A cidade como cenário de cinema. De Mazzaropi ao novo filme de Marcelo Muller

Por José Arnaldo de Oliveira A avant-premiére do novo filme do cineasta Marcelo Muller, “Eu Te Levo”, e uma nova exibição de “Casinha Pequenina”, clássico do cineasta Amâncio Mazzaropi, chamam a atenção no sábado, 23 de julho, e terça-feira, 2 de agosto para a cidade como cenário de locação de filmes. No caso de “Eu Te Levo”, além das locações de filmagem, a cidade foi também uma inspiração para o roteiro elaborado pelo próprio diretor. Rodado em 2015, trata com trilha sonora roqueira do personagem Rogério, um cara caladão que mora com a mãe e que perdeu o pai há poucos dias deixando um negócio a ser administrado mas causando nele a necessidade de resolver o que fazer de sua vida. Paralisado pela ideia de assumir responsabilidades, resgata o sonho e infância de entrar no Corpo de Bombeiros. Vai ter sua estreia no Festival Latino-Americano de Cinema, no sábado (23) às 19 horas no Memorial da América Latina. Com Anderson di Rizi, Rosi Campos e Giovanni Galo, tem muitos jundiaienses no elenco de figurantes que passou por lugares da Ponte, da Serra e do Centro. Essa trilha já havia sido feita em “Casinha Pequenina”, um dos clássicos de Mazzaropi que foi rodado na zona rural ao pé da Serra do Japi em 1963, como a Fazenda Ribeirão. Vai ser reexibido desta vez no Cineclube Consciência no CineArte na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, na Vila Arens, na terça-feira (2) às 14h30. Além de ter sido o primeiro filme com Tarcísio Meira e Luís Gustavo, o filme de tom bucólico teve muitos figurantes jundiaienses como a ativista comunitária Liberata de Paula Alves. Entre esses dois filmes, de 1963 a 2016, muita coisa aconteceu. São imperdíveis documentários feitos por nomes como Tainan Franco, Fábio Ferrari, Vânia Feitosa, Rodrigo Tangerino ou mesmo os pequenos vídeos independentes e até os filmes trash de Antonio Firmino (o Toninho do Diabo). E o futuro Parque Tecnológico de Jundiaí, em andamento, já conta com a adesão de empresas do setor cinematográfico. E a longo discussão do novo Plano Diretor Participativo, que já está em vigor, envolveu também a previsão de um programa específico de economia criativa para reforçar esse setor (que inclui áreas como o cinema, ao lado de coisas como música, moda, design ou pesquisa) na economia local. Com um ambiente marcado pela história, por bairros tradicionais e por um cinturão verde formado pelas serras e áreas rurais, Jundiaí oferece muitos pontos de inspiração para sua gente e para os visitantes. Parece natural que seja cada vez mais valorizado inclusive pelo aspecto audivisual. Se quiser conhecer essa cidade eu te levo. Porque sempre cabem amigos na nossa casinha pequenina.