Produtores culturais analisam legado da Ocupa Colaborativa

Por Bruno Galiego

As atividades culturais promovidas pela Ocupa Colaborativa, bem como o legado da iniciativa, foram pautadas na roda de conversa “Ocupa Colaborativa, Um Ano Depois”, realizada no Sindicato dos Metalúrgicos na tarde deste sábado (6). 

O evento começou com a exibição dos curtas  “Ocupação Cultural – Uma forma de resistência”, com direção e edição de Jean Bruno, e e do “Dia 1” da Ocupa. As duas obras mostraram a rotina, as atividades e os impasses que envolveram a Ocupa Colaborativa durante os oito meses de atuação. 

Entre os convidados, o advogado pela PUC/Campinas e membro da Colaborativa, Filippe Martin Del Campo Furlan, fez uma breve análise sobre os artigos 1.275 e 1.276 do Código Civil, que tratam da perda do imóvel por abandono e arrecadação pelo município respectivamente. Para Furlan, as justificativas usadas pela Justiça para a reintegração de posse, feita no dia 10 de janeiro deste ano, além de ser ineficazes, visaram apenas questões econômicas e não o bem estar das população.

“A  Justiça se baseou no que é permitido por lei. O local está arrecadado para a massa falida, ele dever ser destinado ao pagamento de dívidas. Mas na prática não está sendo assim, o processo de falência é feito para dar errado. Por lei, a ação tomada pela Justiça foi justa, mesmo com o local sem função social. Mas se pensarmos na importância social que ocupação tinha, talvez não tenha sido justo”. disse o advogado. 

O gestor de projetos culturais pelo CELACC/ECA/USP, Thiago Moreira, teve participação ativa nas ações da ocupação. O resultado desse envolvimento rendeu um TCC intitulado “As Ocupações Culturais como Estratégia de Luta – A luta popular pela cultura na Ocupa Colaborativa da cidade de Jundiaí”. O trabalho acadêmico, que trata de questões históricas, números e atividades envolvendo a ocupação e a cena cultural da cidade, foi apresentado no evento. 

“Os movimentos de ocupação sempre existiram, mas a Ocupa Colaborativa trouxe esse debate sobre a ocupação de locais invisibilizados pelo Estado. Vivemos em um local onde não é comum ocupar uma praça, não por falta de ação, mas por uma imposição de valores hegemônicos. E a Ocupa serviu para quebrar isso, para quebrar essa cultura imposta de cima para baixo”, declarou Moreira. 

Nos oito meses de funcionamento, cerca de sete mil pessoas visitaram o local, que contou com 250 eventos envolvendo criação artística, produção cultural, educação, shows e festas com artistas nacionais e internacionais. 

Convidado para compartilhar experiências colaborativas em ocupações nas periferias de São Paulo, o produtor cultural Jesus dos Santos, explicou detalhes sobre a Lei de Fomento às Periferias, que pauta a necessidade de descentralizar os investimentos públicos, especialmente na cultura. 

“Existem algumas garantias importantes nessa lei. Além da descentralização, somente os moradores da periferia tem acesso à esse recurso. A lei também contempla o trabalhador da cultura, possibilitando que ele possa viver e se dedicar somente às atividades culturais”, explicou o produtor cultural. 

Santos também ressaltou a importância da troca de ideias entre os coletivos e ocupação na expansão das ações culturais. “Temos que continuar lutando e resistindo, para que todas as políticas públicas sejam aplicadas em todas as cidades do estado, e não que fique apenas restrita à capital”, disse. 

 

 

 

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