Burt Reynolds, do Bar do Mindu pro Amplifica do Sesc em 23 anos

Por Flavio Gut

Quando o baterista Gustavo Almeida, o Gus, montou o Burt Reynolds em 1994 e inventou de ir tocar no Bar do Mindu lá no Jardim do Lago, nem por sonho poderia pensar que um dia, 23 anos depois, iria estar subindo ao palco do Sesc, em Jundiaí, para uma grande noite de rock dentro do Amplifica 2017, o festival de bandas independentes que vai movimentar a cidade entre 3 e 11 de junho.

O Burt Reynolds é parte importante do festival e da cena local por pelo menos dois motivos. O primeiro é que é uma das bandas mais antigas em atividade e, em segundo, porque um de seus integrantes, Jota Wagner, é um dos organizadores do festival ao lado do jornalista Ricardo Alexandre.

Mas uma coisa é certa e precisa ficar registrada: se o Burt Reynolds continua na estrada isso de deve à persistência de seu criador, Gus (esse que aparece aí na foto ao lado e na foto abaixo, o da direita), uma espécie de alma da banda. Foram várias fases e formações até chegar ao quarteto atual.

“Essa banda só existe até hoje porque eu sempre mantive ela de pé”, lembra.

Gustavo é dono da Metal No Pombal Produções Espetaculares que organiza, entre outras coisas, o Sexta Autoral, no Aldeia Bar, um dos poucos lugares onde as bandas autorais podem apresentar seus trabalhos. E foi o criador da célebre frase “Visite Jundiaí, a Seattle brasileira”, que surgiu pela primeira vez numa demo tape do Burt.

Para ele, a apresentação no Sesc marca uma nova fase na vida do Burt Reynolds, que já está com uma turnê marcada pelo interior de São Paulo e, em seguida para outros estados brasileiros, fechando o ano com uma pequena temporada em Londres, na Inglaterra.

Nessa conversa, Gus conta um pouco da história do Burt Reynolds, os planos da banda e o futuro no mundo do rock. O Burt se apresenta no sábado, dia 10.

O Burt Reynolds das antigas. Gus é esse magrelo da esquerda.

Como é que o Burt Reynolds começou?

Quem montou a banda fui eu e o baixista Vostok. Na verdade, o Vostok era o guitarrista/vocalista de outra banda, o Curse Diem, na qual eu tocava bateria e o Formiga, baixo.

Com a saída do outro membro do Curse Diem, o guitarrista Magrão, o Jota Wagner se juntou a nós, substituindo ele. Numa viagem, o Vostok sugeriu a mudança de nome da banda para “Burt & Reynolds”. Eu disse que ficasse somente “Burt Reynolds”. E assim foi.

Quando foi isso?

Montamos a banda em outubro de 1994 (data de nosso primeiro ensaio). No primeiro show que fizemos, o baixista Formiga não apareceu. O Vostok assumiu o baixo e ficamos assim.

Vocês ensaiavam onde?

A banda começou ensaiando na casa do Formiga, na casa do Wagner e na casa de um amigo nosso, onde o DVG também ensaiava. Depois que o Formiga saiu, começamos a ensaiar permanentemente na chácara do pai do Wagner. Terminamos o ano de 1994 fazendo alguns shows em Jundiaí, Campinas e São Paulo. Em fevereiro de 95, lançamos a nossa primeira demo-tape “Shock Suspenstories”.

Foi nessa demo que saiu escrito “Visite Jundiaí, A Seattle Brasileira”?

Fizemos o lançamento da demo tape no Blackout Underground (um importante palco da cena autoral na época), com o Hateen abrindo pra gente. O Blackout foi fundamental para a abertura da cena local. Muito mais importante que qualquer outro bar. Foi lá que a coisa realmente aconteceu. Sem o Blackout, os outros não existiriam.

Nessa demo-tape colocamos a frase “Visite Jundiaí, A Seattle Brasileira”. O que era pra ser uma brincadeira, virou coisa séria. E deu o nome e visibilidade à nossa cidade. Eu sugeri que todas as bandas colocassem a mesma frase em suas demo-tapes. E todos fizeram isso. Foi um momento bem interessante da história.

E o que aconteceu com o Burt Reynolds de lá pra cá?

O Burt rolou com a sua formação original até 1997, quando o Wagner pulou fora. Reformulei o Burt colocando o Will na guitarra e uma menina no vocal, a Paula. Vocalista feminina em bandas alternativas eram uma tendência na época. Seguimos isso.

E obtivemos a fase de maior reconhecimento nacional da banda. Tocamos por todo o estado de São Paulo e em outros estados. Rio de Janeiro (diversas vezes), Paraná, Goiás, DF, Minas… fizemos uma paulada de shows. E ficamos bem ausentes da cidade. Não havia mais tempo.

Gravaram?

Gravamos nossa segunda demo-tape “Is It Right? Is It Wrong?” em 1998.
Por aqui, tocamos no Bar do Bilé e em alguns festivais que aconteciam pela cidade. Em 1999 lançamos o nosso disco pela Monstro Discos (“We Came In Peace For All Mankind”).

Da formação original quem ficou na banda só você? E depois o Jota Wagner voltou, é isso?

Eu e o Vostok continuamos na formação da banda. Porém, no final de 1999, o Vostok saiu também. Mais algumas trocas na formação, lançamos a demo-tape “…End”, em 2000. Desde a saída do Wagner, em 1997, eu assumi sozinho a direção da banda. Antes, dividíamos esse cargo entre os três.

Ou seja, você é uma espécie de alma do Burt?

Essa banda só existe até hoje porque eu sempre mantive ela de pé.

Em 2003, eu o Wagner e o Vostok voltamos a ensaiar juntos… Mas, foi a partir de 2010 que realmente a gente recomeçou tudo. Com a ajuda do Juca na outra guitarra, voltamos eu, o Wagner e o Vostok a fazer shows.

Em 2014 o Vostok e o Juca saíram. Eu chamei o Eduardo pro baixo e o Gabriel pra guitarra. O Gabriel saiu logo. O Eduardo foi pra guitarra e eu chamei a Fernanda pro baixo. E estamos assim até hoje.

E daqui pra frente? Festival? Sesc? Discos? Qual é plano?

Estamos finalizando o material que será lançado (quem sabe) ainda esse ano. Estudo possibilidades de selos, mas a Monstro Discos mostrou um interesse que nos agrada, uma vez que já lançamos material através deles e fomos convidados a tocar no maior festival de bandas independentes da atualidade, o Goiânia Noise Fest, organizado por eles.

Temos um projeto de tour que abrange até tocar no exterior. Vamos entrar de cabeça nesses projetos todos. O festival do Sesc será somente o início dessa nova jornada da banda.

Exterior? Onde? Então Sesc inicia nova fase da banda?

Sesc inicia essa jornada que queremos fazer. Uma tournê pelas nossas redondezas (interior de São Paulo), depois sair pra outros estados (os contatos já estão fechados) e, enfim, uma pequena temporada em Londres (tudo armado por lá também).

Tocando no Blackout Underground em 1995

No Bar do Bilé, outro templo do rock local, em 1998

 

Burt Reynolds (Formação atual da esquerda pra direita)

Jota Wagner – guitarra e vocal
Fernanda Offner – baixo
Gustavo Almeida – bateria
Eduardo Wisch – guitarra

 

De 3 a 11 de junho acontece o Amplifica 2017, Festival Sesc de Música Independente, que vai colocar no palco durante dois finais de semana oito bandas da região com uma estrutura profissional e espaço para que apresentem suas composições ao público local.

Foto de abertura by Tati Silvestroni. Outras fotos do arquivo pessoal de Gustavo Almeida

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