Foi a primeira-dana dos Estados Unidos, Michelle Obama, quem anunciou o Oscar de melhor filme para “Argo”, de Ben Affleck.

O filme tornou-se favorito ao Oscar ao conquistar os principais prêmios dos sindicatos americanos e o Globo de Ouro.
Argo foi também o grande vencedor do Bafta, o Oscar britânico.

Affleck fez um discurso emocionado de agradecimento: “Não importa que você vá a nocaute, o importante é se levantar”, disse ele.

Saiba mais a respeito do filme no artigo de Kiko Nogueira e veja abaixo os vencedores do Oscar em todas as categorias.

Baseado em fatos reais

Kiko Nogueira

O filme é “baseado em fatos reais”. O que, a rigor, significa apenas que um fato relativamente parecido com aquele aconteceu naquele país, naquele período.

Isso não quer dizer, porém, que ele triturou a realidade para ganhar dinheiro na bilheteria ou para adaptá-la a sua agenda política. Argo é cinemão e, sim, a CIA sai bonita da parada.

Mas o diretor toma alguns cuidados fundamentais: uma animação no início explica o que aconteceu no Irã em 1953, quando o primeiro ministro Mohammad Mossadegh foi apeado do poder por um golpe organizado pelos serviços secretos da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Mossadegh foi substituído pelo xá Reza Pahlevi. A revolução islâmica de 1979 marcaria o fim do xá e o início dessa era de hostilidade.

Segundo um dos seis reféns da época, Mark Lijek, o agente da CIA teve um papel bem menos importante do que o que se vê na tela. Ele escreveu um artigo sobre o assunto no site da Slate.

Além disso, o produtor do filme fake, Lester Siegel (vivido por Alan Arkin) não existiu. Siegel é uma composição de seis personagens diferentes.

“Era importante pra mim retratar, tão fielmente quanto possível, os eventos históricos”, disse Affleck. Bem, ele tentou. Mas Argo não é um documentário.

Cumpre sua função de entreter e educar, sem ser cabeça ou simplista demais. E é um certo alívio Affleck não ter transformado a História numa papagaiada patriótica.

Kiko Nogueira é jornalista, músico e ex-falso ponta esquerda. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas. Escreve para o Diário do Centro do Mundo, blog de Paulo Nogueira.

Não houve um único grande vencedor

O Oscar terminou sem nenhum vencedor e teve poucos momentos de brilho.

Daniel Day-Lewis, que viveu Abraham Lincoln em “Lincoln”, de Steven Spielberg, levou o prêmio de melhor ator.

Spielberg, por sua vez, não conseguiu confirmar seu favoritismo e perdeu para Ang Lee na categoria de direção. Com “As Aventuras de Pi”, o taiwanês levou seu segundo Oscar para casa (o primeiro veio em 2005, com “O Segredo de Brokeback Mountain”).

Anne Hathaway, por “Os Miseráveis”, e Christoph Waltz, por “Django Livre”, ficaram com os prêmios de coadjuvantes.

A lista completa dos vencedores

Filme
“Argo”

Diretor
Ang Lee (“As Aventuras de Pi”)

Ator
Daniel Day-Lewis (“Lincoln”)

Atriz
Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”)

Ator coadjuvante
Christoph Waltz (“Django Livre”)

Atriz coadjuvante
Anne Hathaway (“Os Miseráveis”)

Roteiro original
Quentin Tarantino (“Django Livre”)

Roteiro adaptado
Chris Terrio (“Argo”)

Filme estrangeiro
“Amor” (Áustria/França)

Montagem
William Goldenberg (“Argo”)

Direção de fotografia
Claudio Miranda (“As Aventuras de Pi”)

Animação
“Valente”

Direção de arte
“Lincoln”

Mixagem de som
“Os Miseráveis”

Edição de som
“007 – Operação Skyfall” e “A Hora Mais Escura”

Figurino
“Anna Karenina”

Trilha sonora
Mychael Danna (“As Aventuras de Pi”)

Canção
“Skyfall”, Adele (“007 – Operação Skyfall”)

Documentário – longa
“Searching for Sugar Man”

Documentário – curta
“Inocente”

Efeitos visuais
“As Aventuras de Pi”

Maquiagem
“Os Miseráveis”

Curta de animação
“Paperman”

Curta live-action
“Curfew”


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