Arte independente junta gente e defende a Ponte Torta

Por José Arnaldo de Oliveira

Noite de quinta-feira, 12 de janeiro.

Um grupo de mais de 300 pessoas, em sua esmagadora maioria jovens, passa pela praça ao lado da Ponte Torta para ouvir variações raras do reggae jamaicano promovido pelo Green Selector Sound.

A apresentação acontece exatamente no horário programado das 18 às 22 horas, mesmo com uma chuva de verão em parte do tempo, e se encerra com participantes recolhendo sinais de lixo em tambores de latão e criticando o vandalismo de dias anteriores que deixara quebrada uma das placas de vidro transparente do parapeito.

Quem prestigiou o evento Social Reggae Rua muitas vezes não sabe do trabalho do DJ Green Selector, nome artístico do produtor cultural Leandro Siure, que comemorou um ano de sua primeira intervenção feita no Sororoca.

Um de seus parceiros, Gabriel, conta que o uso de discos de vinil obriga muitas vezes a encomendar compactos ou long-plays no Japão, pela internet. Fora toda a pesquisa permanente em eventos do ramo e em publicações especializadas.

No caso específico desse evento, o surgimento ocorreu em uma reunião improvisada no sábado de Reveillon que celebrou um ano de outra iniciativa, o Ocupa Ponte Torta, criada no final de 2015 em torno do grupo do Pedala Jundiaí e que acabou tendo edições mensais nos últimos domingos de janeiro a junho de 2016, sempre de maneira voluntária e colaborativa.

O retorno desse espírito acontece novamente no dia 29 de janeiro, um domingo das 15 às 22 horas, com uma seleção de bons nomes do rock independente de Jundiaí como No Deal, Burt Reynolds, Boca de Lobo, Corrosivo 420 e mais.

Como sempre, pessoas vão compartilhar mesa de som, lâmpadas, tendas e talvez até mesmo bateria… buscando que a presença de artistas, pessoas e uso do espaço público possa contrabalançar o vandalismo e o desrespeito ao patrimônio coletivo, em diversos níveis, que ainda agridem a comunidade.

Já ameaçada de demolição nos anos oitenta antes de virar quadrinhos, artesanato, bebida “premium” e muitas memórias, a Ponte Torta observa mais de cem anos depois de seu surgimento (agora como um monumento) a essa eterna luta da comunidade por sua própria identidade.

E o melhor de tudo é que, além da arte independente, uma nova geração de jundiaienses prestigia esse movimento.

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Ocupa Ponte Torta