O articulista do site Superpride, Nelson Carneiro (Nelson Sheep), publicou um post nesta segunda-feira (20) onde denuncia o Youtube por censurar canais LGBTs no Brasil e no mundo.

“Eu produzo conteúdo pra internet, começando aqui no Superpride, desde 2008 e nunca pensei que passaria por uma coisa dessas. Na semana passada, o YouTube implementou uma nova política de restrição de vídeos que está afetando todas as pessoas que publicarem conteúdo LGBT na sua plataforma”, escreveu Carneiro.

Leia aqui o post de Nelson Carneiro

Eu produzo conteúdo pra internet, começando aqui no Superpride, desde 2008 e nunca pensei que passaria por uma coisa dessas. Na semana passada, o YouTube implementou uma nova política de restrição de vídeos que está afetando todas as pessoas que publicarem conteúdo LGBT na sua plataforma, como o Põe na Roda faz. A partir de agora, os vídeos que abordarem essa temática, são automaticamente colocados em Modo Restrito no site.

Pra quem não sabe, esse tal de “modo restrito” era uma ferramenta usada, até a semana passada, para impedir a visualização de vídeos considerados potencialmente ofensivos ou sensíveis demais, mas que ao mesmo tempo não infringiam os termos de serviço do Google para serem removidos. Inicialmente, ela foi criada para que pais pudessem escolher o que seus filhos podem ver na na rede.

Agora, repito, o YouTube está dizendo que todo e qualquer conteúdo LGBT é potencialmente ofensivo, independentemente do assunto tratado. Assim, sem mais, nem menos.

Pra você ter uma noção da gravidade dessa censura, que foi notada primeiramente por YouTubers internacionais, como o americano Tyler Oakley, que tem mais de 8 milhões de inscritos, os canais da Lady Gaga, Katy Perry, Rihanna, Mariah Carey, Troye Sivan, Kylie Minogue, Nicki Minaj, Christina Aguilera, Miley Cyrus e até a brasileira Anitta, que fazem ou fizeram menção ao nosso universo, também tiveram dezenas dos seus vídeos colocados nessa lista do esquecimento. 

 

Por aqui, o Põe na Roda, do qual eu faço parte, foi diretamente afetado por essa política bizarra, que está invisibilizando a nossa causa, escondendo os nossos vídeos e impossibilitando que novos inscritos sejam agregados ao nosso canal.

Além de nós, outros canais LGBTs amigos também estão enfrentando esse extermínio sem precedentes, como Canal das Bees, Gabriel Comicholi, Luba, Mandy Candy, Guigo Kieras, Luan Poffo, UmBipolar, Pedrugo, Afrontay, Dangelo, Maicon Santini, Lucca Najar, Muro Pequeno, Xisto, Fernando Escarião, Rdoriog, Nada Contra, Lorelay Fox, Juan Guimarães, entre outros

Dito isso, quero te convidar a pensar comigo: muitos dos nossos seguidores são menores de idade. Público que o Youtube acredita estar defendendo de conteúdo que seu algoritmo acredita ser potencialmente ofensivo.

Acontece que, no Brasil, um LGBT é morto a cada 28 horas, o bullying homofóbico persegue nossos jovens na escola, no bairro onde moram e até dentro e casa. Nós temos uma gigantesca massa de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais oprimidos por uma sociedade extremamente homofóbica e machista. Estou falando do sangue derramado nas ruas das nossas cidades, por pessoas que também acham a nossa natureza “potencialmente ofensiva”.

Entende o perigo dessa atitude do Youtube?

Não é “só um filtro”. Com isso, o conteúdo LGBT, independente do intuito do mesmo (sejam vídeos educativos ou de entretenimento), estão sendo impedidos de serem acessados em computadores públicos, bibliotecas, escolas e também em qualquer lugar onde você não esteja logado no Youtube para assistir. Da mesma forma, quando uma pessoa busca um termo como “lgbt”, “preconceito” ou “sair do armário” no Youtube, o resultado de buscas também é afetado.

O filtro não tem critério e bloqueia QUALQUER conteúdo LGBT. Vídeos como o título “Como beijar hétero”, por exemplo, continuam livres, enquanto um “Como beijar gay” está restrito?

Nós representamos essa minoria e entregamos conteúdo para ela se entreter, informar e politizar. Acuadas, solitárias e com as feridas da LGBTfobia, essas pessoas encontram nos nossos vídeos o conforto de não terem suas sexualidades questionadas.

Nós celebramos a diversidade, da maneira mais vasta que você possa imaginar. Pode ser com um vídeo com questões da militância LGBT, vlogs com o dia a dia de um casal de namorados, sobre transição de gênero, saúde, paródias musicais, ou até mesmo sobre assuntos sexuais falados sem rodeios. Não importa! Nós ocupamos os espaços e, com orgulho, expusemos ao mundo a nossa realidade e mostramos para os nossos seguidores que não tem nada de errado com eles também.

Oras, se buscamos um mundo mais empático e igualitário, porque devemos colocar os produtores de conteúdo LGBT de volta no armário, falando apenas para pessoas que desativaram essa ferramenta imbecil e ficando completamente escondidos para os novos usuários que chegam a cada dia? Queremos respostas, Youtube.

Além de fazer companhia e entreter os nossos iguais, também temos a utópica missão de chegar na timeline de heterossexuais e, com isso, criar uma nova geração sem intolerância e que respeite o espaço dos outros.

O YouTube não está protegendo menores de idade de conteúdo que ele julga ser POTENCIALMENTE OFENSIVO. Ele está censurado e condenando esses usuários à escuridão. Eles passaram a colocar em prática uma frase que eu abomino com todas as minhas forças e que exemplifica muito bem esse abismo que eles abriram: “não tenho nada contra gays! até tenho amigos que são”. É isso que o Youtube está fazendo com a gente. A partir de agora, só conteúdo hétero tá liberado!

Não sei o que será de nós amanhã. A minha sorte é que tenho o meu próprio sistema de comunicação, onde você está neste exato momento ao lado de mais de 10 milhões de leitores por mês, e servidores próprios que hospedam o nosso conteúdo. Aqui, ninguém vai nos calar!

Enquanto nos organizamos, sugiro que você certifique-se que o “Modo Restrito” esteja desativado nas configurações do site ou no app do Youtube. Além disso, faça uma vistoria nos canais que você segue para ver se estão postando vídeos novos. Caso seja inscrito e esteja com essa ferramenta ativada, você não receberá notificações de novos vídeos, como os seguidores do Põe na Roda têm apontado.

Nós ainda estamos aqui e, mais do que nunca, precisamos da sua ajuda para permanecermos vivos, criativos e ativos nas redes. Espalhe essa notícia no seu ciclo de amizades e nos ajude a garantir que adolescentes LGBTs, que estão naquele complicado momento da descoberta da sexualidade, continuem sendo atingidos pelo nosso conteúdo.

Repare que aqui não é uma questão do canal que você gosta mais ou que gosta menos, mas de todo um ecossistema que precisa existir para proteger e reivindicar nosso lugar no mundo.

No app, siga esse caminho…

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