Reisky razoavelmente otimista para o segundo semestre

Os dados Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está semana mostram que a produção industrial no país como um todo cresceu 0,2% em junho deste ano, em relação ao mês anterior, mas acumula no semestre uma queda de 3,8%. É a primeira alta desde fevereiro nesse tipo de comparação (mês a mês). Mas quando se pensa na saúde das empresas na região, o melhor indicador da atividade industrial, na opinião de Mauritius Reisky von Dubnitz (foto), diretor titular do CIESP-Jundiaí (região composta por 11 municípios), é o índice de geração de empregos diretos pela indústria, que em junho apresentou resultado negativo em -1,78% -- uma redução de aproximadamente 2.300 postos de trabalho. Os números, porém, precisam ser analisados de uma forma mais detalhada, afirma Reisky, uma vez que muitas empresas estrangeiras encerram o ano fiscal em junho e fizeram os ajustes no mês como forma de buscar um resultado mais equilibrado, aumentado assim o impacto das demissões. "Não deixa de ser preocupante, pois essa redução do número de empregos em junho praticamente zerou toda a geração positiva ao longo do ano". O fato da região ter um parque industrial extremamente diversificado leva Reisky a ter uma visão razoavelmente otimista para o segundo semestre, especialmente em razão da alta do dólar, que fez com que linhas de produção desativadas voltassem a se tornar competitivas. Ele cita como exemplo a produção de móveis que apresentou no ano uma geração positiva de empregos de mais de 30%. E ainda os setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com variação positiva de 11,15%, e celulose, papel e produtos de papel com um acréscimo de 10,58%. Como um todo, a região gerou no ano 300 postos de trabalho (0,24%). Mas se olharmos para os últimos 12 meses, o acumulado é de -0,90%, representando uma redução de aproximadamente 1.150 postos de trabalho. As áreas mais atingidas pela diminuição da atividade industrial são aqueles que estão ligados ao mercado automotivo. Os setores de Veículos Automotores e Autopeças reduziram seu nível de emprego em -5,06%, Produtos de Metal exceto Máquinas e Equipamentos em -2,64%, Produtos Químicos (-1,77%) e Produtos de Borracha e de Material Plástico (-0,14%). Na opinião do diretor da CIESP, a menor atividade das indústrias ligadas ao mercado automotivo é um reflexo da exaustão das medidas de isenção fiscal com objetivo de expandir o consumo. "Não é dizer que chegamos ao nível de saturação, mas é pouco provável que o brasileiro troque de carro mais do que uma vez por ano. Há um limite". Para Reisky, está na hora de uma política de estímulo mais forte para a área de infra-estrutura.