Cultura DJ destaca outra vertente sonora na Ponte Torta

Houve quem estranhou um evento com música eletrônica em volume relativamente baixo no ambiente ao ar livre da Ponte Torta, no domingo (18). Mas a qualidade, que era o alvo principal do movimento Cultura DJ, esteve plenamente garantida.

O Cultura DJ é um movimento anterior, surgido para levar um pouco do trabalho mais autoral desses produtores sonoros para os espaços públicos. Foi criado inicialmente por três DJs e começou a ser feita como ocupação cultural na praça da Bandeira para mostrar diversos estilos – o eletrônico com Wander, a black music com Adriano HP e o reggaeton com Natan.  

O contato pelo lado eletrônico surgiu então com Wander, do Colors, e o grupo La Roommm, que tem um trabalho bem ativo há alguns anos em Jundiaí.

“Conversando com o Fabião, a ideia foi fazermos uma primeira pista de som eletrônico na cidade com várias linhas desse campo como house, techno, progressive, beat… e isso em parceria com movimento consolidado de uso de espaço público que é o Ocupa Ponte Torta”, explica.

A iniciativa juntou o Colors Sound System, que tem trajetória de festas em São Paulo, os integrantes do La Roommm, que promove muitos eventos em Jundiaí, incluindo os dois “jotas” que são Jota Wagner e Jota Leão, respectivamente. E convidados como Denis Augusto, da festa Bess (Campo Limpo) e PK Live, da United ID (São Paulo, mas residente em Jundiaí).

Não se trata de uma cena nova na cidade. O próprio Wander conta que está completando vinte anos de carreira, a partir de algumas festas e raves, uma cultura que estava chegando da Inglaterra na década de 1990. A partir disso a atuação se estendeu para Campinas, São Paulo (onde surgiu a Colors) e finalmente voltou a Jundiaí onde existiram na primeira década de 2000 alguns espaços noturnos como o Velvet, na avenida Nove de Julho.  

E o que proporciona personalidade para um DJ? Em primeiro lugar, acreditar muito na música que toca. E, em seguida, ouvir muita música, não só do segmento em que atua mas de todos os tipos e lugares. E, em terceiro, observar cada vez mais como a música pode ser misturada em uma pista de dança, porque o DJ deve de certa maneira ir “contando uma história musical” durante a festa.

“Mas não se trata de ficar bitolado apenas em coisa nova. Tem que ir construindo sua própria história musical, tijolinho por tijolinho”, destaca.

E, dentro de tudo isso, o chamado feeling. Entre os caminhos dessa atividade está ser um bom DJ comercial, de festas, que conhece muito bem o público. Ou um DJ mais alternativo, de setores como eletrônica ou seletor de dub ou reggae ou rock, que vai estar tocando em eventos do seu segmento mas não obrigatoriamente – pode atingir também um outro estágio, mais apurado, de ser quem apresenta uma sonoridade nova para um público pouco acostumado a ela. Porque o DJ pode usar grooves, levadas e atmosferas para fazer essa apresentação e ter a sensibilidade de como a pista está respondendo a isso.

No evento da Ponte Torta, o público que esteve presente estava mais acostumado ao trabalho dos grupos envolvidos. O local tem recebido sons diferentes, incluindo DJs entre as bandas ou até o Favela Sound System (de Natan) desde que as primeiras atividades culturais foram iniciadas em dezembro de 2015, após os trabalhos de restauro do monumento construído como ponte em 1888.

O direcionamento das caixas de som para o espaço da rua José do Patrocínio, evitando sua dispersão para as áreas mais residenciais, e o volume do som usado, permitindo conversas normais em meio às trilhas musicais mixadas,  mostraram-se avanços para esse tipo de evento. É parte do que pode ser entendido como a Cultura DJ.

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