A mágica sonora do “pontoito”, ou a energia positiva de mais um #ocupapontetorta

Por José Arnaldo de Oliveira

Imagine no mesmo lugar o jazz instrumental do Corrosivo 420, o blues de Márcio Maresia, o grunge do Infante, o rock do Monument, a balada do Senso, o hip hop de TAAD e o rap de NEG, tudo entremeado pelas picapes do DJ Xaci.

Tudo isso de forma voluntária e colaborativa, tendo ao fundo a histórica Ponte Torta e uma frase escrita no muro atrás dela com “veracidade” ou até ‘reviveracidade” se contar o pedaço depois do portão.

Pense também que tudo isso rolou ao lado de um rio, que desse ponto até a Vila Argos Nova e a Vila Argos Velha forma em suas margens o Parque Linear do Rio Guapeva.

E que o símbolo maior dessa área é um pequeno pássaro branco com asas e bico em cor marrom, a lavadeira-mascarada – uma das diversas espécies que habitam esse trecho durante as temporadas de primavera e verão ao lado das revoadas de andorinhas.

E que geralmente só vê quem pedala.

Conclua a imagem com mais de quinhentas pessoas passando pelo local entre as 14 e as 22 horas, incluindo skatistas, ciclistas, músicos e muitas crianças, em um ambiente de pura confraternização.

Pronto, dá para ter uma pequena noção do que foi o “pontoito” (ou #ocupapontetorta) que pela oitava vez ocupou a praça ao lado da Ponte Torta no último domingo de julho.

Um evento que nasceu quase na véspera do Ano Novo e em três dias reuniu uns 200 participantes apenas para celebrar a volta desse monumento à memória de Jundiaí.

Mas não é possível descrever algo tão fluido como o astral, ou vibe, ou cidadania.

Afinal, trata-se apenas de fazer o velho e bom domingo na praça que a cidade parecia haver perdido em algum desvio do tempo.

Gente que já passou por outras iniciativas cooperativas desse tipo na cidade como o Projeto Colibri, o Domingo no Parque, o Pão e Poesia, o Visite Jundiaí a Seattle Brasileira, o Arte na Praça, o Praça Viva, o Porradaria Solidária, o Praça Cultural e tantas que existiram e existem na cidade.

Mas que tem como maioria a geração atual e até mesmo aquelas que estão chegando.

Um reaprendizado do faça-você-mesmo (do it yourself) lembrando que a equação do resultado é maior do que a soma de cada parte.

Um evento feito tendo como única moeda o amor à cidade, o amor à cultura e às pessoas. E que tem como retorno a presença de músicos de primeira linha, na maioria com trabalho autoral.

Na essência.

Foto de abertura: Lucas Castroviejo

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Lucas Castroviejo