prefeito, Luiz Fernando Machado (PSDB), da Coligação Avançar para Fazer Futuro, Pedro Bigardi (PC do B), da coligação Jundiaí para Todos, Cláudio Miranda (PMDB), coligação Reaja Jundiaí, Vanderlei Victorino (PSol) e Ibus Cruz (PTN) assistiram à reportagem que, de certa forma, deu o tom do debate.

De acordo com a reportagem da Bandeirantes, Jundiaí tem problemas de mobilidade urbana, com o crescimento da frota de veículos e falta de investimento em soluções viárias. Um dos gargalo é a falta de pontes e viadutos ligando os dois lados das principais rodovias que cortam a cidade.

Ainda segundo a reportagem, Jundiaí tem pouco estrutura de combate a uma criminalidade crescente e vê um aumento da violência urbana e o tráfico de drogas. A Bandeirantes mostrou também a superlotação do hospital São Vicente de Paulo e falta de médicos da rede básica de saúde, onde a espera por uma consulta chega a 180 dias.

O debate foi dividido em quatro blocos.

Primeiro Bloco

No primeiro bloco foi feita uma pergunta comum a todos os candidatos. O que você tem de melhor que seus adversários?

O primeiro sorteado a responder foi Vanderlei Victorino. Para ele, a coragem para mudar é o que ele tem que melhor. Coragem de combater a especulação imobiliária. E coragem para não pagar R$ 4 milhões para um marketeiro falar da saúde que não existe. “Valorização e respeito ao ser humano”, disse.

Pedro Bigardi afirmou que sua melhor qualidade é a experiência, a maturidade política e a ligação histórica com Jundiaí. Disse que esteve presente como engenheiro civil e jundiaiense dos principais momentos históricos da cidade, como na criação da reserva biológica da Serra do Japi. E disse ainda que vai fazer uma parceria histórica com o governo federal para trazer mais investimentos para a cidade.

Luiz Fernando afirmou que seu ponto forte são suas propostas. As prioridades que pretende enfocar em seu governo: saúde, educação, transporte, trânsito e segurança. Disse que em dois anos o hospital regional estará pronto, que haverá postos de Pronto Atendimento 24 horas nos bairros e fará um novo trevo na avenida Jundiaí, as alças de acesso da avenida 9 de Julho e ainda vai ampliar o número de guardas municipais.

Cláudio Miranda foi o único a citar o nome da candidata a vice, Fátima Giasseti, na primeira fala. E disse que o que tem de melhor é o fato de não se conformar de morar em uma cidade rica e ter um governo que se afastou tanto dos problemas da população. Afirmou que o governo convive com esses problemas sem resolvê-los. Aproveitou o tempo para cutucar dos deputados Pedro Bigardi (estadual) e Luiz Fernando Machado (federal) dizendo que a cidade corre o risco de ficar em um deputado, caso um deles seja eleito.

Ibis Cruz foi sintético. Disse que não tem nada melhor que ninguém. Mas que exerceu vários cargos e que como prefeito fez obras contra enchentes, emissários de esgoto e avenidas em fundo de vale. Disse que desde que deixou a Prefeitura há 35 anos, pouco foi feito no que se refere a obras viárias e saneamento. “O passado me credencia”.

Segundo Bloco

Candidatos fazem perguntas entre si. Por Sorteio.

Ibis Cruz pergunta para Pedro Bigardi o que ele tem a dizer a respeito da situação do Rio Jundiaí entre Itupeva e a Vila Lacerda e outras obras que não foram feitas na cidade, uma vez que Bigardi participou da admistração pública como técnico da Prefeitura.

Bigardi disse que trabalhou na Prefeitura por 22 anos (até a década de 90). E disse que cidade cresceu nos últimos anos de forma desordenada. Com um planejamento ruim e prédios em todos lugares, sem regras claras para a construção. Nos últimos 12 anos, segundo ele, apenas 1 viaduto e 3 pontes foram construídos. Segundo o candidato é preciso rever o planejamento e fazer investimento em bairros que estão completamente abandonados. “Quanto tempo as mesmas promessas e isso não acontece”.

Ibis disccorda. Diz que deixou um plano viário pronto, feito por Cândito Malta Filho. E esse plano foi jogado para fora. Fez, segundo ele, 22 quilômetros de avenidas em 4 anos, com R$ 70 milhões de orçamento na Prefeitura.

Bigardi disse que conheceu o projeto, mas afirma que a cidade cresceu demais, e hoje vive uma outra realidade. “É preciso ter ousadia”.

Vanderlei Victorino pergunta para Luiz Fernando qual a opinião dele a respeito da educação em tempo integral. Disse que Jundiaí tem 110 escolas e apenas 9 com aulas em período integral.

Luiz Fernando disse que são 80 escolas e 30 creches. E das 80 escolas, 9 em tempo integral. Disse que acha muito positivo e afirmou ter muito orgulho da rede de educação do municipio, que recebeu nota 6,3 no Indeb em 2011. Afirmou que vai dobrar o número de escolas em tempo integral.

Vanderlei disse que o candidato Luiz Fernando não havia entendido a questão. “Mais horas na escola não quer dizer melhor educação”. E aproveitou para criticar o fato do governo municipal investir R$ 750 mil por mês em creches particulares para 1.283 crianças.

Luiz se defendeu e disse que a cidade tem 31.240 crianças em idade escolar nas escolas.

Luiz Fernando faz pergunta para Bigardi. Disse que vai registrar na segunda-feira, em seu plano de governo, o compromisso de ampliar os leitos para a saúde com a construção do hospital regional. E assim reduzir as filas do São Vicente. E pergunta a Bigardi como ele pretende reduzir as filas do São Vicente.

Bigardi responde com ironia. “Você devia ter registrado essa proposta quando registrou seu plano de governo no cartório eleitoral”. E disse que a proposta do partido dele para o São Vicente já está registrada no plano de governo. E aproveitou para desdenhar a promessa do candidato dizendo que o hospital regional está prometido há seis anos e ainda ão foi construído. Bigardi disse que para desafogaro São Vicente é preciso reativar parte da antiga Casa de Saúde e construir Unidades de Saúde nos bairros. Ele promete trazer verbas do governo federal para isso.

Luiz Fernando não responde. Prefere reafirmar o compromisso com o eleitor. E disse que falou com o governador Geraldo Alckmin esta semana que garantiu a entrega do hospital regional. Disse também que não quer picuinhas políticas e sim propostas.

Pedro lembra que como deputado cobrou a reforma Casa de Saúde fechada há 4 anos. E lembrou que as mesmas promessas haviam sido feitas há quaro anos. “Vocês falaram isso quatro anos atrás e não cumpriram”.

Pedro Pergunta para Cláudio Miranda. Lembra que a Prefeitura gastou em 2 anos mais de R$ 50 milhões em propaganda, mas ainda hoje existem filas de espera em creches. Como ter prioridade na execução do orçamento?

Cláudio diz que tem uma proposta de construir creches. Afirma que o gasto excessivo em propaganda e publicidade poderia ser usado na construção de creches. E lembrou que as mães têm quer recorrer ao judiciário para conseguir vagas nas creches da cidade. E aproveitou para falar de sua ideias de colocar um tablet para cada aluno da rede pública — algo que não estava relacionado à pergunta.

Em sua réplica, Bigardi disse que é plenamento possível resolver o problema da falta de vagas em creches. E afirmou que o governo municipal deixou de buscar os mais de R$ 1,4 mihão de um programa do governo federal. Segundo ele, Jundiai tem direito a 7 creches. E não foi buscar o dinheiro. Na visão dele, as creches poderiam ter sido construídas com recursos municipais, se o governo não gastasse tanto em propaganda.

Claudio aproveitou o tempo para dizer que pretende ainda criar um Prouni municipal. Convênio com as universidades particulares para que alunos do município possam estudar.

Cláudio Miranda pergunta para Luiz Fernando. Diz que o PSDB é conhecido pelas privatizações e criação de pedágios públicos. E pergunta se Luiz Fernando é favorável à criação de pedágios nas rodovias que cortam a cidade, o que obrigaria o morador de Jundiaí que utiliza essas rodovias para se deslocar na cidade a pagar pedágio. E se Luiz Fernando pretende privatizaro DAE SA (empresa da saneamento).

Luiz Fernando disse que é “absolutamente contrário a pedágio em zona urbana”. Afirmou que isso não faz sentido. Quanto à privatização do DAE, falou de outras empresas públicas que são SAs, como a Petrobrás e a Sanasa, mas não respondeu se vai ou não privatizar a DAE. Usou o tempo para falar que acredita em investimentos em saúde pública. E que tem compromisso com propostas. Falou novamente do plano para desafogar o São Vicente.

Cláudio usou seu tempo para anotar que o Luiz Fernando não havia respondido. Lembro que não estava falando de pedágio urbano e sim do pedágio nas rodovias, cobrado com chips instalados nos carros. Disse também que o DAE era um departamento da Prefeitura e que foi transformado em SA com grandes prejuízos ao município.

Luiz disse que a preocupação dele é com o não pagamento de pedágios. E que luta para que as taxas de pedágio sejam reduzidas.

Terceiro Bloco

Candidatos perguntas entre si.

Vanderlei Victorino pergunta para Cláudio Miranda
qual a concepção dele de cultura. Diz que não existe uma gestão de cultura democrática na cidade.

Cláudio afirma que existem muitas manifestações culturais ricas na cidade, mas falta ao poder público incentivar e apoiar. Ele defende então um orçamento maior. E a valorização do artista. Diz que, caso seja eleito, vai promover grandes eventos na cidade. E incentivar a Cultura. Um de seus projetos é a criação da Orquestra Sinfônica Municipal.

BA, que é artista, diz que quem conhece Jundiaí, quem vive a realidade da cultura da cidade sabe que a Sala Glória Rocah tem goteiras. E que há uma rachadura imensa no Teatro Balé Oficina tem rachadura imensa. E defende a aplicação de 2% do orçamento municipal na Cultura.

Cláudio concorda e diz que BA está coberto de razão.

Ibis pergunta para Luiz Fernando qual o enfoque ele dará ao saneamento numa possível gestão. Lembra que a cidade não tem uma estação de tratamento de lixo.

Luiz Fernando afirma que pretende investir para as pessoas que ainda não tem saneamento ainda recebam o benefício, especialmente as que vivem na zona rural. E disse quer pretende preservar as nascentes usando um programa semelhante ao que foi implantado na cidade de Extrema, que paga aos proprietários de terras que preservam suas nascentes. Diz também (novamente) que vai investir nas alças de acesso da avenida 9 de Julho e nas melhorias do complexo viário.

Ibis diz que Luiz Fernando não respondeu. Lembra as obras que fez e diz que a cidade precisa investir em canalização e saneamento. E volta ao exemplo do Córrego do Mato e da construção da avenida 9 de julho.

Cláudio Miranda pergunta para Bigardi qual o plano dele para as submoradias. E diz que o que está sendo feito são soluções parciais.

Bigardi, que já foi o responsável pela Fumas diz que participou do programa de reurbanização de favelas desde o início. Na Vila Ana e outros lugares. E aposta na solução de transformar a submoradia em bairro. Um processo que, segundo ele, desde o ano 2000 perdeu velocidade. Lembrou que existem pessoas no Jardim Tamoio sendo despejadas e que o processo vem sendo feito de forma parcial.

Cláudio aproveito para encaixar seu discurso. “O que nos vemos na cidade é muita propaganda”. Segundo ele, quando foi conhecer a realidade das ações da Prefeitura percebe que existe uma distância muito grande entre o que diz a propaganda e a realidade. Disse que na Vila Ana, por exemplo, 36 famílias foram atendidas enquanto 108 ainda esperam os novos apartamentos.

Bigardi concorda e diz que o que acontece na Vila Ana acontece também no São Camilo e outros núcleos. Ações parciais.

Pedro Bigardi pergunta para ibis Cruz como resolver a questão da criminalidade e uso de drogas.

Ibis diz que o problema é a falta de fiscalização das fronteiras. E culpa os governos que vieram depois do fim do regime militar de não darem atenção às fronteiras. Disse também que iria procurar o especialista Ronaldo Laranjeira para construir um plano médico de tratamento, mas não respondeu diretamente à questão de Bigardi.

Pedro Bigardi disse que tem plena consciência do problema da segurança pública e como prefeito pretende criar uma secretaria municipal de segurança pública para fazer a articulação entre os diversos atores da polícia. Disse ainda que vai levar a Guarda Municipal para os bairros.

Ibis afirmou que a Constituição não permite que um município tenha uma secretaria municipal de segurança.

Luiz Fernando pergunta a Claudio Miranda qual o compromisso dele no que se refere à segurança. E aproveitar para dizer que vai fortalecer a guarda e descentralizar a segurança.

Cláudio pergunta por que o governo municipal não fez isso até agora. E lembra que Luiz Fernando era o vice prefeito. Cláudio disse também que foi o próprio governo do PSDB quem desativou as bases da Guarda Municipal que já existiam nos bairros. Afirmou também que não adianta investir na implementação de câmeras de segurança se não há efetivo para atender a ocorrência. Disse que a maior responsabilidade é do Estado e da União, mas afirmou que o município pode fazer mais, sem detalhar o que.

Luiz afirmou que uma cidade não fica pronta nunca. Voltou ao discurso ao avanço possível e aproveitou para dizer. “Eu gosto da cidade de jundiaí. É um excelente cidade”. E diz que é possível ampliar o número de guardas municipais e oferecer maior segurança a todos.

Claudio aproveita a deixa para atacar, dizendo que também gosta da cidade. Mas não compreende o compromisso do deputado que quer deixar a câmara federal para ser prefeito. “Não entendo qual é esse compromisso”.

Quarto Bloco

Jornalistas perguntam

Pergunta para Luiz Fernando. Há muitas promessas. Mas é preciso de dinheiro para colocá-las em prática. Onde buscar dinheiro para obras e promessas?

Luiz Fernando diz que algumas ações serão feitas utilizando orçamento próprio. E outras dependerão do governo do Estado. Lembra novamente que esteve com o governador esta semana e que Geraldo Alckmin garantiu as verbas para as alças de acesso da avenida 9 de Julho, para o novo complexo viário da avenida Jundiaí entre outros. Disse ainda que seu vice, José Parimoschi, foi secretário municipal de Finanças entende muito de orçamento. Disse que hoje o governo federal é responsável apenas por 25% das verbas necessárias ao hospital São Vicente de Paulo, mas existe muito mais dinheiro que a cidade pode buscar.

A jornalista perguntou também porque o atual prefeito não utilizou ainda das verbas para resolver o problema da saúde que “inferniza” a vida de Jundiaí. Ao que Luiz Fernando respondeu. “O prefeito Haddad usa R$ 313 milhões ano na saúde, 25% do orçamento municipal”.

Pergunta para Ibis Cruz. Quando foi prefeito o senhor aumentou os impostos. E foi perseguido por grupos econômicos locais. Quem foram esses grupos?

Ibis disse que o grupo foi comandado pelo empresário Francisco Oliva, que fundou o Jornal de Segunda apenas para criticá-lo. Afirmou que foi perseguido também pelo grupo Jundiaí Clínicas e por outro grupo econômico que não poderia dizer o nome, uma vez que foi ameaçado de morte por eles.

Afirmou também que aumentou impostos para investir na periferia. E voltou aos assuntos das avenidas dizendo que fez a 9 de julho em um ano enquanto a atual administração levou 8 anos para reformá-la. Disse que foi combatido porque mexeu com interesses.

O jornalista perguntou se Ibis defende Rota em Jundiai.

Ao que Ibis respondeu. “Sou favorável”.

Pergunta para Pedro Bigardi
. O jornalista lembra que o partido de Bigardi e alguns coligados defedem a ocupação de terras. E como agiria Pedro em caso de invasão de terras em Jundiai. Ele usaria o critério técnico ou político?

Bigardi disse que já enfrentou o problema quando estava à frente da Fumas. Foram três casos, segundo ele, resolvidos com muito diálogo e construção de políticas. Afirmou que olhou sempre a questão social. Trabalhaou a vida toda, tanto no PT quanto no PC do B sempre dialogando. Defende as bandeiras da ação social e moradia.

O jornalista perguntou se o discurso de partidos coligados (mais radicais) não poderia interferir na conduta de Bigardi à frente da Prefeitura. Como afinar os discuros?

Pedro disse que é plenamente possível, uma vez que a coligação tem um projeto político local. “Não há nenhuma dificuldade. os cinco partidos da coligação estão unidos”.

Pergunta para Claudio Miranda. Como resolver o problema da prostituição na área central?

Cláudio diz que o problema não é isolado, que a prostituição vem juntos com outros crimes e que o assunto é seríssimo. Fala que é preciso uma revitalização do Centro, mas não responde diretamente a questão.

Numa segunda pergunta, a jornalista (contrariando as regras do debate) pergunta quem Cláudio Miranda apoiaria no segundo turno.

Ao que ele respondeu. “Eu estarei no segundo turno. E vou buscar apoio dos outros candidatos”.

Pergunta para Vanderlei Victorino porque o PSol que fala aos trabalhadores consegue tão pouca adesão.

O candidato responde com uma referência ao filme Tropa de Elite 2, dizendo que um dos personagens é o deputado Marcelo Freixo, considerado o melhor deputado do país. Diz que o partido está crescendo muito e que parlamentares do PSol são responsáveis por boa parte das ações de moralização da política brasileiras. E aproveita para questionar como é que a saúde de Jundiaí anda tão precária quando são investidos 331 milhões anualmente.

O jornalista ainda pergunta a respeito do isolamento do partido e da dificuldade para formação de alianças.

BA disse que o partido não faz aliança com qualquer um. “Temos princípios e temos ética”.

17h17. E o debate estava encerrado, sem que ninguém tivesse pedido direito de resposta ou sequer levantado a voz. O candidatos fizeram seus agradecimentos.

O debate foi promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão e Grupo JJ.

Comments are closed.