A postura e coerência Punk da Plebe Rude

Por Bruno Galiego 

A noite da última quinta-feira (1) foi uma daquelas de colocar aquela jaqueta com botons e patches e cair para o rolê. Os ventos guiaram centenas de pessoas para o ginásio do Sesc para acompanhar a Plebe Rude pela primeira vez na cidade. 

Na entrada do ginásio era possível sentir a tensão do público. Foi muito interessante e instigante ver jovens, adultos e até famílias inteiras aguardando ansiosamente a entrada do quarteto formado por Philippe Seabra (vocal-guitarra), Andre X (baixo), Clemente Tadeu (guitarra-vocal) e Marcelo Capucci (bateria). 

A instiga só aumentava, e ainda nem havia começado o show. Conversando com um camarada das antigas, ele lembrou com carinho do dia em que comprou “O Concreto Já Rachou”, a primeira obra da Plebe Rude, lançada em 1986.

Dando um rolê pelo ginásio, me deparei com uma garotinha de uns 13 ou 14  anos, acompanhada do pai, portando uma camisa da Plebe. Pensei “uau!”. 

As luzes se apagaram, o público já estava eufórico. Uma intro sinistra, um som de orquestra começou a rolar. O eterno inocente, Clemente, e Philippe iniciam a canção “Brasília”. Durante a apresentação, a presença de palco dos dois foi notória.

Clemente, que entrou na Plebe em 2004 para substituir Jander “Ameba” Bilaphra, não parou nenhum minuto. Pulou, correu, apontou o microfone para a galera cantar. Já Phillipe, devoto de Joe Strummer, não parava de dar aqueles pisões seguindo o ritmo pegado de Capucci, que deu um espetáculo a parte com as baquetas. 

Andre X é um verdadeiro monstro. Preciso. Raivoso e direto. A cada acorde do seu baixo, parece que toda a sua bagagem histórica é cuspida pelos amplificadores. Na maior parte do tempo ele estava estático, porém no centro do palco, onde a maioria dos baixistas não costumam ficar. 

O público continuou fazendo sua parte de forma espetacular. “Johnny”, “Minha Renda” – que contou com uma introdução bem humorada do Chacrinha – e “A Ida” foram levadas na garganta do início ao fim. E tinha muito espetáculo pela frente.

O set list estava rachando concreto. A versatilidade da banda é impecável, prova disso foi o medley sensacional com “Proteção” que teve Clemente cantando a incrível “Pátria Amada”, dos Inocentes. 

Clemente lembrou do amigo Kid Vinil, ícone do Rock nacional que faleceu no dia 19 de maio. Outra grande figura lembrada e homenageada pelos plebeus foi Redson, líder da banda Punk paulistana Cólera que faleceu em 2011. A canção não poderia ser outra: “Medo”.

O Público foi ao delírio. O camarada que citei no começo da resenha, que lembrou sobre a compra do disco de estréia da Plebe, veio perto de mim e disse que uma lágrima escorreu pelo rosto naquele momento. 

A interação entre o palco e a platéia foi acentuada no momento em que a os primeiros acordes da canção “Rock The Casbah” do The Clash começou a rolar. 

Faltava apenas uma faixa da obra “O Concreto Já Rachou” para ser tocada. A canção de abertura do disco “Até Quando Esperar” foi cantada e agitada do primeiro ao último acorde, uma energia inexplicável. 

Os quatro plebeus foram ovacionados com o coro “olê, olê, olê, olê, Plebe, Plebe!”. Esses cinquentões mostraram coerência, respeito e muita energia. Foram exemplares como músicos e pessoas. “São mais de trinta anos de música, é preciso muita postura”, afirmou Seabra durante o show. 

Não preciso dizer que toda a obra da Plebe Rude continua extremamente atual, isso já é um clichê, pois a nação é um clichê. Agora, posso dizer com toda certeza, eu nunca fui tão brasileiro como na noite de ontem, no show da Plebe Rude.

Fotos by Tati Silvestroni

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